Euterpe – Batida Brasileira
Written by Marco A. Ribeiro Sunday, 13 June 2010 20:32
Fazia certo tempo que eu não me entusiasmava tanto com um álbum de estréia quanto esse da cantora roraimense Euterpe.
Lançado há alguns meses, Batida Brasileira é meio mágico. Imagina você ouvindo a bolachinha e, de repente, lembra que está atrasado para um compromisso. Ainda está na faixa quatro ou cinco e falta um pouquinho para o último acorde. Você pensa: preciso desligar porque vou chagar atrasado. Daí seu braço estende até o seu player mas uma força poderosa impede que o botão power off seja ativado.
A força, neste caso, são as batidas contagiantes e a voz apaixonante desta cantora - elogiada por Nelson Motta – que, quando eu vi a capa do seu cd de estréia pela primeira vez, pensei em se tratar da Daúde (lembram?).
Batida Brasileira não é um disco pop, nem de raiz, nem de MPB, nem de afro, nem de reggae. E é tudo isso ao mesmo tempo, incluindo ainda estilos pouco explorados como salsa e cumbia. Uma salada sonora, só ó para usar um chavão da crítica musical.
O CD tem a produção do inenarrável Eliakin Rufino (uma figuraça) que é um dos artistas mais conhecidos e respeitados no norte do país com uma carreira de mais de trinta anos de bons serviços à música. Somente agora ele resolveu dar outros vôos e produzir uma artista que, de lambuja, é sua sobrinha, mostrando que o talento está no DNA da família.
O álbum, que além do tiozão e produtor Eliakin, tem composições de Zeca Baleiro e Paulo Moura, inaugura uma trilogia que vai explorar o som e as batidas produzidas no norte do país (que precisam ser descobertas).
Não tenho certeza se é fácil encontrar o trabalho de Euterpe nos shoppings mais badalados de qualquer cidade, até porque é uma produção independente apoiada pela Funarte. Mas a gravadora Tratore se encarregou da distribuição e se você não encontrar em lojas, pode acessar o site e encomendar o seu (www.tratore.com.br).
Enfim, rasgação de seda não faz muito meu estilo. Se merecer, eu elogio. Se for meia boca, eu até tento ver o lado bom. Se for ruim, eu prefiro nem falar. No caso de Euterpe, não tenho dúvida que se o preconceito não atrapalhar – sim, o preconceito de achar que só é bom o que brota no sul – o Brasil vai se deliciar com uma das melhores e maiores revelações da música brasileira dos últimos tempos.
Vida longa, Euterpe.

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