Os Telepatas

Attention: open in a new window. PrintE-mail
divulgação

Tal onda começou timidamente há alguns anos e agora toma ares de ´novo´ estilo, com bandas como Supercordas, Rômulo Fróes, Los Porongas, Numismata, entre várias outras, flertando, umas mais outras menos, com sons a muito esquecidos pelas rádios e, muitas vezes, desconhecido do público, uma mistura entre MPB, pop, rock e psicodelia que deu origem a um novo termo: ´nova´ MPB. Nome interessante, mas loguinho vai servir, se já não está servindo, como balaio para bandas tão dispares quanto o próprio Telepatas e, por exemplo, os catarinenses do Pipodélica, que também buscou idéias em músicas feitas na mesma época.

O que pode diferenciar o trabalho do Telepatas é não ter medo de assumir tais referências e até mesmo homenagea-las em canções como Grito, cheia de papapás,  e PrimaCanção, que poderia ter saído de algum álbum empoeirado do Terço. Alguém pode lembrar que tais ´experimentações´ eram comuns durante os tempos da Tropicália. Sim, mas a própria abrangência da Tropicália acabou transformando um artistas como Walter Franco em algo razoavelmente subversivo, relegando o trabalho do compositor à sessões de ´MPB´ na Fofinho - pra quem não conhece, uma das casas roqueiras mais antigas de São Paulo, com 40 anos de estrada.

Deixando um pouco as influências de lado, o som do grupo peca, as vezes, pela monotonia dos arranjos e o excesso de papapás - não sei porque estes papapás me fazem imaginar um monte de hippies dançando em volta da fogueira. Por outro lado, canções como Cravo, são uma boa amostra de que é possível pegar os anos 70 e transportá-lo para o século 21 e construir, quase, uma boa canção pop, apesar de que dificilmente você a ouvirá em alguma rádio. Nem mesmo a quase experimental, Maria Clara, com seu ar jazzístico, parece destoar do resto do trabalho, mesmo que fuja um pouco da temática que impera do CD, que é quase que totalmente psicodélico.

E é exatamente esta psicodelia que chama a atenção, uma psicodelia rural, típica de alguns integrantes do Clube da Esquina, que ouvimos perfeitamente em A Cor da Manhã. As guitarras distorcidas, de Minhas Dúvidas e Cérebro Robô, abrindo espaço para as mesmas guitarras, mas agora quase sem efeitos em Armada e o clima acústico de O Medo é Meu Amigo, fazem de Bandeirante, um trabalho diferenciado na música independente brasileira. Apesar de várias bandas trilharem um caminho parecido, poucas - talvez o Supercordas - conseguem mesclar dois momentos tão distintos da nossa música sem soarem como uma ´forçada de barra´ ou como apenas mais um modismo.

No site da Tramavirtual você ouve o disco inteiro e ainda pode baixar algumas faixas.

Álbum: Os Telepatas - Bandeirante
Selo: Trombador
Ano: 2007

Os Telepatas são:
Rafael Molina - Vocal, guitarra e violão
Fabiano Grassi - Vocal, guitarra e violão
Daniel Monteiro - Baixo
Thiago  Serra - Bateria

Facebook

AGENDA

<<  April 2014  >>
 Mon  Tue  Wed  Thu  Fri  Sat  Sun 
   1  2  3  4  5  6
  7  8  910111213
14151617181920
21222324252627
282930    

NEWSLETTER

Deixe seu nome e e-mail para receber nossa newsletter.