PJ Harvey - Stories from the city...

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divulgaçãoPolly Jean Harvey, então, retornava feliz (das trevas, diriam alguns) deixando para traz as experimentações que marcaram seu álbum anterior, Is this Desire?, e se apoiando com joelhos, cotovelos e voz gritada em rocks ultra-básicos. Resumindo: barulho e letras que valem a pena.

Logo de cara, na lata, Stories From The City, Stories From The Sea já vale a pena. É Big Exit, faixa 1, rock dos bons. Uma guitarra limpa e ruidosa carrega a voz de Polly que clama por uma pistola, tentando entender o sofrimento humano. [I wanna pistol/ In my hand/ I wanna go to/ A different land]. Sua Fender Telecaster 1967 soa raivosa, como alguém que range os dentes, mais por proteção que por ataque. 

O álbum foi gravado em Dorset na Inglaterra e em Nova York, nos Estados Unidos. Essas são as histórias da cidade e as histórias do mar que PJ vem nos contar. PJ vive, desde o nascimento (ela está com 31 anos) em Dorset, cidade inglesa beira-mar em que nada acontece além das ondas quebrarem na praia. Quando começou a preparar o repertório para o novo álbum sentiu que as canções estavam com muito clima de maresia. A saída foi um refúgio em Nova York, contraponto perfeito. A escolha reflete no clima do álbum, que fica entre asfalto e água, entre peixes e ratos, entre barulhos de sirenes e ondas que se quebram em rochas, entre helicópteros e pássaros. Sobre tudo isso a bela voz de Polly Jean Harvey cantando com as unhas no coração do ouvinte. 

O principal reflexo de Stories é que parece que o mundo começou a sorrir para Polly. Nada parece confirmar os boatos de que ela, que ficou dois anos sem gravar, estivesse drogada, anoréxica, louca. Se esteve já faz parte do passado. 

Agora cavalos estão livres em seus sonhos (Horses In My Dreams) e ela até se sente à vontade para destilar poesia suave em baladas lentas. Eu acho o disco feliz. Ela, em entrevistas, diz que feliz é exagerado demais. Prefere o termo positivo.

Em Good Fortune diz que sente a inocência de uma criança e na seguinte (A Place Called Home) até acredita que, com seu amor, achará um lugar de esperança. Em One Line declama, sobre o backing de Thon Yorke do Radiohead (que toca teclado em outra e canta This is Mess We´re In), ´And I draw a line/ To your heart today/ To your heart from mine/ A line to keep us safe´. O amor. O amor que é segredo sujo em This Is Love e que a faz flutuar em We Float, faixa que encerra um álbum matador.

O mundo pop tem dessas coisas. Mulheres que fazem a gente sonhar e mudar tudo de uma outra para outra.

Marcelo Costa é editor do site Scream & Yell

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