Doors - Waiting for the Sun

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divulgaçãoO disco tem início com a simpática Hello, I Love You  por onde os sintetizadores de Manzarek passeiam livremente. A banda já tinha passado pela fase inicial, ou seja, o sempre critico início de carreira. Aqui, eles precisavam se afirmar...e conseguiram!

A singela Love Street é mais uma canção que Jim fez para a sua amada Pamela Morison, fonte de inspiração para várias passagens musicalmente interessantes ao longo da curta carreira dos Doors. A batida de Densmore é aconchegante e precisa, mostrando que um grande baterista como ele, acostumado a mandar suas batidas quebradas  inspiradas no Jazz, pode também ser simples e correto. O poema musicado Not to Touch the Earth é uma paranóia constante. Nas guitarras, o que temos é uma vertigem musical que acompanha o monocromático teclado que arrepia ossos e mais ossos deste que vos escreve. O final caótico era marca da banda, sempre presente em canções como The End, e aqui mais uma vez podemos escutar Morrison ensandecido como em um transe. Mágico... mágico... mágico!

Outra balada, feita sob medida para Pamela Morrison, é Summer´s Almost Gone. Mais trabalhada que Love Street, com direito à Densmore mostrando serviço novamente, abrindo caminho para o solo de Krieger que faz a guitarra literalmente chora! Por mais piegas que pareça, as baladas dos Doors sempre foram os pontos altos da banda: emotivas ao extremo. Mas isso não significava que o som era brega, nem nada do gênero,  ao escutar Wintertime Love, uma música com menos de dois minutos de duração, fica fácil entender o que eu disse acima. O som foi feito em cima da batida de uma valsa e mostra que barulho não é a única coisa que o rock sabe produzir com qualidade (isso nunca foi verdade, mas é bom sempre salientar isso...afinal, não custa nada lembrar os ´cabeças fechadas´ que a sonoridade de uma banda de rock pode ser delicada).

A paranóia reaparece em The Unknown Sodier, onde até mesmo uma execução de paredão (ao estilo Fidel Castro) é simulada. A letra ácida de Morrison ataca veementemente a hipocrisia da guerra, mais precisamente aqueles que estavam em casa sossegados, longe do ´front´ assistindo tudo pela TV. A criatividade sempre foi  forte para estes malucos aqui. Uma boa música, que ganhava interpretações teatrais ao vivo. Uma rápida vasculhada nos vídeos da banda ao vivo e isso se comprova.

Spanish Caravan é a hora em que Krieger mostrou toda a sua habilidade na técnica de guitarra flamenca. O som espanhol, tocado em formato acústico, entra em simbiose com o teclado futurista e cria uma clima que remete tanto ao futuro quanto ao passado... Porra, muito boa mesmo, sem palavras para descrever! Tentar colocar isso tudo aqui seria um sacrilégio. Compre o disco, ou empreste de alguém, sei lá...mas escute por si próprio!

My Wild Love é composta apenas por batidas indígenas e vocais de todos da banda... sem outros instrumentos. Morrison acreditava que um espírito indígena invadiu o seu corpo quando ele era criança. Uma música diferente das demais (não só deste disco, mas de toda a discografia da banda). Aqui escutamos coisas estranhas, na minha opinião. Nada contra nenhum tipo de crença, aliás, é apenas uma forma que Jim encontrou de extravasar os seus sentimentos em relação ao que ele acreditava . Musicalmente, não acrescenta muito ao disco, ao contrário da próxima faixa, a fantástica We Could Be So Good Together.

É bom escutar esta música, que tem o mesmo formato das primeiras canções do Doors e serve para mostrar que, apesar das novas inspirações da banda, ainda havia espaço para o que eles já faziam. Eles mostraram nesta We Could Be So Good Together que não haviam esquecido como se faz o serviço de casa. Ah, não mesmo. Uma canção divertida, empolgante, dançante, enigmática...

Yes, The River Knows é outra balada interessante, porém um pouco abaixo das anteriores deste disco. Não estou falando que seja ruim nem nada, apenas que ela perde o brilho se compararmos com Love Street ou Summer´s Almost Gone. Talvez sirva como uma ´tomada de fôlego´ para  a paulada certeira que é  Five to One!

OK...a última música... Five to One! E daí? Dizer que é espetacular a maneira como a voz de Morrison emoldura o hipnótico som da bateria e dos sintetizadores? Dizer que a batida foi, com certeza, inspiração para outras músicas ao longo dos anos setenta? Aliás, nada me tira da cabeça que Whola Lotta Love, do Led Zeppelin, teve inspiração aqui. Escute  o solo de guitarra.

Dizer nada não...apenas que você corra e ache este disco para abrir a sua cabeça. Abra as portas logo, meu...

Por Aroldo Glomb

 

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