Fresno - O Outro Lado da Porta

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Quando pensamos em um DVD musical dois tipos de projeto surgem à mente: gravar um show ao vivo ou lançar raridades, vídeos, etc. Bom, no caso dos gaúchos da Fresno o negócio foi gravar a banda tocando, mas em um estúdio.
 
Qual o motivo desta opção? Custos menores, ter mais controle do resultado, entre outros fatores, podem ter falado mais alto. Por outro lado, a falta de público tirou muito do brilho de O Outro Lado da Porta, ainda mais que sabemos o quanto os fãs do grupo se empolgam durante os shows.
 
Pelo lado da banda, a emoção de estar em um palco também some. Por mais que os caras tenham “se entregado” durante as gravações, não dá pra falar que o sentimento seja o mesmo, afinal, fica claro no vídeo que o grupo não gravou tudo “de uma vez”. Tudo bem que a intenção não era o de recriar um show, mas apenas mostrar a banda “despida”, conforme afirma o release, mas o resultado final não mostrou esse “outro lado” da Fresno.
 
Deixando isso de lado, o DVD mostra uma Fresno sabendo exatamente, musicalmente falando, onde está e qual sua importância no rock nacional contemporâneo.
 
Ao contrário da grande maioria dos grupos, que resolvem vir para a capital paulista para tentar a sorte, o quarteto já trazia na bagagem três discos independentes, eram conhecidos na cena emo – antes que joguem as pedras, o sentido aqui não tem nada de pejorativo e até o lançamento de Ciano, ninguém nega que o som feito pela banda era esse mesmo -, e já tinham vendido alguns milhares de discos.
 
Logo depois veio um especial da MTV, o MTV Ao Vivo 5 Bandas de Rock, e o primeiro disco lançado pela Arsenal, o bom álbum Redenção. A Fresno, neste ponto da carreira, já tinha idéia do seu potencial e sabia que devia apostar no pop “para ser feliz” - em entrevista aqui na DropMusic, o vocalista Lucas assume essa necessidade da banda.
 
E como lidar com as críticas, que elegem o emo e pop como dois dos maiores palavrões do mundo da música? Ambos sendo usados por uma mesma banda? Uma união explosiva, mas que não os afetou em nenhum momento. Nos shows, canções como Uma Música ou Redenção têm a mesma força de Quebre as Correntes ou Alguém que Te Faz Sorrir, e recebem a mesma atenção dos fãs, além de, por serem levemente diferentes, terem conseguido atrair um novo público para o som feito pela Fresno.
 
Então por que não levar isso tudo para um palco, cercado por câmeras? Ainda mais que o DVD não tem tantos atrativos. Além das entrevistas que aparecem entre as canções – ótimas e com excelentes tiradas, como o trecho em que o baixista Rodrigo Tavares explica que não quer falar sobre drogas, política ou sexo – o DVD traz como bônus apenas dois clipes da banda, um para Uma Canção e uma nova versão para Alguém que Te Faz Sorrir, e outros trechos de entrevistas que não entraram no “filme oficial”.
 
E outra perguntas surgem: será que nunca gravaram cenas de bastidores da banda? Será que nunca gravaram o cotidiano do grupo, com os caras saindo para um boteco para beber e conversar? Por que não colocaram os outros clipes já gravados pela banda?  Não culpo o grupo por isso, afinal, a decisão final sobre como o projeto sairia é da gravadora, mas isso fez com que as entrevistas se tornassem mais interessantes que as músicas.
 
Se a intenção era mostra realmente o outro lado da porta do Fresno, não basta colocar isso como título.
 
Fresno – O Outro Lado da Porta
Arsenal Music/Universal Music
2009

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