Morrissey - 11/03/2012

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Steven Patrick Morrissey tem 52 anos e é responsável por algumas das melhores canções do pop britânico de todos os tempos, principalmente quando era responsável, ao lado de Johnny Marr, pelas músicas dos Smiths.

 

Se os Smiths acabaram há muito tempo, a fama de Morrissey como letrista e cantor continuou em uma interessante carreira solo, que teve seus melhores momentos nos álbuns Viva Hate, Your Arsenal e Vauxhall and I, todos discos da década de 1990, e com You Are the Quarry e Years of Refusal, dos anos 2000.

E foi esse Morrissey que levou pelo menos 8 mil pessoas ao Espaço das Américas, em pleno domingo chuvoso, na capital paulista. Um Morrissey que, por ordem de algum deus, resolveu, já há alguns anos, incluir canções de sua antiga banda em seu set list, deixando seus fãs ainda mais felizes pela oportunidade de relembrar canções como How Soon Is Now?, Still Ill, I Know It’s Over e There Is a Light That Never Goes Out.

E ninguém pode reclamar da falta de tantas outras, para Morrissey resolver cantar os hits dos Smiths foi preciso esperar muito tempo – na primeira vinda do cantor ao Brasil há 12 anos, ele apresentou apenas canções de seu trabalho solo. Ou seja, não deve ser fácil para ele ter que recorrer às músicas de sua antiga banda apenas para deixar o fã mais feliz.

Mas para ouvi-las, os fãs tiveram que aguentar sol e chuva antes de entrar no Espaço das Américas e lá dentro, sofrer com um calor digno do inferno até que a apresentação de “deus”, como um colega nomeou Morrissey, começasse. E, para sorte de quem dependia de transporte público, “deus”, quer dizer, Morrissey, começou seu show pontualmente as 21h – antes disso, os fãs “curtiram” o show de Kristeen Young que, em pouco mais de 20 minutos, tocou piano, cantou, gritou, rolou pelo chão e saiu do palco sem que alguém realmente tivesse se importado com sua performance.

O cantor, em sua turnê pela América Latina fez todos os seus shows com, basicamente, o mesmo set list. As três apresentações brasileiras, então, foram idênticas, então só algum louco poderia pensar que justo no último show o cantor viria com alguma surpresa – e sim, algumas pessoas do meu lado na plateia, acreditavam que ele iria mudar alguma coisa.

E olha que a apresentação, apesar de manjada, começou muito bem com First of the Gang to Die e You Have Killed Me, e foi assim até Still Ill, a primeira de sua antiga banda. Claro, é maravilhoso ver um ídolo de sua adolescência cantando uma canção de uma de suas bandas favoritas, mas os Smiths têm músicas muito mais representativas na carreira. Ok, esse ato “falho” é deixado em segundo plano já que,  logo na sequência, ele levou muita gente às lágrimas com Everyday is Like Sunday.

Tudo continuava bem para esse senhor de 52 anos, mas não para a plateia. O som dos instrumentos, que saia das caixas, estava abafado e baixo. O palco, baixo, impedia que os mais baixinhos vissem qualquer coisa e, para ajudar, os telões ficaram desligados, ninguém sabe se por ordem de Morrissey ou por alguma falha técnica. E, para terminar, uma caixa do lado esquerdo do palco estava estourada, deixando claro que o bardo merecia se apresentar em um lugar melhor.

E o show continua, intercalando canções conhecidas de sua carreira solo, com outras que apenas os fãs mais radicais saberiam cantar inteira. Então chega Meat Is Murder, a segunda de sua antiga banda a ser apresentada, com seu discurso vegetariano e imagens fortes no telão no fundo do palco, mostrando as diversas formas de se matar um animal.  Nesse momento os bares da casa ficaram lotados, não pelo tema da canção, mas por ser uma das mais desconhecidas da carreira da banda, apesar de dar nome ao álbum.

Passada a dor de Meat is Murder, o show se encaminha para o final e Morrissey mostra ser um grande baladeiro com I Know It’s Over e a maravilhosa There is a Light That Never Goes Out, que abriu caminho para I’m Throwing My Arms Around Paris.

Claro que todo mundo sabia o que viria depois, mas a comoção foi enorme quando os primeiros acordes de Please, Please, Please Let Me Get What I Want começaram. E a casa só não veio abaixo com How Soon is Now? porque a banda conseguiu estragar o arranjo maravilhoso que um dia foi criado por Johnny Marr. Depois disso, nem precisava voltar para o bis com a fraquinha One Day Goodbye Will Be Farewell.

Morrissey, assim como diversas bandas que, por bem ou por mal, dependem de seus sucessos antigos para levantar o público, pecou ao não mudar o set list de suas apresentações brasileiras. Como disse antes, todos sabiam exatamente o que ele iria cantar e esse fator surpresa criou um show previsível e que o público sabia até quando o cantor iria fazer uma pausa para falar o quanto amava São Paulo, ou para criticar a monarquia britânica – imaginem a loucura que seria se Morrissey resolvesse colocar The Queen is Dead logo depois de pedir o fim das ditaduras.

Do mesmo jeito, tanto sua carreira solo, como os tempos com os Smiths, renderam canções mais fortes que algumas do set list tocado a exaustão na turnê pela América do Sul, como Irish Blood, English Heart, I Have Forgiven Jesus e Something is Squeezing My Skull, sem falar no seu primeiro sucesso solo (Suedehead).

Foi um bom show? Claro. Poderia ser melhor?  Sem a menor dúvida

Mais fotos aqui.

Fotos por Stephan Solon/Divulgação

Set List

1– “First of the gang to die“
2– “You have killed me“
3– “Black cloud“
4– “When last I spoke to Carol“
5– “Alma matters“
6– “Still ill“
7– “Everyday is like sunday“
8– “Speedway“
9– “You’re the one for me, fatty“
10– “I will see you in far off places“
11– “Meat is murder“
12– “Ouija board, ouija board“
13– “I know it’s over“
14– “Let me kyss your chords“
15– “There is a light that never goes out“
16– “I’m throwing my arms around Paris“
17– “Please, please, please let me get what I want“
18– “How soon is now?
“Bis: “One day goodbye will be farewell”

 

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