Ed Motta - Piquenique

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Ed Motta é um grande estudioso da música brasileira – e da gringa também -, talvez por isso não seja de admirar as mudanças que cada novo disco traz para seus ouvintes. O cantor e compositor já passeou pelo soul, jazz e MPB e, com Piquenique, seu décimo trabalho solo, faz seu álbum mais pop. O disco também marca o começo da parceria entre Ed e sua esposa Edna Lopes que, com exceção de Nefertiti (composta em parceria com Rita Lee), são responsáveis por todas as composições.

Ser pop, no caso de Ed Motta, não quer dizer falta de qualidade, ao contrário. Todos os trabalhos do cantor, fazendo sucesso ou não, primam por uma qualidade acima da média para trabalhos produzidos por artistas brasileiros. Essa preocupação, infelizmente, não quer dizer que Piquenique seja um disco sensacional, afinal, traz os mesmos elementos que fizeram o músico estourar no começo da década com músicas como Fora da Lei e Colombina.

Por outro lado, mostra um Ed Motta menos preocupado com as experimentações e sem soar pretensioso como em alguns de seus trabalhos anteriores. Ouvir canções como Pé na Jaca e Minha Vida com Você te obrigam a fazer a seguinte pergunta: por que o cantor se arriscou em estilos tão distantes do pop? Afinal, é isso que ele faz melhor.

Não é difícil, também, encontrar ligações entre Piquenique e aquele Ed Motta que, no final dos anos 80 e começo dos 90, ainda respondia como Ed Motta e Conexão Japeri – e foi responsável por clássicos do pop nacional como Manuel e Vamos Dançar. Canções de refrão fácil e que rapidamente podem te colocar pra dançar, ou pelo menos batucar na mesa enquanto curte o trabalho. Ouça Turma da Pilantragem, com participação da cantora Maria Rita, e depois volte aqui.

E não pensem que é fácil fazer pop no Brasil. O termo ainda é considerado pejorativo por muita gente, mas não existe outra palavra que seja coerente com o que ouvimos entre as 12 canções de Piquenique. Temos uma linda balada, a canção Carência no Frio, por exemplo, que se for enviada para as rádios embalará o coração de muitos casais apaixonados.

Temos, também, o funk que dá nome ao disco, que rapidamente te leva para o som feito nos anos 1970, com baixo cadenciado e backing vocals de Marya Bravo, que foi responsável pela canção da marca Cremogema – também da década de 70. Mas nem sempre Ed acerta. Nefertiti, escrita por Rita Lee – e que é o nome de um dos gatos da cantora – abre uma parte, digamos, não tão inspirada desse décimo disco, com uma batida repetitiva e com arranjo que não condiz com o resto do que ouvimos no álbum.

Por outro lado, encontramos nas letras uma faceta ainda não muito conhecida de Ed Motta. Ed sempre foi conhecido como um intérprete, mas agora resolveu dar a cara pra bater, ao lado da esposa, e surpreende. A experiência de Edna Lopes com histórias em quadrinhos fez a diferença na hora de compor letras como as de Compromisso e Nicole Versus Cheng. Esta última considerada pelo próprio Ed como a que ele mais gosta de cantar.

Se esse disco fará com que ele volte ao topo das paradas, ninguém sabe, já que o gosto musical do brasileiro não é dos mais apurados, mas é inegável que o cantor reencontrou seu caminho no pop nacional.

Álbum: Ed Motta – Piquenique
Selo: Trama
Ano: 2009


 

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