Devo - Something for Everybody

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Enquanto o mundo inteiro espera pela nova sensação do rock, ninguém poderia esperar que uma banda com 38 anos de estrada lançasse um dos discos mais modernos dessa primeira década do século 21.
 
Pois é, o Devo, uma das bandas responsáveis pela onda new wave norte-americana, voltou ao estúdio depois de 14 anos e volta ao mercado com Something for Everybody e mostra que sua de-evolution continua gerando bons frutos.
 
Something for Everybody mostra de onde bandas como Strokes, Kaiser Chiefs e Killers – entre dezenas de outras que fazem os descolados dançarem pelos inferninhos paulistanos – tiraram seus riffs mais instigantes. Além disso, o álbum remete a um dos momentos mais inspirados do rock mundial, lá pelo começo dos anos 1980, quando um bando de moleques subverteu a música pop.
 
O mais interessante disso tudo é ver que o que o Devo faz não soa datado. Canções que poderiam estar Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! ou em Freedon of Choice, discos considerados essenciais na história da banda, parecem totalmente conectados à modernidade do rock atual, ou seja, como o Devo estava à frente do seu tempo. Confira se Sumthim não lembra Whip It?
 
Abrindo com Fresh – que, juro, quando ouvi pela primeira vez pensei que fosse do Kaiser Chiefs – surpreende e demonstra como a new wave ainda pode surpreender (veja o vídeo abaixo). Mas é em What We Do que o Devo retoma com as esquisitices da de-evolution e encontra um de seus melhores momentos – e mostra como é difícil ficar com os pés parados enquanto o disco toca.
 
Além de Fresh, algumas canções acabam por se destacar um pouquinho mais. Please Baby Please consegue misturar o som eletrônico do quinteto com o rockabilly dos anos 1950. Sumthin é outra pérola – chega a ter até mesmo o chicotinho de Whip It – com guitarras que lembram o B-52s. Step Up, com seu tecladinho “Casio” e um jeitão de Kraftwerk mais divertido. Até mesmo Later is Now, um pouco mais cadenciada – e, porque não, profética, já que afirma que o futuro é agora -, e  No Place Like Home, uma balada que, em um primeiro momento, poderia parecer fora de sentido, mas que no fundo mostra que o grupo também sabe arriscar e se sair bem.
 
Já Don’t Shoot (I’m a Man), Mind Games, Step Up, Cameo e Human Rocket, apesar de superiores à boa parte das canções atuais, são apenas médias, daquelas lá atrás entrariam no lado B dos discos. Mas, mesmo os lados B costumam ter uma grande canção, e essa é March On, que fecha o álbum. Moderninha, como o som do Devo, sempre foi, mesmo que soe basicamente como trilha de uma festa trash.
 
Aí você pode jogar a seguinte pergunta: Como uma banda que não faz absolutamente nada de novo pode ter um disco considerado um dos melhores do ano? Simplesmente por não querer reinventar a roda. Se o rock se mistura à música eletrônica, pode ter certeza que teve a mão do Devo, e isso bem antes de você ter nascido.

E para quem não tem ideia do que seja o de-evolution, aí vai uma explicação simples, mas que ajuda a entender a dinâmica da banda: teoria que mostra que a raça humana está regredindo, no lugar de evoluir e que se baseia em um panfleto antidawinista que foi batizado pelo Devo como de-evolution. 

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