The Killers - 21/11/2009

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Sábado de chuva, o que já não é um bom pretexto para show ao ar livre, Chácara do Jockey, talvez o local para shows mais distante de tudo em São Paulo. Junte-se a esses dois ingredientes ao fato da pista ser um grande gramado cercado por terra, resultado: barro e poças para todos os lados. Mas, se deixarmos isso de lado, a apresentação dos norte-americanos do Killers foi quase perfeita, pena ter sido muito curta.

Um dos maiores nomes do pop/rock deste começo de século, o quarteto de Las Vegas, ao contrário do que rolou no TIM Festival, quando o grupo atrasou "apenas" três horas para subir ao palco, atrasou apenas 15 minutos para subir ao palco. Se isso pegou muita gente de surpresa e ainda do lado de fora da Chácara, por outro lado fez a festa de quem já estava lá dentro desde cedo, debaixo de chuva. Mas foi impagável ver centenas de fãs correndo por uma ladeira enlameada na esperança de chegar a "pista" sem ter perdido muita coisa. Enquanto isso, eu dava uma longa volta no quarteirão para encontrar a entrada para imprensa.

Os 12 mil fãs não devem ter acreditado quando, logo na terceira canção, o Killers solta Somebody Told Me, seu maior hit - e que para muitos deveria fechar a apresentação. Mais correria do lado de fora, pessoas "xingando" a banda por ter começado cedo, mas cantando ao mesmo tempo enquanto também tentavam achar a entrada para as pistas. Para os fãs da banda, um início simplesmente sensacional. Human, seguida da calminha This is Your Life e Somebody Told Me. Três canções, uma de cada álbum de inéditas lançado pela banda.

E mesmo com apenas três discos lançados, a banda mostrou ter mais hits que muita gente "grande". Das 18 canções do set, 16 eram totalmente conhecidas dos fãs e apenas duas, as covers: Shadowplay, do Joy Division, quase irreconhecível, e um trechinho de Can't Help Falling in Love, que dispensa apresentações, apareceram como intrusas.

Finalmente dentro da Chácara, atravesso o lamaçal sob os acordes de For Reasons Unknown, do álbum Sam's Town, e chego à pista no comecinho de Bones. Palco distante, pista razoavelmente vazia, e vários fãs mais chapados brincando na lama e sujando quem tentava, em vão, sair ileso da guerra. Tudo bem, tudo contribuía para o clima de festa - até mesmo os preços das bebidas não estava tão absurdo -, principalmente o set apresentado por aqui, que ainda teve Smile Like You Mean It, não apresentada em nenhum outro show da turnê latino-americana, não deixandp tempo para os fãs respirarem.

Outra coisa que ficou clara durante a apresentação, se Brandon Flowers interpreta cada canção com se encarnasse um personagem, seus colegas de banda "apenas" criam a base para sua performance, mas conseguem pegar canções relativamente fracas, como Human, Joy Ride e Spaceman - antes que me xinguem, gosto do último álbum da banda - e transformá-las em épicos, mas são os hits "antigos" que chamam atenção e realmente colocam o povo pra dançar e cantar.

Tudo soa grandioso, até mesmo quando Flowers erra a mão e desafina ao piano na versão calminha de Human. Os sintetizadores, marca registrada do som do Killers, literalmente gritam durante o show - até por estarem um pouquinho mais altos que os demais instrumentos. O palco, com palmeiras no fundo e um grande K a frente, estranhamente apagado durante toda a apresentação, é o mesmo que aparece no DVD Live From The Royal Albert Hall, os efeitos também, assim como a chuva de papel, em All These Things I've Done, enquanto o público entoa o refrão I got soul, but I'm not a soldier. Totalmente previsível, já que os canhões estavam "mal" disfarçados na frente do palco, mas aquelas "chamas"... bom, melhor seria não terem feito nada.

Pequena pausa para o bis que conta com apenas duas músicas: Jenny Was a Friend of Mine e When You Were Young. Assim, com pouco mais de uma hora e meia de show, o quarteto - que contou com um guitarrista/tecladista de apoio, violinista e saxofonista - se despede do público paulistano, que esperava por um segundo bis que não veio. Mas tenho que destacar a linha de baixo em Bling (Confession of a King) e Jenny Was a Friend of Mine, simplesmente maravilhosa.

Uma coisa ficou certa, essa segunda apresentação do Killers no Brasil foi muito melhor que a anterior. Mesmo se comunicando pouco com o público - Flowers pelo menos comentou que os fãs eram corajosos por estarem ali debaixo de chuva - a banda fez um show competente e com boas chances de entrar na lista dos melhores do ano. Pra mim, a única certeza é nunca mais voltar para a Chácara do Jockey quando a previsão do tempo indicar chuva. Apesar disso, creio que as 12 mil pessoas que curtiram a apresentação voltaram pra casa satisfeitas, sujas, mas totalmente satisfeitas.

Mais fotos aqui. (Fotos: Divulgação)

Set list
"Human"
"This Is Your Life"
"Somebody Told Me"
"For Reasons Unknown"
"Bones"
"The World We Live In"
"Joy Ride"
"Human" (versão no piano)
"Bling (Confession of a King)"
"Shadowplay" (Joy Division)
"Smile Like You Mean It"
"Spaceman"
"A Dustland Fairytale"
"Can't Help Falling in Love" (cover de Elvis Presley)
"Read My Mind"
"Mr. Brightside"
"All These Things That I've Done"
(bis)
"Jenny Was A Friend Of Mine"
"When You Were Young"

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