Avenged Sevenfold – Nightmare

Attention: open in a new window. PrintE-mail
Quem conhece o grupo americano sabe que o caminho deles nunca foi tão fácil. Tornaram-se uma das bandas mais respeitadas do cenário rock/metal pelas misturas inventivas e altamente combustivas de peso, melodia, raiva, e outros sentimentos díspares no som do grupo. Só isso já seria interessante de se ouvir em Nightmare, que acaba de sair. Mas como já disse, a vida deles não é fácil. Uma tragédia caiu sobre a cabeça do quinteto. The Reverend, um dos bateras mais legais da música – sim, sou baterista e um dos caras que sempre me chamaram a atenção era The Rev, morreu. O A7X que gravava justamente este disco ficou atordoado. Poderiam ter largado tudo. Mas não, celebraram o legado de Rev. E chamaram o maior ídolo dele, Mike Portnoy!
 
O batera do Dream Theater e outros projetos topou participar e gravar as partes de bateria em homenagem a um de seus fãs. E tudo isso resultou no disco mais inspirado e porque não, no melhor álbum da carreira do Avenged. E começa com um hino. “Nightmare” tem uma introdução que lembra um filme de terror e empolga. Já é daqueles hits imediatos que grudam na cabeça. A voz de Matt Shadows ainda é um dos trunfos do grupo. Aqui, ela faz a cama e nos dá boas vindas ao nosso pior pesadelo, o sistema. Não, a letra não fala da morte de Ver, apesar de ficar evidente. Ela discorre sobre o mundo atual em que vivemos. Somos números? Fomos vendidos ao chifrudo? Ouça e descubra. E sim, Portnoy arrebenta, assim como Zack, Synister e Johnny.
 
“Welcome to the Family” segue na mesma onda. Melódica, com momentos pesados e outros mais acessíveis. Tem um dos grandes riffs do álbum, que emulam um pouco da virtuose da banda original do convidado de honra. A letra fala de uma luta que não pode ser vencida. Por se tratar de uma banda de grande apelo com adolescentes, enumere aí os problemas que a maioria enfrenta. Bingo! “Danger Line” é interessante. Chama-la de power ballad não seria ruim, apesar não ser necessariamente uma balada. Tem seus grandes momentos, mas padece do único problema do álbum.  Muitas faixas parecidas agrupadas. Mesmo com essa sensação, o quarto final é muito bacana e meio que introduz “Buried Alive”, que tem uma vibe diferente da trinca inicial. A própria produção deixa claro isso. Não sei se algumas músicas, de repente, já estavam gravadas e faltava apenas a bateria, enfim. Com ares de balada, ela relembra Wasting Love do Iron Maiden, pelas guitarras duplas e pelo “crescendo” que ela apresenta. Só que as semelhanças ficam por aí, já que ela chega mais perto de uma canção do Disturbed ou Godsmack do que da Donzela de Ferro. È uma das minhas prediletas de “Nightmare”.
 
“Natura Born Killer” é porradaria só. Metalcore na veia como diriam alguns dos cronistas mais antigos. É por si uma forte candidata a estourar os miolos daqueles que conhecerem a banda a partir desta canção. O bridge dela remete – malditas comparações – a o que o Linkin Park costuma fazer. Mas assim como na anterior, as coincidências param aqui. Ela tem um solo bacana, uma pegada típica do titio Portnoy e berros. Muitos. Shadows arrebenta no gogó. E guardem o refrão: “So die alone/ This is the one thing that I won't do/
So say your prayers/ 'Cause I ain't leaving here without you”.
 
“So Far Away”. A canção que parece resumir o estado de espírito da banda funciona. É uma balada, com ótimos vocais. E passa a mensagem desesperada de dor e saudades. Eu, que vivo um momento complicado familiar, sinto a mesma coisa. Quem passar por problemas vai se identificar e muito com a canção. Além disso, o trabalho baterístico é sensacional.
 
“God Hates Us” vira o jogo. Se a dor da perda ainda pesa para a banda, ela parece revoltada com o cara lá de cima.  Não só por perdas instantâneas, mas sim pelo andamento do mundo. Sim, mentiras, mortes, assassinatos. Tudo o que acontece à nossa volta tece a inspiração para o A7X vociferar num metal-core de primeira classe. “Victim” é mais pop. E segue expurgando a dor da banda. Agora, somos vítimas de um crime, que é a inevitabilidade da morte e de relacionamentos quebrados. Pelo menos, na minha visão, claro. “Tonight the World Dies” é uma balada com B maísculo. Tranqüila e um tanto serena, ela tem cadência, peso e um refrão grudento. “Fiction” faz parte daquelas músicas memoráveis. É também uma balada com um crescendo interessante. Me lembra as músicas lentas e densas do DT. Tem um piano interessante e destoa – é verdade – do resto do álbum. Mas me parece que esta “relaxa” foi intencional, para dar a impressão de que o sonho ruim acalmou. De qualquer forma, ela se destaca pela composição, do baterista, Rev.
 
“Save Me” encerra o pesadelo que se passou na cabeça do A7X. Tem as galopadas de bumbo características de Mike Portnoy, as guitarras dobradas melódicas tradicionais do grupo e ganha um clima de filme de terror por conta de samples mais “operísticos”.  A letra é daquelas grudentas, com um refrão instigante: “Save me – I´m trapperd in a vile world / Save me – where the end game’s all the same as every other”. E desenvolve uma pergunta sobre o conceito do disco. É uma montanha-russa de sensações e sentimentos? Ou várias músicas dentro de um tema, mas sem ligação? Enquanto vocês quebram a cabeça, eu afirmo: é um dos melhores discos de rock do ano, sem exceção.
 
Álbum: Avenged Sevenfold - Nightmare
Gravadora: Warner Records
Ano: 2010
 
 
 
 

Facebook

AGENDA

<<  April 2014  >>
 Mon  Tue  Wed  Thu  Fri  Sat  Sun 
   1  2  3  4  5  6
  7  8  910111213
14151617181920
21222324252627
282930    

NEWSLETTER

Deixe seu nome e e-mail para receber nossa newsletter.