Judas Priest - Sin After Sin

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divulgaçãoMas o fato deles terem começado bem antes das demais bandas apenas ajudou a carreira do grupo. Sin After Sin, original de 1977, mostrava  a banda ainda como quarteto, com Glenn Triton nas seis cordas ao lado de K.K. Downing, Ian Hill no baixo e Robert Halford à frente, com microfones em punho (a bateria ficou com Simmon Philips, ´extra oficialmente´). O primeiro petardo é Sinner, bem na linha Heavy Metal direto, com vocais magníficos de Rob que o consagrariam como uma das vozes mais marcantes do rock. Você sabe do que eu estou falando: riff certeiro, guitarras com solos marcantes e característicos, cozinha firme e um novo modo de encarar o rock mundial. Basta lembrar que o punk estava chegando com força e que para concorrer com este novo estilo as bandas precisavam fugir um pouco do progressivo que dominava a época. Os timbres dos instrumentos estavam acertados da silva (Roger Glover, consagrado baixista do Deep Purple, foi o produtor desta bolachinha). Sinner, a primeira bomba, é só  o começo deste que  é uma amostra do poderio do Judas.

O desfile passa ainda pela cativante Diamonds and Dust e a sua linha discreta de baixo, feita por Hill, preparando terreno para o solo certeiro de Triton. Mas quando começa a bateria de Starbreaker é que a sonoridade metálica dos anos 80 aparece mais claramente, mesmo aqui, em meados da década anterior. O refrão é perfeito e gruda feito piche na sola do sapato. Essa é uma daquelas canções com direito a solo de guitarra no melhor estilo do gênero, com dobro no som (ou guitarras gêmeas, escolha você a definição que melhor te parece) e aquele clima de headbanger. 

A baladinha Last Rose of Summer bem que poderia aparecer em uma daquelas coletâneas de Rock Baladas que é vendida na TV. Meio clichê, mas boa o suficiente para a uma platéia arrancar o isqueiro do bolso e acender em um show. Um momento interessante, como todas as canções de ´amor´ deste tipo de banda. Acreditem, mesmo previsível a canção mostra uma certa força ingênua e sem nenhum apelo comercial (que ela poderia ter, como nas canções açucaradas e insossas que o Bon Jovi faria anos mais tarde, por exemplo). Eles acertaram até neste ponto!

Lest Us Prey/Call For The Priest é uma música (ou duas, sei lá) acelerada mesmo! Paulada na cabeça de maneira absolutamente digna. Vale destacar o solo, que é tocado de maneira lenta enquanto o fundo continua firme a toda velocidade. O outro solo, no  final, é um bom exemplo de como a década de setenta serviu como inspiração total para as bandas que viriam logo após. Particularmente, a melhor faixa do disco e  a melhor levada da dupla Triton e Downing. Rob, é verdade, ainda estava se ´soltando´ nos vocais, mas apesar de ainda não mandar ver nos agudos característicos, impressiona a capacidade que este rapaz já tinha naqueles tempos.

Mais outro riff, agora entra a Raw Deal. Ah... uma dádiva para quem gosta de música pesada! A mais cadenciada deste Sin After Sin, sem sombras de duvida, e mesmo assim uma música forte e com pegada. 

Mas, será que eles sabiam o que significava aquele instante? Será que eles tinham consciência de que muitos outros garotos estavam se inspirando neles e no novo som que eles estavam mostrando para  o universo roqueiro? Será que  o Peru realmente entregou o jogo para a Argentina na Copa do Mundo de 78, eliminando a seleção brasileira? A resposta mais óbvia para todas estas perguntas só pode ser SIM!

Here Come The Tears mostra bem que eles não estavam apenas fazendo experiências no estúdio. Não é possível que a dramaticidade desta aqui não tenha influenciado Remenber Tomorrow, do Iron, ou mesmo os sons mais arrastados em algumas músicas do Metallica! Um tom cavernoso surge das sombras enquanto  música ruma para os segundos finais...precedendo Dissident Agressor e o vigor de uma banda que estava mostrando para que veio. Rob começava a soltar mais a voz aqui e a quebradeira no ritmo surge enquanto Philips desmonta  o seu kit lá atrás para as linhas de frente atacarem.  

Estava pronto o cartão de visitas dos anos oitenta, três anos antes! Sin After Sin, apesar da sua sonoridade, agrada também aos ouvidos mais puristas que apreciam apenas os sons mais tradicionais de lendas como Led Zeppelin ou Black  Sabbath ( o disco apresenta uma sonoridade bem intermediária entre as duas décadas). 

Rob Halford estava apenas despontando, a dupla de guitarristas já estava super máster mega bem afinada e o padre Judas começava a pregar  na igreja do metal com os seus versículos inspiradíssimos.
 
PS. Um ano depois, na Copa do Mundo de 78, realmente o Peru entregou o jogo para a Argentina.
               
Por Aroldo Glomb               

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