Enne
Written by Valdir Antonelli Thursday, 18 September 2008 15:20

Apesar de fugir do senso comum - para não falarmos do emo -, o Enne tem um lado pop (sim, outro palavrão) bem evidente, algo próximo a Incubus e até Foo Fighters, ao mesmo tempo em que, como acontece em Entre Dois Nós, resvala no metal. Suas letras carregam um tom um tanto "derrotista", mas não deixam de ser, de uma forma ou outra, esperançosas. Afinal sempre esperamos que as coisas melhorem, não importa o quão pra baixo estivermos. Mas são os bons arranjos cadenciados, pesados, quase sombrios, que chamam a atenção no trabalho do quarteto.
Optar por cantar em português não é nada fácil. Além do inglês soar melhor na grande maioria das vezes, o fato de pouca gente realmente entender o que está sendo cantado faz com que a voz se transforme em mais um instrumento, não importando, em um primeiro momento, o que esteja sendo dito. Já em português, a voz é mais que um simples instrumento. As letras ganham um destaque muito maior e a mensagem tem de ser transmitida da melhor forma possível. Neste sentido, o trabalho do Enne é interessante, novamente fugindo de apenas apresentar "mais do mesmo", o grupo consegue resgatar cenas do cotidiano de seus integrantes e coloca-las em letras ao mesmo tempo densas e, porque não, românticas, como acontece em Por Um Segundo.
Talvez o único senão seja em relação à forma que o vocalista Jay trabalha. Não vejo sentido para a gritaria em algumas canções. Sei que é o estilo da banda, sei que a molecada curte, mas parece que não encaixa com os arranjos. Ainda assim, o trabalho é bem produzido, não apenas em relação às músicas, mas sim como produto. A capa do CD é simplesmente belíssima.
Preste atenção em O Melhor que Consegui, com participação do Rodrigo, vocalista do Dead Fish.
O Enne é:
Jay - Guitarra e voz
Fred - Guitarra
Cacau - bateria
Luciano - Baixo
Álbum: Enne - Nômade
Selo: 53 HC
Ano: 2008

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