Renato Russo - O Filho da Revolução
Written by Marco Antonio Ribeiro Saturday, 07 November 2009 22:30
Fiquei particularmente emocionado ao ler o calhamaço chamado Renato Russo, O Filho da Revolução (Editora Agir, 415 páginas), escrito pelo jornalista Carlos Marcelo. Primeiro porque sou fã do falecido e inesquecível vocalista da (re)Legião Urbana, que considero o Chico Buarque da minha geração.
Mas o que deixa o livro saboroso para todos aqueles que, como eu, viveram intensamente a década de 80, é perceber que o nerd de óculos, que colecionava discos, amava literatura e cinema, garimpava novas bandas e fazia de tudo para se manter informado do que acontecia no universo musical era um cara igualzinho a tantos outros anônimos que amavam os Beatles, os Stones, os Smiths e o Joy Division. A identificação com o personagem central é inevitável.
O livro deixa claro o que muitos já proclamavam. Renato era um visionário. O cara acreditava e buscava o que sonhava. Traçou passo a passo a carreira e esbravejava a todos aqueles que o desdenhava que, um dia, seria muito famoso. Saiu da primeira banda que formou (Aborto Elétrico) para seguir sozinho como Trovador Solitário enquanto preparava o terreno para o grande passo que daria com a Legião.
Além da vida do legionário, o livro aborda os momentos históricos que se desenrolaram enquanto a turma de Brasília montava suas bandas e cheirava loló para escapar da monotonia de viver no planalto central. Tais fatos foram matéria prima para muitos temas escritos pelos punks bem nutridos, filhos de políticos, diplomatas e generais.
Há momentos duros de ler, como a fase em que Renato comete excessos, é rejeitado e humilhado, mesmo com toda a fama conquistada. Temas como o homossexualismo e os detalhes da doença fatal, contraída, provavelmente, pelos relacionamentos promíscuos que o vocalista utilizava como fuga de sua dependência química e depressão foram pouco abordados, até para não cair no sensacionalismo.
A vida do artista é exemplar. Poderia servir como um desses livros de auto-ajuda, do tipo “quem acredita sempre alcança”. Já a vida do homem, é triste. Mesmo com a belíssima obra escrita por Marcelo, não fica bem claro porque Renato sucumbiu à tristeza e a solidão. Ele cantava a bola mas não seguia seus próprios (digamos) mandamentos. Chegou a dizer que Curt Cobain não duraria muito, pouco antes da morte do vocalista do Nirvana. Ele sabia que caminho deveria seguir mas adotava o “faça o que eu digo e não faça o que eu faço”. No fim, ele se transformou no que não queria ser. Um mártir do rock and roll.

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