Lana Del Rey - Born to Die

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Uma pergunta: se não tivéssemos a internet, será que Lana Del Rey chamaria tanta atenção como está chamando? Vejamos. Nas décadas anteriores à grande rede, o artista batalhava para que um executivo de gravadora o ouvisse no meio de milhares de fitas demos perdidas. Hoje esse é apenas um dos caminhos, já que qualquer pessoa pode fazer um vídeo, colocá-lo na internet e divulga-lo para milhões de pessoas.

Apesar do caminho parecer mais fácil, ainda assim, em ambos os casos é preciso uma boa dose de sorte. Na verdade a internet ajuda, muito mais, na hora do artista ficar conhecido e, claro, nem sempre a qualidade musical é imprescindível para isso.

No caso de Lana Del Rey, além de contar com a sorte, ela foi esperta o suficiente para criar uma “vida paralela”, um alter-ego “femme fatale”, que acaba se destacando mais que sua música – tanto que a cantora foi acusada de ter sido criada por uma gravadora, de ter colocado botox nos lábios, etc.

Lana tentou conquistar o mundo em 2010 usando seu nome real, Lizzie Grant. Gravou um disco com o produtor David Kahne, que tinha trabalhado com Regina Spektor, mas não deu em nada. Seu popzinho de então não trazia nada de novo e caiu no limbo da internet.

Um ano depois, já como mulher fatal, Lana lançou o vídeo de Video Games e... boom. Foi um dos vídeos mais assistidos no YouTube em novembro e dezembro de 2011. Nesse meio tempo já tinha fechado um contrato com a Polydor – a tal da gravadora que, supostamente, a criou -  e o resto já está virando história. Seu primeiro single Born to Die está há duas semanas entre os dez mais vendidos nas paradas e seu disco, de mesmo nome, promete seguir pelo mesmo caminho.

Mas o que ela tem, assim, de tão interessante? Pra começar, o que Lana Del Rey faz não é novidade – até porque não existe novidade na música há muito tempo. A cantora pega uma batida eletrônica e bota seu vozeirão para contar histórias que podem ou não estar ligadas ao seu cotidiano e faz isso com um sentimento, de forma tão dolorida que, sendo produzida ou não, emociona. Video Games conquistou o público exatamente por isso e Born to Die segue pelo mesmo caminho.

Lana também segue um caminho aberto por Amy Winehouse e Adele, e “abusa” das baladas que, tirando a batida eletrônica, poderiam ter sido lançadas na década de 1950. Blue Jeans e Million Dollar Man são as amostras perfeitas. Mas essa é a única semelhança entre ela e essas duas cantoras. Na verdade, sua voz lembra, e muito, a de Siouxsie Sioux, do Siouxsie and the Banshees, e, às vezes, como em This is What Makes Us Girls, a de Stevie Nicks.

Já o som, bem, o uso de sintetizadores, samplers e bateria eletrônica dá o tom às 15 faixas da versão “deluxe” – o álbum normal vem com 12 canções -, que remete, em alguns momentos, ao grupo Enigma e, até mesmo, ao Cocteau Twins (exagerando um pouquinho, em Without You, um dos bônus).

Se Lana vai ser mesmo este sucesso que todos estão esperando, ainda é muito cedo pra dizer, mas que a cantora de 25 anos tem boas chances de ser o próximo grande nome da música mundial pouca gente tem dúvidas.

Álbum: Lana Del Rey - Born to Die
Gravadora: Polydor
Ano: 2012

 

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