RPM - 18/05/2012

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A primeira vez que vi o RPM ao vivo foi há mais ou menos 27, 28 anos, em show que dividiram o palco com as bandas Tokyo, aquela do Supla, e o Telex, que desapareceu totalmente. Na época, as três bandas estavam lançando seus primeiros compactos pela finada CBS (hoje Sony) e confesso que a única que realmente chamou atenção de um adolescente apaixonado por rock nacional foi o Tokyo.

Os meses passaram, e com o lançamento do primeiro disco o RPM foi, aos poucos, se transformando na maior banda brasileira dos anos 1980, dividindo, pelo menos em número de fãs, o posto com a Legião Urbana. Eram tão grandes que seu segundo álbum foi um disco ao vivo – hoje tão comum, mas na época era um feito que chamava atenção.

Da mesma forma que cresceram, desapareceram logo após o lançamento do segundo disco, o Quatro Coiotes, e seus integrantes ficaram muitos anos sem se falar. Motivos? Em entrevistas, Paulo Ricardo comenta que eram muito jovens e o dinheiro fácil, junto com drogas e egos, fizeram o grupo implodir.

Pois bem, em 2002 ensaiaram um retorno, brigaram e cada um foi para um lado. Aparentemente fizeram as pazes e, no final de 2011, lançaram Elektra, tentando resgatar os bons momentos da carreira. Para isso deram o chute inicial em sua nova turnê nesta última sexta-feira, dia 18 de maio, no Via Funchal.

Sofrível. Essa é uma das palavras mais fracas para descrever esse show. É realmente triste ver que o fundo do poço sempre pode ser mais fundo do que pensamos, e o RPM, pelo jeito, ainda não chegou lá.  E a banda começou bem... com a falta de respeito com os fãs que aguardaram 45 minutos até que a trupe de Paulo Ricardo resolvesse dar o ar da sua graça no palco.

E melhorou ainda mais com o som mal equalizado, em que apenas os teclados de Luiz Schiavon e o baixo do vocalista ficassem realmente audíveis durante boa parte da apresentação. Acabou? Não.  O Set list mal feito com uma versão estúpida de Miss You, do Rolling Stones – alegrinha, em que Paulo Ricardo pediu para que todos ficassem de pé e dançassem, para logo depois jogar um balde de água fria quando sai do palco e deixou a banda tocando a chata, e instrumental, Naja -, a cover de Exagerado, do Cazuza, e com doses cavalares de uma breguice que só quem cresceu na década de 1980 é capaz de lembrar.

E olha que eles ainda tentaram resgatar os bons momentos da turnê Radio Pirata Ao Vivo. Uma plataforma móvel estava à disposição para Paulo Ricardo cantar a descartável London London e também para Fernando Deluqui desfilar seus solos em Naja. Pra terminar, a banda volta para um bis e coloca uma canção nova (Ninfa) e repete Dois Olhos Verdes, que já havia sido tocada no começo da apresentação? Parece banda iniciante, que não tem repertório suficiente.

Difícil entender o que se passou na cabeça dos caras pra montar um set list tão torto. Não estou falando das músicas que apareceram, mas da ordem em que foram apresentadas.  Talvez acreditassem em sua relevância para o público – e a falta de fãs no show mostrou exatamente o contrário – ou foi apenas confiança em excesso.

Em alguns momentos, principalmente com as canções do álbum de estreia, a banda conseguiu, mesmo que rapidamente, resgatar aquela aura de grandiosidade que tinha nos anos 1980. Só a dobradinha Juvenilia e Liberdade/Guerra Fria já valeriam o show, assim como Loiras Geladas, Olhar 43, Revoluções por Minuto e Rádio Pirata também valem, mas é muito pouco para uma banda que quer recuperar seu respeito e lugar no rock nacional.

Agora, é hora de rever o que aconteceu e tentar acertar o passo. Quem sabe se resolvessem tocar o Revoluções Por Minuto na íntegra não seja melhor que arriscar um set com canções novas e fracas. Pelo menos o dinheiro fácil apareceria novamente.

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Fotos por Iris Kouwen/DropMusic

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