Libra
Written by Valdir Antonelli Monday, 08 December 2008 16:24

Não que as letras sejam uma obra digna de um Augusto dos Anjos, mas também estão acima do que o metal brasileiro está acostumado a fazer. Outra diferença entre as letras de Libra, em relação à tradição metal, é que elas são mais curtas, três ou quatro estrofes - exceto Ninguém Ama Ninguém -, com o cuidado de repetir o refrão a exaustão, semelhança com a estrutura pop - sim, eu sei, palavra proibida pra muita gente - ou apenas uma coincidência?
Influenciado pelo metal gótico, o trabalho desse carioca é recheado de romantismo. Suas letras são doídas, retratando um mundo fantástico, com clima vampiresco e também com toques depressivos, que devem agradar adolescentes que acreditam que o mundo está contra eles. Natural, se Libra já não tivesse passado por essa fase há um bom tempo.
Nem só de temas sombrios o trabalho do Libra gira. Eletricidade é um bom hard rock e a balada Cinderela, leva apenas no piano, são dois bons exemplos de um trabalho que extrapola os limites do gótico ou doom metal - formas em que o trabalho do músico vem sendo catalogado. Na verdade, se mudássemos um pouquinho os arranjos, tirando um pouco das guitarras "metaleiras", esse poderia ser um disco pop - opa, olha a palavrinha proibida aparecendo novamente. Não acredita? Preste atenção comecinho de Na Minha Pele, antes das guitarras começarem.
Nada disso impede que o primeiro álbum do Libra seja interessante, seja por cantar em português, seja por fugir das letras tradicionais do estilo e até mesmo por colocar uma pitada de pop em um meio em que falar isso é o mesmo que vender a alma para o diabo. Além disso, o cara é multi-instrumentista e foi responsável por todos os arranjos do trabalho e ainda canta, e bem.
Mas se você não suporta o estilo, passe longe. Todos os vícios e virtudes do metal estão nas 12 faixas de Até Que a Morte não Separe.
Álbum: Libra - Até que a morte não separe
Gravadora: Sony/BMG
Ano: 2008

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