Clave de Clóvis

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divulgaçãoO disco, com 13 faixas e pouco mais de 45 minutos, é um emaranhado de rocks "experimentais" e anárquicos que te levam a um tempo em que o rock nacional, ainda, não era ditado por tantos modismos e as viagens musicais de Mutantes e toda aquela turma da tropicália eram mais bem vistas por um público sedento por novidades e aberto a ouvir Ronnie Von ao lado de Mutantes sem tantos preconceitos como agora. A viagem também é regada por doses extras de humor - tão em falta em nosso rock - que se travestem em crítica social e romantismo (Léo) em um piscar de olhos dependendo de quem ouve - pena que tentar acompanhar as letras pelo encarte seja uma briga de gigantes, mas é só entrar no site da banda pra conseguir entender o que eles querem dizer - ainda mais que as letras mudam de sentido em uma mesma canção, assim como os arranjos.

Se fossemos parar e levantar cada mudança de andamento, ou cada mudança no rumo das letras, teríamos muito mais que as 12 - ou 13 músicas que aparecem no visor do CD player - que constam no encarte. Em Ludovico, por exemplo, a canção começa à capella com a singela letra "Ela era uma menina bonitinha sim / Ela era uma menina / E quando ela dormia encontrava um bom consolo / na patinha esquerda do ursinho Puff", pra mudar para um quase funk/samba/rock - "Se ela veio eu não vi... / Reloginho e papete, cigarrinho na pochete / surf só no veraneio e a vida por e-mail / ´- Eu falei pra tu pagar a conta de qualquer maneira!´ / e se ele te desse o troco certo? Você sentaria perto? / Ludovico is not here!! / ´- I told you say to pay the bill anyhow!!! / Quem me dera ser um bosta como você". Sutil não?.

O pop, se é que podemos falar assim, também aparece, nos primeiros um minuto e vinte segundos de Só Garota, que remete diretamente a Secos e Molhados, abrindo para o peso das guitarras e vocal gritado que poderiam estar em algum disco de metal, e na faixa que encerra o disco, Homem Urso, que até pode ser chamado de baião, mas esconde um curto blues lá pelo meio da música. 

Não é um disco para quem quer apenas uma trilha para o dia-a-dia, mas, sim, é um disco para quem quer descobrir o que é possível fazer quando encontramos bons músicos, bons letristas e a vontade de fazer algo diferente do que ouvimos cotidianamente, exatamente por isso não pense que acompanhar o trabalho da Clave de Clóvis seja algo fácil, confesso que a primeira vez que ouvi o disco, no carro, cercado pelo trânsito de São Paulo, não sei o que achei pior, a loucura que saia das caixas acústicas ou a sinfonia de buzinas ao meu redor, só que bastou colocar o disquinho no aparelho de som de casa para me tocar que havia encontrado um diamante sendo lapidado a cada mudança de faixa.

Em tempo, bem que poderiam ter colocado a letra do poema (?) que se esconde nos 25 segundos da faixa 10.

Álbum: Clave de Clóvis - Surbvesivo
Selo: Independente
Ano: 2008

A Clave de Clóvis é:
Flávio Caldas - bateria
Fábio Silas - baixo
Caio Rothje - violão/guitarra/voz
Rafael Siqueira - guitarra/teclados/theremin/violão/voz

www.clavedeclovis.com

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