Alice Cooper - School´s Out
Written by Aroldo Glomb Tuesday, 31 May 2005 21:00
O
disco abre com o hino de todo estudante que tem que acordar cedo para
enfrentar os livros. Até hoje, duvido que alguma musica se compare à
School’s Out (talvez No Class, do Motorhead, Another Brick the Wall, do
Pink Foyd, tenham atingido este patamar). O grito visceral da Tia Alice
ecoa logo após a abertura explosiva da canção. Meu Deus! Uma dádiva
escutar isso, mesmo após mais de três décadas! Glen Buxton não é mais
daqueles guitarristas que se utilizam de uma banda para se sobressair.
Dennis Dunaway marca em definitivo um estilo de baixo que gruda na
cabeça. Pulsante e forte, ao lado da batera de Neil Smith , sempre
firme lá atrás nas baquetas e bumbos. Os teclados de Michael Bruce (que
também fazia às vezes da guitarra) são fundamentais na atmosfera deste
álbum. Se duvidares, basta escutar o piano ao fundo e ver se não há
referências aos anos cinqüenta na forma de tocar. Claro, de uma forma
muito mais agressiva. Belo começo de disco.
A verdadeira ´aula´ de rock chega na certeira Luney Tunes, onde a porrada corre solta. Literalmente! O ritmo é bem quebrado, mas a banda manda bem até mesmo com violinos de fundo e sintetizadores desenfreados ao longo da faixa. A canção segue desacelerando até o final, quando entra Dennis Dunaway, é a aula de baixo que faltava: Gutter Cat Vs. The Jets mostra o que eu afirmei ali acima. A guitarra é espetacular, mas os outros instrumentos também são ´principais´ e soam como se cada um fosse o real, digamos, ´dono da banda´. Isso em um disco de um artista SOLO, imaginem... Percebam o clímax criado pelos teclados para a batera hipnótica no meio da música.
Já a pequena Street Fight (com menos de um minuto) serve apenas para preparar terreno para a introdução bluesy de Blue Turk e os instrumentos de sopro que chegam com uma dor incrível, digno de um blues, com clima descontraído, que a banda era capaz de proporcionar. O sax praticamente chora em meio à levada jazz da cozinha da banda! Fantástico mesmo, digno de um leve despertar em um domingo de manhã ou de uma ´saideira´ em um bar após a meia noite.
O ponto alto do trabalho chega nas escalas que sobem e descem sem parar em My Stars. Uma canção que não deve em anda para a musica título. Soberba e imponente, os acordes de piano passeiam livremente ao longo dos seus quase seis minutos. O refrão é daqueles que grudam mesmo, com direito a lálálálálá e tudo mais! Mas o melhor é que o nosso herói, Alice Cooper, faz da música o que ele quiser e vai terminando esta de maneira suave e feroz. Parece um ataque de cobra no meio da noite (aliás, o bichinho preferido pelo nosso herói em palco). Bem, escute lá... e tire as suas conclusões.
E por falar em animais, chegamos na Public Animal # 9, que tem a levada mais dançante até aqui. Boa em tudo, principalmente no equilíbrio na base de fundo e na criatividade de Glen Buxton nos solos. Talvez as coisas mais estranhas deste disco estejam nas ultimas canções: Alma Mater e Grand Finale são mais experimentais que as demais porradas até aqui presenciadas.
A primeira, Alma Mater, é uma pseudo-balada, com um clima meio ´interior´ mas, ao mesmo tempo, psicodélico. Os vocais de Alice, com direito à backing vocals de apoio ecoando com efeitos, deixam a canção bucólica e moderna ao mesmo tempo. A última é uma canção instrumental (isso mesmo, uma canção instrumental em um álbum de um artista solo!!!) que lembra muito Eric Clapton. Aqui, é possível escutar uma referência à musica My Stars nos sintetizadores. Animal mesmo!!!
Então, a conclusão que podemos tirar é que Alice Cooper era um professor do rock, para os seus seguidores e até mesmo para os seus asseclas do conjunto. Todos tinham chance na banda, aqui está a prova. SCHOOL’S OUT não é clássico do rock... é lição obrigatória para casa!
Por Aroldo Glomb

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