Depeche Mode - Ultra

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divulgação

 

A banda em questão é o Depeche Mode. Já com 25 anos de carreira, o grupo inglês esteve fadado ao fim de carreira em seu terceiro ano de vida, já que o tecladista e mentor Vince Clarke resolveu abandonar o barco logo após o lançamento do primeiro disco, Speak and Spell, que continha o single eterno I Just Can´t Get Enough. Coube então a Martin Gore segurar a barra no disco seguinte, A Broken Frame, quando a banda, antes quarteto, seguiu como um trio que tinha além de Gore, Andrew Fletcher nos teclados e David Gahan nos vocais.

No terceiro disco, Construction Time Again, a banda ganhou mais um membro, Alan Wilder, que permaneceu no Depeche Mode até Songs of Faith and Devotion, o sétimo álbum. Entre uma carreira brilhante, ostentando álbuns sombrios como Black Celebration e de veia pop como Music for the Masses, o Depeche Mode parecia entregue, novamente, à dissolução.

Mas não foi o caso. O oitavo cd Ultra é clássico. Por vários motivos. Primeiro, foi a afirmação, novamente, da banda como um trio. Segundo, apesar de ter bem menos hits que os anteriores, todas as composições são sólidas, marcando o estilo do Depeche Mode como um dos mais criativos e interessantes na música com teor eletrônico. E transcende a questão dos fãs. Ultra é mais do que um disco feito para quem já gostava da banda, na verdade, é um disco maduro que pode atingir qualquer um.

A música de abertura, Barrel of a Gun mostra, de cara, as novas idéias do Depeche Mode, que substitui o excesso de timbres de teclados por sons acústicos de guitarras, ganhando em peso e ritmo, fugindo do antigo rótulo de tecnopop ou new romantic. The Love Thieves é uma baladona de qualidade, com uma letra inspiradora. Em Home, Martin Gore dá vazão às suas frustrações, em uma canção desoladora de triste. It´s no Good é a mais Depeche Mode das antigas do álbum, com levada pop e também a mais indicada para as pistas de dança. Uselink, instrumental, atmosférica.

Useless, com seus riffs de guitarras pegajosos e cadenciada é um dos pontos altos do disco. Sister of Night permite que a eloqüência poética de Martin Gore mais uma vez aflore. Jazz Thieves, outra instrumental, serve como interlúdio da obra. Já “Freestate” é outra balada com toques de folk inspirador. The Bottom Line se aproxima mais dos trabalhos solos de Martin Gore, onde o eletrônico tem mais força. Por fim, Insight remete ao álbum anterior SOFAD.

Assim é Ultra, um álbum clássico – não necessariamente o melhor da banda – mas mesmo assim uma obra completa, coerente do começo ao seu final. É como se a banda houvesse deixado de vez a adolescência musical e entrado em territórios mais complicados, mais ermos e áridos em busca de um público que antes o rejeitava. Um disco quase ´ambient´, se é que essa palavra pode ser usada para um disco do Depeche Mode. Enfim, um disco de uma banda que se descobriu, finalmente, adulta. Essencial em qualquer prateleira de discos clássicos.

Por Danilo Corci, do Speculum

 

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