Violeta de Outono - 14/08/2011

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O Violeta de Outono é, talvez, uma das bandas mais singulares do rock nacional dos anos 1980. Totalmente fora do seu tempo, o grupo não era punk, não era pop, não era new wave e muito menos metal, ainda assim fez sucesso, relativo é claro, mas inegável.
 
 
Seu primeiro álbum, homônimo e lançado em 1987, é um dos clássicos do nosso rock, exatamente por não seguir os estilos da moda, mas apostar do velho – pra não dizermos, datado – rock progressivo, apesar de muita gente catalogar a banda como gótica..

Claro, que para um bando de moleques que estavam descobrindo o rock naquela época, o som do Violeta era moderno e perfeito para inferninhos como Madame Satã e Retrô, mal sabiam que era totalmente calcado nos primeiros álbuns do Pink Floyd. Banda de velhos, dizíamos naqueles tempos.
 
E ainda tocava na 89FM, na época que a rádio era rock “de verdade” e fazia a cabeça da juventude recém saída da ditadura e que tinha “acesso” a bandas como Smiths, Echo, Cure, U2, entre dezenas de outras bem menos famosas. Mas o Violeta de Outono, como bem lembra Sérgio Martins, no release do projeto Álbum, do SESC Belenzinho, era a frente do seu tempo, afinal bebeu nas mesmas fontes de gente como Radiohead e Flaming Lips.
 
Além de Pink Floyd, o Violeta “chupinhava” melodias dos Beatles, Byrds, pra não falar em Gong, Can e Caravan. E as letras? Tão etéreas, muitas sem sentido, quanto as viagens da guitarra de Fábio Golfetti, maravilhosamente acompanhadas pelo baixo de Ângelo Pastorello e a bateria de Cláudio Souza, que há um bom tempo não fazem parte da formação da banda.
 
Foi exatamente seu álbum de estreia o homenageado pelo projeto Álbum, que resgata um disco importante da música brasileira, que é interpretado na íntegra nos palcos do SESC.
 
Violeta de Outono, o álbum, é um conjunto de canções que precisam ser acompanhadas com atenção, para não perdermos nenhum solo de guitarra, levada de bateria ou linha de baixo cadenciada. E foi exatamente isso que tivemos na noite deste domingo, dia 14 de agosto.
 
A apresentação começou com a canções um pouco mais antigas, Trópico e Reflexos da Noite, lançadas em 1986, pela Wop Bop, duas lindas canções que ficaram de fora do álbum de estreia do grupo, lançado dois anos depois. Na seqüência, as oito faixas que fizeram parte do disco original e no bis, duas canções do último trabalho da banda, o Volume 7.
 
Se você acompanhava a banda, mas não via um show deles há algum tempo, a novidade era o tecladista Fernando Cardoso, que acompanha o grupo desde o lançamento de Volume 7. E é exatamente esse quatro integrante que, nas canções antigas, parece estar sobrando.
 
Os arranjos originais eram perfeitos apenas com baixo, guitarra e bateria e tinha toda uma atmosfera que fazia dos teclados algo dispensável. Por isso, em alguns momentos, o órgão Hammond e, principalmente as passagens de piano, atrapalhavam quem queria, simplesmente, lembrar dos arranjos como eles eram, sim, porque, com exceção do quarto instrumento, todos se mantiveram iguais.
 
Mas essa é apenas a opinião de um fã metido a purista, que não gosta quando seus ídolos fazem mudanças em arranjos clássicos. Ou seja, estou sendo realmente chato. O show foi bom e cumpriu com o prometido. Melhor impossível. Ouvir a versão de Tomorrow Never Knows, talvez a melhor versão já feita para essa canção dos Beatles, não tem preço – plagiando a propaganda de cartão de crédito.
 
Para terminar apenas uma curiosidade. Na saída do teatro, fãs desesperados pelo último DVD do grupo, com um show gravado no Theatro Municipal de São Paulo, em 2009.

Mais fotos aqui.
 
Fotos por Valdir Antonelli
 
Set List
Outono
Trópico
Reflexos da Noite
Declínio de Maio
Faces
Luz
Retorno
Dia Eterno
Noturno Deserto
Sombras Flutuantes
Tomorrow Never Knows
Sombas Flutuantes
Além do Sol
Em Cada Instante

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