Eric Clapton - Slowhand

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divulgaçãoSendo o fio condutor de bandas como Yardbirds e Cream naquela década, Eric Clapton construiu uma carreira sólida nos anos seguintes. A escolha de um disco do ´Deus da Guitarra´ não é tão óbvia assim. O critério que utilizei  para  chegar ao disco Slow Hand (Mão Lenta, outro apelido adquirido pela maneira de tocar do nosso personagem, caracterizada pela palhetada de cima para baixo, como deveria ser tocado o blues para ele), de 77, não se deve apenas música de abertura, a consagradíssima Cocaine, composta por J.J. Cale e marcada pelo ritmo contagiante, com solos discretos e eficientes. Também não posso afirmar que a lindíssima balada Wonderful Tonight foi determinante para a escolha deste magnífico trabalho do guitarrista, mesmo tendo um belo dueto com voz feminina (Mercy Levy) e deliciosos dedilhados das seis cordas em perfeita comunhão com o som agradável do órgão.

Também estaria mentindo, se escrevesse aqui para vocês, que o tema ´country´ da terceira música Lay Down Sally, também com o apoio da voz feminina em contraste à voz quase distraída do ´mestre´, se tornou o fio condutor da minha escolha, já que a mistura de rock com o estilo meio caipira ocorre sem maiores traumas e o CD (ou LP, veja  o que você tem ai) fica extremamente rico em diversidade musical. Ah... amigos, isso seria uma blasfêmia da minha parte!

Agora, se alguém afirmar que a minha escolha se deu por conta da melhor faixa de todo este trabalho, Next Time You See Her, então posso dizer que... está errado! Apesar desta canção mostrar que a banda de apoio de Clapton estava no mesmo nível (piano, teclados, baixo, bateria...tudo mesmo) e a palhetada do ´homem´ mantinha o patamar de qualidade tanto no solo (linear e preciso) quanto no acompanhamento acústico (sem palavras), essa música ainda não justifica Slow Hand como uma das antigas novidades.

O sossego que toma conta do ambiente na We´re All The Way, uma balada bem curtinha, porém cumpridora de suas obrigações, associado a The Core  e o seu ritmo frenético que acelera qualquer bar de rock clássico que se preze, também não juntam provas definitivas para apontar este disco como digno de estar ao lado de Revolver, dos Beatles, ou mesmo o primeiro disco do Lynyrd Skynyd. Aliás, grande surpresa escutar The Core, é a possibilidade se apaixonar por este petardo em especial. O solo de saxofone, zumbindo de maneira selvagem, serve com o aperitivo para que Clapton mostre aos simples mortais como se faz um solo com feeling total! Mais uma vez,  Levy solta a voz de maneira ... excitante, digamos assim.

May You Never é uma canção um pouco abaixo das demais, porém muito boa para ser descartada simplesmente. A parte acústica dita  o ritmo e temos mais uma canção legal. Claro, nada que se compare à Mean Old Frisco... isso por que Man Old Frisco é um slide blues da pesada mesmo, com sombras e luzes musicais de fazer inveja a qualquer bluesman. Com respeito e autoridade, Eric mostra como é  um cara versátil nesta parte. Meus respeitos para ele, por que segurar um disco tão diversificado com oeste não é para qualquer um. Mas, seria injusto se pregasse que Old Man Frisco é a chave para a minha decisão de resenhar este disco.

Assim como na balada Peaches and Diesel, onde  o riff lento se associa ao choro de uma guitarra de fundo inspirada. Uma canção marcada pelo bom gosto em todas as linhas de todos os instrumentos. Imagina se Eric Clapton deixaria uma canção instrumental ser apenas uma canção instrumental! Han!?!? É escutar pra crer...

Mas... ok, após tudo isso, elogios rasgados para o “Mão Lenta” e tudo mais...e você deve estar se perguntando: “Mas, o que te levou para Slow Hand como o disco do Clapton  para ser resenhado?”

Simples. Tudo isso! Tudo é perfeito. Seria injusto se apontasse uma única música, um único solo ou mesmo uma única passagem.    De tão importante que é Clapton neste disco, reparem que em nenhum momento eu citei especificamente os demais membros da banda (Dick Sims no órgão, Carl Radle no baixo e Jamie Oldaker nas baquetas), todos muito bons por sinal. Apenas a bela voz de Mercy Levy  fora destacada, é verdade, mas isso apenas por que ela teve um grande papel neste discaço.  

Mas, pela perfeição no geral, tive que destacar mesmo...ele.     

Por Aroldo Glomb

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