Nada Surf - 25/04/2012

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Não dá para entender como uma banda como o Nada Surf não faz o mesmo sucesso que outros grupos parecidos, como o Weezer, que nasceu no mesmo ano que o quarteto de Nova York, Teenage Fanclub ou o Lemonheads, lá nos anos 1990.

Todos os elementos que fizeram com que músicas dessa bandas, de uma forma ou de outra, chegassem a um número maior de pessoas estão nas canções do Nada Surf, então o que explica um se dar tão bem no mercado fonográfico e outro apenas ser mais uma banda? Simplesmente não há resposta fácil e a verdade é que não basta fazer boa música, com apelo pop, belas baladas, ou com refrões grudentos para fazer sucesso. Por isso, shows como o do Nada Surf ficam restritos a pouco menos de 1500 pessoas (sua capacidade máxima).

Sorte de quem pode ver o quarteto de perto e em um lugar com um pouco mais de estrutura que outras casas com capacidade parecida e muito bem localizado, no bairro da Liberdade, centro de São Paulo. Azar de quem, como boa parte da população, tem que acordar cedo para trabalhar, já que o horário normal, e absurdo, para o início dos shows na casa é por volta das 23h.

Horários à parte, o Cine Joia é uma grata surpresa. Aberto em novembro de 2011, o local já virou referência para shows de médio porte e de bandas alternativas, que dificilmente teriam espaço em outras casas. Esse é o caso do Nada Surf.

A banda lançou seu primeiro álbum em 1996 e quase se tornou – para muitos é – uma “one hit wonder”, graças ao sucesso de Popular, faixa de seu disco de estreia. Apesar de, nos anos seguintes, ter desaparecido das paradas, o quarteto nunca deixou de trabalhar, para felicidade de seus fieis fãs, muitos deles brasileiros, e chegou ao seu sétimo álbum, The Stars Are Indifferent to Astronomy, este ano.

Foi para divulgar seu último disco que a banda veio ao Brasil para uma série de shows pelo Sul, Sudeste e Nordeste brasileiros.

Pontualmente o quarteto subiu ao acanhado palco do Cine Joia e soltou os primeiros acordes de Clear Eye Clouded Mind, canção do último disco, seguida por Waiting for Something e Happy Kid, um começo de show levemente prejudicado pela qualidade do som, que foi melhorando com o correr da apresentação.

Apesar disso, o show agradava, principalmente quando o vocalista Matthew Caw comentou que o grupo tocaria uma canção que, originalmente, não estava no set, mas que muitos fãs pediram um dia antes, em um pocket show que o grupo fez em uma livraria na cidade, a faixa Killian’s Red, do ótimo álbum Let Go, lançado em 2002.

E ninguém pode reclamar do set list apresentado pela banda. Toda sua carreira foi, muito bem, representada nas 23 canções e quase duas horas de shows. Belas canções como Whose Authority, Jules and Jim, When I Was Young, 80 Windows - poderia citar todo o set - foram feitas para o fã cantar junto com a banda. E os fãs cantaram. Desde as antigas até as mais novas, do último álbum. Ou seja, ninguém estava lá pra ver a banda da moda e passar o tempo todo publicando besteiras no Twitter ou Facebook.

Aqui cabe um pequeno parêntesis. Boa parte das pessoas estava lá mesmo para ver o Nada Surf, mas uma minoria “descolada” parecia mais interessada em bater papo aos gritos a ver a apresentação da banda. Nas baladas o falatório era irritante para quem estava no balcão. Infelizmente a falta de educação também rola entre o publico alternativo.

Voltando ao show, a apresentação já estava pelo final quando o Nada Surf mostra seu maior sucesso, a faixa Popular. Muito esperada pelos fãs, mas que não causou a catarse comum aos grandes hits, até porque o grupo não faz seu show calcado em hits. Always Love e Blankest Year encerraram a apresentação.

Boa parte do público se identifica com as canções do Nada Surf. São pessoas diferentes, em muitos casos, solitárias e tímidas. Aquele tipo de pessoa que nunca foi popular na escola e se refugiava nas roupas pretas, sentava no fundo da sala e curtia bandas que ninguém conhecia.

Mais fotos aqui
Fotos por Iris Kouwen/DropMusic

Set List
Clear Eye Clouded Mind
Waiting for Something
Happy Kid
What Is Your Secret?
Teenage Dreams
Killian's Red
Weightless
Hyperspace
Whose Authority
Jules and Jim
Amateur
80 Windows
When I Was Young
The Way You Wear Your Head
Paper Boats
Hi-Speed Soul
No Snow on the Mountain
Treehouse
See These Bones
 
Bis
Inside of Love
Popular
Always Love
Blankest Year
 
 
 

 

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