Renato Russo - O Filho da Revolução

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Fiquei particularmente emocionado ao ler o calhamaço chamado Renato Russo, O Filho da Revolução (Editora Agir, 415 páginas), escrito pelo jornalista Carlos Marcelo. Primeiro porque sou fã do falecido e inesquecível vocalista da (re)Legião Urbana, que considero o Chico Buarque da minha geração. 

Mas o que deixa o livro saboroso para todos aqueles que, como eu, viveram intensamente a década de 80, é perceber que o nerd de óculos, que colecionava discos, amava literatura e cinema, garimpava novas bandas e fazia de tudo para se manter informado do que acontecia no universo musical era um cara igualzinho a tantos outros anônimos que amavam os Beatles, os Stones, os Smiths e o Joy Division. A identificação com o personagem central é inevitável.

O livro deixa claro o que muitos já proclamavam. Renato era um visionário. O cara acreditava e buscava o que sonhava. Traçou passo a passo a carreira e esbravejava a todos aqueles que o desdenhava que, um dia, seria muito famoso. Saiu da primeira banda que formou (Aborto Elétrico) para seguir sozinho como Trovador Solitário enquanto preparava o terreno para o grande passo que daria com a Legião.

Não dá pra negar, por mais que você não goste do grupo de Brasília, que a Legião foi um fenômeno muito difícil de ser igualado. As letras de Manfredini, a cada disco lançado, fugiam do lugar comum do pop rock nacional. Nada de refrões repetidos como aqueles citados pelos conterrâneos da Plebe Rude em uma das faixas do EP de estréia. Aquele “qautro olhos” franzino fez o país cantar, sem errar, a saga de João de Santo Cristo e as idas e vindas do casal Eduardo e Mônica. Falou de cocaína, heroína, suicídio, dias tristes e dias perfeitos sem ser piegas. Isso não é pra qualquer um.

Além da vida do legionário, o livro aborda os momentos históricos que se desenrolaram enquanto a turma de Brasília montava suas bandas e cheirava loló para escapar da monotonia de viver no planalto central. Tais fatos foram matéria prima para muitos temas escritos pelos punks bem nutridos, filhos de políticos, diplomatas e generais.

Há momentos duros de ler, como a fase em que Renato comete excessos, é rejeitado e humilhado, mesmo com toda a fama conquistada. Temas como o homossexualismo e os detalhes da doença fatal, contraída, provavelmente, pelos relacionamentos promíscuos que o vocalista utilizava como fuga de sua dependência química e depressão foram pouco abordados, até para não cair no sensacionalismo.

A vida do artista é exemplar. Poderia servir como um desses livros de auto-ajuda, do tipo “quem acredita sempre alcança”. Já a vida do homem, é triste. Mesmo com a belíssima obra escrita por Marcelo, não fica bem claro porque Renato sucumbiu à tristeza e a solidão. Ele cantava a bola mas não seguia seus próprios (digamos) mandamentos. Chegou a dizer que Curt Cobain não duraria muito, pouco antes da morte do vocalista do Nirvana. Ele sabia que caminho deveria seguir mas adotava o “faça o que eu digo e não faça o que eu faço”. No fim, ele se transformou no que não queria ser. Um mártir do rock and roll.

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