15 anos sem Chico Science

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Hoje se “comemora” quinze anos da morte do Chico Science, falo comemorar por que atualmente já é uma praxe digital gostar de tudo. É o uso do sim pelo não. Você curte uma tragédia sinalizando que discorda dela.

É estranho, mas é moderno. E moderno e estranho foi o que Chico fez no começo da década de 90 . O que seriam caranguejos com cérebro e parabólicas enfiadas na lama?

A pura modernidade, o sujo e o limpo, o novo e o velho, todos ali juntos desorganizados e organizados. Era dar um curtir em sua raiz cheia de desigualdade social e compartilhar a complexidade cultural de sua arte, até então desconhecida, para todo o Brasil.

Se João Cabral de Melo Neto e Guimarães Rosa são distantes e complicados para grande massa ao falarem sobre Recife e Pernambuco. Chico, pelo contrário, aproximou o Brasil daquela que na época era a quarta pior cidade do mundo. Cantou o Capibaribe, revoluções, homens coletivos, Antonio Conselheiro, favelas, rios, ladeiras e pontes. Ali se criou uma nova identidade cultural.

Pós-tropicalismo, pós-punk, pós-hip-hop, pós-rock, pós-reggae, pós-samba, nada disso classificou Chico Science. O que ele fez naquele momento e faz até hoje se chama pós-Brasil. Então canalizemos nosso desejo de interatividade para as ruas com empatia e tesão, pois, como diz um refrão do novo disco do Mundo Livre S/A, "a vida é pra compartilhar" e isso é o que Francisco de Assis França fez de melhor.

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