Discos Essenciais
Já faz mais de quinze anos que Paulo Ricardo de Medeiros batalha ferozmente para apagar da história o momento histórico que viveu ao lado de Luiz Schiavon (teclados), Fernando Deluqui (guitarra) e Paulo Pagni (bateria) nos anos 80, quando o quarteto conhecido como RPM viveu dias de beatlemania em terras brasileiras com direito a recordes de vendas, edição especial do Globo Repórter e até álbum de figurinhas inspirado no grupo.
A Blitz é um dos nomes mais importantes do nosso rock, não importa se você gosta ou não, se as músicas são boas ou não, ou se você não vai com a cara do Evandro Mesquita. Boa parte da ´culpa´ pelo estouro do rock brasileiro nos anos 80 deve-se ao sucesso gigantesco de Você Não Soube Me Amar e do grande sucesso do LP, na época sequer pensava-se em CD, As Aventuras da Blitz, disquinho que volta e meia você encontra em alguma liquidação de hipermercado. É inegável o valor histórico do material, mas analisando hoje, dificilmente o trabalho do grupo faria a cabeça da molecadinha mais a fim de ouvir emo.
Sofisticado e eletrônico, estas duas palavras resumem bem o segundo disco da banda lançado em 1998 pela gravadora Warner Music. Os arranjos característicos que consagraram o grupo estão presentes em todas as faixas, misturando estalos, sons inusitados e até bateria eletrônica.
Não podemos falar que é um disco bem produzido, não é. Não temos o direito de falar que é um disco pop, não é, mesmo que tenha música tocando em rádio e em baladas da moda. Muito menos podemos falar que é o melhor disco de punk rock em português. E, sinceramente, duvido que o pessoal do Garotos Podres esteja ligando pra isso, principalmente por não ter ganhado grande coisa com o sucesso de Mais Podres do que Nunca, disco que, graças a uma dessas coisas estranhas que cercam a música brasileira, fez relativo sucesso por volta de 1985.
Se você gosta de alguma dessas novas bandas que surgiram na virada do século, então deve saber que nenhuma delas, ou quase nenhuma, estaria viva se não fosse pelo pop feito por Morrissey, Marr, Rourke e Mike Joyce, o quarteto por trás do nome Smiths. Sim, a banda foi extremamente importante, e até arriscamos dizer que foi uma das últimas a inovar e, por que não, revolucionar a forma que o pop foi feito após o término do grupo. Por mais que as novas bandas não tenham Morrissey e Marr entre suas maiores influências, basta prestar um pouquinho mais de atenção às letras e, principalmente, aos arranjos de guitarra, para percebermos um toque real dos Smiths.
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Opinião 

