Cream - Disraeli Gears
Written by Aroldo Glomb Tuesday, 31 May 2005 21:00
Disraeli
Gears é o nome do disco que melhor representa a sonoridade da banda.
Lançado em 1967, apresenta Eric Clapton (guitarra), Jack Bruce (baixo)
e Ginger Baker (bateria) no auge da forma. Um dos melhores power trios
de todos os tempos começa o disco com STRANGE BREW, uma canção lenta e
marcada pelo som agudo da guitarra de Clapton. Aliás, ele ganhou a fama
de ´slow hand´ (mão lenta) por causa de músicas como esta. Isso nunca
foi um insulto para ele, mas uma definição de seu estilo de tocar blues
de maneira singular. A cozinha jazzística da banda dava o tempero que
Clapton precisava, e logo na entrada é notório que eles não estavam pra
brincadeiras. No auge de um período psicodélico, eles mandam bala na
mais do que aclamada SUNSHINE OF YOUR LOVE , com o marcante riff que
consagraria a banda. Até mesmo Hendrix regravou esta música de maneira
instrumental e raivosa, provando que até mesmo o maior dos guitarristas
da época havia se rendido à magia do Cream. Essa é daquelas canções que
até mesmo o mais distraído, musicalmente falando, para e afirma: EI, JÁ
ESCUTEI ESSA DAQUI. SIM, estamos falando de um clássico absoluto.
Mas o disco tem mais...
WORLD
OF PAIN é igualmente carregada no estilo a banda, até mesmo na bateria,
que segue com mais bumbos do que caixas. XSXXX mostra que, para se
ter um trio, tem que mostrar serviço. A prova de que Clapton havia
escolhido bem os seus seguidores, está nesta melancólica canção. DANCE
THE NIGHT AWAY é uma música que segue a fórmula apresentada até agora.
Engraçado como, apesar de ter a mesma fórmula em todas as faixas , o
disco não soa repetitivo. DANCE... é a prova, já que se utiliza da
mesma estrutura da anterior, e consegue apresentar uma guitarra mais
frenética. Mas o disco ainda tem mais....
BLUE
CONDITION é um blues raiz, arrastado e com guitarras bem arranjadas. As
viradas que as baquetas proporcionam, mesmo parecendo simples, mostram
aqualidade da banda em transformar coisas simples em algo
espetacular. Até que o ponto alto do disco aparece....SE PREPAREM PARA
A GRANDE ´TALES OF BRAVE ULYSSES´!!!!
Aqui
o bicho pega... wah-wah direto nas guitarras, batidas mezzo-indígenas /
mezzo-jazz na batera, baixo firme em escala, não há desculpas mesmo! A
banda arrebenta tudo em prol do rock e cria uma dos clássicos mais
absolutos dos anos sessenta. Ao lado de SUNSHINE, a melhor coisa que
tem neste disco, sem sombras de dúvida. Mas, como dizer isso sem cair
em contradição agora? Poxa, começa a tocar SWLAB e a frenética guitarra
entra em ação. Essa é para agitar qualquer festa, evento, casamento,
funeral, etc. Preste atenção no solo e pense se era exagero algumas
pessoas chamarem Clapton de Deus da guitarra... acho que não tinha
nenhum exagero! As ´muitas cores fantásticas´ desta canção levam, até
mesmo que não viveu aqueles tempos, de volta no tempo. E... o disco
ainda não acabou....
WE´RE
GOING WRONG é mais estranha do álbum, talvez um momento mais calmo,
para refrescar a cabeça nesta altura do campeonato. Mesmo assim, uma
canção hipnótica e paranóica que mostra tudo o que um grupo pode
explorar (preste atenção aos detalhes ao final dela). Novamente, o
blues de forma simples aparece em OUTSIDE WOMAN BLUES, onde Clapton se
sente mais à vontade. O disco esta terminando, infelizmente....
TAKE
IT BACK lembra muito Rolling Stones, com gaita harmônica e tudo. Nada
mais justo, já que todas as bandas desta época viviam no mesmo círculo
de amizades e de shows. Até mesmo o clima criado por gritos de estúdio,
como se fosse ao vivo, nos remete aos Stones. Um grande solo de
harmônica corre solto pela canção e, de repente, o disco acaba (não,
não tem mais não...) na pequena Mother´s Lament, uma brincadeira apenas
com piano e voz, mostrando que o bom humor também pode dar as caras em
um disco importante.
É
isso! Um dos melhores representantes dos anos sessenta é a ´nata´
mesmo. Cream é sinônimo de boa música que nunca será datada, mesmo após
mais de 30 anos do lançamento de Disraeli Gears.
E pensar que o disco só entrou na minha coleção após muitos anos, dá vontade de me autopunir de alguma forma. Não cometa o mesmo erro que eu, e procure logo este clássico absoluto!!!! Ou vai ficar apenas lendo aqui?
Por Aroldo Glomb

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