Supertramp - Crime of the Century
Written by Aroldo Glomb Monday, 27 June 2005 21:00
Lançado
em 1974, o disco apresenta melodia e técnica em todas as faixas. Um
rock progressivo BEM diferente dos convencionais da época e BEM
diferente do som comercial que a banda proporcionou na década seguinte.
School começa com a harmônica do grande Richard Davies, a ´voz´ do
conjunto, que ataca e muito bem com os seus teclados alucinados. O solo
de piano desta primeira canção é empolgante, com o guitarrista Roger
Hodgson mandando ver no solo de piano (ele fazia as vezes da guitarra e
do clássico instrumento). Há um tempero especial nesta canção, que
prepara terreno para a consagrada Bloody Well Right, com levadas de
jazz desde o início. Tanto que o saxofone magistralmente tocado por
John Anthony Helliwell entra em sintonia com todos os instrumentos. Um
cidadão como esse é uma mão na roda, uma vez que ele tocava tudo o que
tivesse paleta de sopro, desde o sax até clarinetes. O riff de
guitarra é bem pesado, mas não entra em atrito com a melodia jazzística
da canção. Perfeito até agora, não é?
E
fica melhor ainda (espero que você esteja acompanhando esta resenha com
o CD rodando no seu som), pois Hide In Your Shell é a melhor do disco.
Mesma fórmula, mesma competência! Aqui já se justifica a inclusão desde
Crime of the Century ao lado de tantas outras bandas. Que refrão
magnífico esse! A batida da batera é perfeita e a musica ganha ares
especiais. Bob Benberg participa de maneira decisiva para que o brilho
de Davies surja mais destacado. É desnecessário falar aqui da
importância de Helliwell (ao lado do vocalista/tecladista, a
personificação do Supertamp). Precisa falar também que Benberg ataca
na percussão nos momentos certos? É o ponto alto mesmo, até mesmo
quando a canção chega no minuto final (ai é que a emoção entra mais
forte).
Asylun
começa com Hodson nos pianos, a marca registrada do conjunto. Muito
bela esta daqui, muito mesmo. Mas MUITO boa, por que ela vem crescendo
até o ´orgasmo´ sonoro dos dois refrões (sim, são dois diferentes, um
após o outro). Dougie Thomson é o baixista que segura as pontas, e aqui
podemos escutar o pulso forte e firme das suas quatro cordas para que
os sintetizadores e tudo mais façam a festa.
A
próxima música é a também famosa Dreamer (a mais curta do disco, com
três minutos e meio). O sucesso radiofônico dessa aqui não a desmereçe
em nada. Principalmente pelo dueto entre as vozes que cantam aqui. Um
belo trabalho progressivo digno de uma música do Yes, porém mais direto
ao assunto. A batera se mostra técnica ao extremo, bem como os teclados
(teclados, sintetizadores, etc...). O piano corrido que segue é Rudy.
Uma balada (mais uma, não é?) Aqui, o solo de sax a lá dança romântica
se mistura com os sons tenebrosos dos sintetizadores. Um clima macabro
e delicioso a cada segundo. É bem verdade que tem uma parte na
música, lá pelos quatro minutos e meio, que a canção adquire um som
bem típico dos anos setenta, mesmo com a onda disco music ainda por
vir, mas quem se importa com isso agora? É soberbo escutar a fusão
sonora desta pérola, principalmente com o final um pouco dramático.
If
Everyone Was Listing é mais uma (mais uma?) balada. Que fique bem
claro: uma balada progressiva e cheia de virtuosismo com muita
criatividade. Cativante mesmo. O clarinete afasta qualquer
probabilidade de mesmice na canção com Helliwell, de novo, dando o seu
show particular no sopro.
Se
alguém ainda duvida do poderio musical deste disco, ou mesmo desse
quinteto, basta checar o que acontece na última faixa. Intitulada com
o nome deste trabalho, Crime of The Century começa bem. Dramático e
espacial em sua introdução com o piano, explodindo como bombas quando
entram os demais instrumentos para, em seguida, dar prosseguimento ao
turbilhão auditivo. Um solo de guitarra, com o já citado pianinho
matador mandando ver, em um ritmo cadenciado com a bateria. Meio
paranóico e TOTALMENTE minimalístico. Entram teclados com sonoridade de
violinos e o saxofone na seqüência .O prazer está garantido aos ouvidos.
Como disse antes, o melhor a fazer é escutar este disco. Qualquer tentativa de convencer apenas com palavras será apenas... uma tentativa! Supertramp já está no lugar mais alto do pódio da historia do rock dos anos setenta, queiram alguns ou não.
Por Aroldo Glomb

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