The Smiths - The Queen is Dead

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divulgaçãoQualquer um dos quatro discos dos Smiths, cinco se contarmos com Hatfull of Hollow, podem ser considerados importantes para a história do rock, mas o consenso, entre fãs e críticos, é em relação a The Queen is Dead, álbum que levou os Smiths ao estrelato e, indiretamente, contribuiu para o fim do 
grupo. A obra-prima dos Smiths foi lançada em 1986, e carregada pelo hit The Boy With the Torn in His Side - o primeiro clipe da banda. O álbum é uma tradução do trabalho dos Smiths até então. As guitarras de Marr estão mais afiadas e criativas e as letras de Morrissey cada vez mais cínicas e criticas em relação à sociedade britânica, principalmente a realeza e à imprensa.

Criativamente, é possível dizer, The Queen is Dead é o disco mais completo do grupo, enquanto mantém o humor negro e mordaz de Morrissey consegue ser o mais pop trabalho da banda. Além de The Boy With... várias outras canções fizeram sucesso nas rádios, desde a faixa título, com seus hipnóticos 6 minutos e 24 segundos, passando por Bigmouth Strikes Again - uma leve autocrítica -, as lindas I Know It´s Over (uma singela carta escrita para a mãe de Morrissey) e There Is a Light That Never Goes Out.  Até mesmo faixas ´menores´ como Vicar in a Tutu e Some Girls are Big Than Others faziam sua parte em baladas alternativas. Um álbum completo, que tanto podia fazer a cabeça do ouvinte da Jovem Pan 2, como do frequentador do Anny 44 - inferninho paulistano.

The Queen is Dead é um disco completo, sua capa dupla - do LP é claro -, com uma foto clássica de Alan Delon, tirada em 1965, no qual o ator parecia estar morto, batia com perfeição às levadas depressivas e ao mesmo tempo dançantes do trabalho. Morrissey mostra-se muito mais que um simples vocalista e letrista, sua personalidade transborda das 10 faixas do trabalho, deixando os poucos detratores achando-o cada vez mais egocêntrico e mal-humorado, o que era apenas uma faceta para a timidez exacerbada do cantor - hoje o velho Moz deixou a timidez de lado e abraçou de vez o egocentrismo, mas verdade seja dita, é um dos poucos nomes da música mundial que podem ser assim - e que ajudou a milhares (?) de outros tímidos a usarem a música como veículo para falarem de seus problemas. Nada mal para quem foi eleito pelo jornal The Guardian como o maior inglês vivo, graças às letras com qualidade muito acima das feitas por bandas até mais conhecidas - o pior é que até hoje é dura a comparação entre Smiths e as novas bandas.

Marr, com seus arranjos criativamente minimalistas nos primeiros discos dos Smiths, em The Queen is Dead ´extrapola´  no entrelaçamento de guitarras e violões (de acordo com entrevista do guitarrista à revista Bizz em 1987), algo comum no trabalho da banda, mas que ganha ares épicos neste trabalho, e sem a necessidade de criar solos de guitarra que poderiam soar deslocados e que deixavam o trabalho de Mike Joyce e Andy Rourke cada vez menos representativo.

Aí chegamos a um ponto de discórdia, será que os Smiths seriam o que são hoje, mesmo com a curtíssima carreira e apenas quatro álbuns lançados, se não tivessem contado com Mike Joyce e Andy Rourke? Os fãs de Morrissey e Marr dirão que o trabalho do baixista e do baterista poderia ter sido feito por qualquer outro músico contratado, devido a simplicidade dos arranjos destes instrumentos. O certo é que a música feita pelos Smiths exigia que os arranjos de baixo e bateria fossem simples, mesmo o trabalho de Marr, até o lançamento de The Queen is Dead, era de uma simplicidade impar, ainda que extraísse notas belíssimas de sua guitarra. Se não houvesse simplicidade nestas bases, dificilmente Johnny Marr teria espaço para criar suas passagens luminosas de guitarra.

Copiados por várias bandas nestas últimas duas décadas, o trabalho dos Smiths continua assustadoramente atual, principalmente ao ouvirmos artistas da nova geração pop/roqueira do século 21. Mas a realidade é que a verdadeira boa música jamais será esquecida e é possível que daqui a 100 anos alguém esteja ouvindo este mesmo disco e escrevendo as mesmas coisas para justificar a importância de Morrissey, Marr, Rourke e Joyce para a história da música mundial.

Por Valdir Antonelli

 

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