King Crimson - In The Court Of...
Written by Aroldo Glomb Tuesday, 31 May 2005 21:00
A
primeira faixa tem um nome tão longo quanto a sua qualidade. 21ST
CENTURY SCHIZOID MAN including MIRROS abre o disco com naipes de metais
arrebatadores. A loucura começa bem ai, quando o ouvinte menos
informado pensa que esta diante de um disco de rock simples, com
influência de jazz somente. E até que está certo, mas a voz de Greg
Lake aparece cavernosa, como uma paranóia interna que insiste em
martelar a cabeça de que esta do outro lado dos auto-falantes. A
guitarra de Robert Fripp e a técnica desta primeira canção é
excepcional e chega a ser um ponta-pé na porta do cenário mundial. Greg
Lake destila talento nos vocais e no baixo (no ano seguinte, ele
formaria uma máquina sonora chamada Emerson Lake and Palmer) e a sua
suave voz no segundo número, intitulado I TALK TO THE WIND, é um
contraponto sonoro com a loucura da entrada. Acompanhados por flautas
transversais, esta tocante canção pode ser considerada uma das mais
lindas baladas do rock, ainda mais se prestarmos atenção em Michael
Giles nas baquetas. Ah!.. já falei que ainda estamos na segunda música?
Acreditem quando afirmo que esta é uma das melhores entradas de álbum de todos os tempos, até mesmo por que as duas primeiras canções não têm ligação entre elas (mas se combinam como café e leite). A surpresa não para por ai, pois EPITAPH including MARCH FOR NO REASON and TOMORROW AND TOMORROW (É… não temos um nome aqui , mas uma frase inteira como título) aparece e continua o disco com uma linha progressiva bem ´estilosa´. A marca da banda sempre foi o som anti-comercial, e aqui temos quase nove minutos de sobressaltos, que variam entre passagens de orquestrações, com violões clássicos ao melhor estilo Deep Purple da fase anos ´sessenta´ (quando gravaram Anthen e o famoso concerto de banda e orquestra). Giles e Fripp se mostram bem declinados ao virtuosismo puro, mas sem perder a linha. O interessante é que Fripp NÃO É VIRTUOSO, mas sim um grande instrumentista preocupado com a qualidade. O disco estava indo de bom para melhor, nesta altura do campeonato.
E a coisa começa a tomar forma e conteúdo em outra melodia que também ganhou um nome gigante: MOONCHILD including THE DREAM and THE ILUSION começa super bem, com os sintetizadores e moogs de Ian McDonald criando o anticlímax ao lado das linhas acústicas de Fripp e Lake na primeira parte. Tocante, porém sinistra ao ponto em que a segunda fase entra em ação. É ai que a coisa foge um pouco do seu rumo (para muitos, essa parte é genial). Mas, na verdade, a tentativa de art-music (bem sucedida com a banda Van der Graff Generator) se perde aqui e o ouvinte tem uma algo totalmente desconexx e parado. Não falo em termos técnicos, que isso fique bem claro, mas sim como alguém que se assustou e se admirou com as primeiras faixas deste trabalho.
Bem...
Bem...
BEM! O ponto realmente alto está chegando, após alguns minutos de experimentalismo. A canção título THE COURT OF THE CRIMSON KING including THE RETURN OF THE FIRE WITCH and THE DANCE OF THE PUPPETS (Ufa!) é a melhor coisa que já foi produzida, em se tratando de rock progressivo!
Começa bem, com backing vocals e com teclados atingindo o máximo da melodia. Partes acústicas e a voz de Lake criam uma verdadeira parede musical. Os solos espalhados de instrumentos de sopro (uma flauta mágica mesmo) e cordas ao longo da pérola em questão, fazem desta o cartão de visitas mais trabalhado em um disco de estréia de uma banda na historia. No final, um falso começo toma conta, com variações sobre os moogs, teclados e afins...Perfeito, mesmo, seria estar lá na hora da gravação.
A banda nunca se rendeu aos modismos ao longo dos anos, isso é verdade, mas o som passou por muitas transformações até os dias atuais. Fripp manda e desmanda naquela que é a sua banda ´ego´ que, apesar de nunca ter seguido as ondas, mudou muito o som que assombrou o mundo neste disco de 1967. Mas, o que isso importa agora? O disco de estréia deles está aí para quem quiser escutar boa música.
E reafirmo: boa música MESMO!
Uma
observação apenas: No final dos créditos do disco, aparece Peter
Sinfield como o responsável por ´palavras e iluminação´. Como eu disse
lá no começo, loucura típica dos anos sessenta...
Por Aroldo Glomb

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