Mallu Magalhães

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Se Mallu Magalhães tivesse 30 anos, ela não existiria no mundo pop. Destino provável: estaria tocando em seu quarto nas horas vagas de seu emprego público. Serviu de marketing o fato de compor com tão pouca idade (nem tão pouca se lembrarmos que Mozart começou a compor minuetos para cravo aos cinco anos) e também o auxilio da divulgação via internet, o que não quer dizer que ela seja realmente boa: Mallu é fruto de uma época estranha, em que a qualidade vem em segundo, terceiro plano. O que importa é o inusitado.

No entanto, ela está fazendo a parte dela, que é gravar discos e crescer em frente ao público, e isso abre boas perspectivas para o futuro. Sim, porque ao contrário das bandas novatas cujo terceiro disco define realmente o que o artista tem a dizer, Mallu talvez se transforme em algo grandioso ali pelo quinto, sexto álbum. Talvez. Por enquanto, ela não chama a atenção pela qualidade de suas canções, mas sim pela postura (calculada?) nonsense em entrevistas e pelo fato de ser uma compositora menor de idade.

Assim, Mallu Magalhães, segundo disco homônimo da cantora (e primeiro de um contrato de cinco álbuns com a major Sony), é uma colagem/bobagem pop que abraça o folk e a MPB e sai a bailar por um cenário lúdico que mais parece um quarto colorido de criança. É tocante ver a inocência em estado bruto de alguém que ainda não trocou de pele, que ainda não levou uma rasteira da vida e muito menos comeu o pão que o diabo amassou por amor. Falta dor e maldade ao disco, e a inocência exagerada constrange.

A influência do namorado Marcelo Camelo (e, por conseqüência, do Los Hermanos) desabrochou e pode ser vista em números como “Versinho de Número 1”, “Compromisso” ou mesmo no reggae “Shine Yellow” (e mais umas quatro canções). Mesmo com o tom de voz não ajudando nem um pouco, Mallu canta mais canções em português neste segundo disco. Há arranjos de cordas na boa “É Você Que Tem” e participação de Mauricio Takara (Hurtmold) na bateria e percussão em cinco músicas e de Camelo fazendo vocais em três e assoviando outra.

Mallu transpira honestidade, mas estamos falando de música, não de empréstimo de dinheiro. O fato de ter 17 anos não pode servir como desculpa para que a tratem de forma conivente. Assim, Mallu Magalhães é um disco bonitinho que não incomoda se tocado em uma sala de espera de dentista, e pode até ninar bebês recém-nascidos. Mais que isso é exagero. Mallu vai crescer (mais do que os 10 centímetros que cresceu de 2008 para 2009), vai sofrer e, talvez, escrever grandes canções. Uma grande artista pode estar surgindo, mas só vamos descobrir isso daqui uns cinco, dez anos. Quem quiser esperar…

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