Discos
Kele
Okereke está procurando arduamente, mas ainda não conseguiu traduzir
fielmente em música aquilo que traz na alma. Intimacy, terceiro
trabalho de sua banda lançado virtualmente em agosto (nas lojas só em
outubro), é o típico álbum de transição, cuja indefinição de rumo atira
para todos os lados. A culpa, neste caso, pode ser jogada sobre os
produtores do disco: Paul Epworth moldou a estréia da banda, destacando
riffs metalizados; Jacknife Lee produziu o segundo álbum injetando
eletrônica na mistura. Juntos, os dois parecem não querer brigar por
terreno, e o repertório cede aos dois lados.
Nostradamus
sempre causou frios na minha espinha. Pode um homem ter visões que
mudariam e ainda mudam o curso do mundo? Méritos a parte, a história
desse pretenso médico, que teria escrito profecias que se tornaram
mantras e ainda causam calafrios em muita gente ao redor do mundo,
daria filmes, peças, óperas... E nestes tempos de ópera metal, o Judas
Priest resolveu inovar a temática de seus discos e inspirado pelo
aclamado retorno de Rob Halford, lançou um disco duplo falando... do
profeta medieval.
Será
que já podemos dizer que o Cansei de Ser Sexy, ou CSS para os gringos,
seja a maior banda brasileira no exterior? Vejamos: faz mais shows que
o Sepultura atualmente; faturou uma baita grana tocando na festa de
aniversário Roman Abramovich; aparece na capa de várias revistas
musicais por todo o planeta, toca em vários festivais europeus e não é
mais vista apenas como algo exótico vindo do Brasil. Então, sim, hoje o
CSS é a maior banda brasileira no exterior. Isso, absolutamente, não
tem nada a ver com qualidade musical ou falta de qualidade, apenas é
uma constatação.
Quinze anos de estrada e cinco discos lançados, mas ainda com fama de banda de um único hit, a canção Popular - de seu primeiro disco e, ainda, a mais conhecida do grupo. Um desperdício gigantesco, afinal, seus dois últimos trabalhos, Let Go, de 2002, e The Weight is a Gift, de 2005, são simplesmente maravilhosos, e isso não é exagero algum.
Wendy
James era vocalista do Transvision Vamp, uma bandinha indie que parecia
que iria virar algo no final dos anos 80, mas não deu em nada. A banda
acabou em 1991, e Wendy, sozinha e abandonada, escreveu uma carta para
Elvis Costello, pedindo lhe uma canção. Costello não lhe deu só uma
canção, mas sim um álbum inteiro, o bom Now ain’t the time for your
tears, e ainda emprestou o baterista Pete Thomas para a donzela em
apuros.
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