Ludov - Caligrafia

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O Ludov começou a carreira nas cinzas do Maybees, banda que cantava em inglês e chamava atenção no mundinho indie paulistano. Seu primeiro EP foi uma sensação, Dois a Rodar, nome do EP, entrou em várias listas de melhor álbum do ano e o que era apenas mais uma banda indie, começou a trilhar um caminho que poderia levá-los ao estrelato.

Veio o primeiro álbum cheio, o ótimo disco O Exercício das Pequenas Coisas (2005), pela Deck Disk, que via no Ludov a chance de soltar no mercado uma banda pop de qualidade. Vendeu pouco, afinal, pop de qualidade não interessa para as massas que ouvem rádios populares, e o grupo foi dispensado. Dois anos depois, lança Disco Paralelo, pelo selo Mondo 77, que provou que o Ludov poderia ser uma grande banda independente brasileira, daquelas que não tocam em rádio, mas que, graças à internet, conseguem se manter em evidência.

Agora, em 2009, os paulistanos chegam ao seu terceiro trabalho, o álbum Caligrafia, que teve show de lançamento no último sábado, aqui em Sampa. O que dizer de Caligrafia? Bom, é o mesmo Ludov que gravou Dois a Rodar e Kriptonita - duas das mais interessantes canções do pop nacional -, mas também é um outro Ludov, cada vez mais próximo à MPB e ninguém ainda sabe se isso será bom ou não para a banda. Outra ponto a ser destacado: Vanessa Krongold faz toda a diferença em relação ao som do Ludov, já que quando Habacuque Lima resolve cantar, o grupo se torna apenas mais uma banda comum, destas que vemos aos montes tentando um espaço pela noite de São Paulo.

Por incrível que pareça, pelo menos em relação às canções de Caligrafia, o Ludov soa melhor em disco que ao vivo. O show de lançamento, por exemplo, recheado de novas músicas, foi cansativo e arrastado, bem diferente do que ouvimos nos pouco mais de 38 minutos do álbum. Faixas como Mecanismo, com sua levada entre a bossa nova e o samba, não faz juz ao grupo que criou Supertrunfo e Princesa. Paris, Texas, outra na voz de Habacuque - que também canta em Madeira Naval e O Seu Show é Só Pra Mim - parece ter saído de qualquer banda desconhecida de Porto Alegre e deixa transparecer que o principal letrista do Ludov, o guitarrista Mauro Motoki não estava assim tão inspirado quando começou a compor para o disco.

Por outro lado, Caligrafia traz algumas das melhores músicas que você ouvirá este ano. Reprise é linda, perfeita, com uma boa letra e a bonita voz de Vanessa. Da mesma forma a faixa que abre o trabalho, Luta Livre, com jeitão das bandas femininas dos anos 80, te convida para, pelo menos, bater os pézinhos enquanto a canção sai dos alto falantes. Da mesma forma Terrorismo Suicida, com seu arranjo mais cru, poderia ter saído há uns 25 anos que não faria feio. Já Vinte Por Cento, se não lembrasse Los Hermanos, seria perfeita.

A explicação para tantos altos e baixos pode estar na produção, à cargo da dupla Motoki/Habacuque. Só isso explica a "cópia" de Maria Bethânia em Não me Poupe. Letra linda, arranjo maravilhoso, com violoncelo e um clima soturno. Mas aí que está, será que a voz de Vanessa teria que ficar tão pra baixo? E o que foi aquele clima de tango lá pelos dois minutos da música? Por outro lado, é a típica canção que os fãs vão adorar e massacrar quem dizer que não é uma boa faixa. E Magnética? Bonitinha e bobinha, nada mais que isso, é MPB até a alma e talvez indique o que esperar da banda daqui pra frente.

Sei que quem tiver chegado até aqui ficará com a impressão de que não gostei do novo álbum do Ludov. Na verdade gostei. O ouço desde a semana passada quase sem parar - culpa de uma colega de trabalho fissurada pela banda - e sei que o disco tem seus méritos. Mas, levando em consideração o que já foi feito pelo quarteto, fica um ar de: poderia ter sido melhor. Mas seria pedir muito que todos os discos de uma banda se tornassem "melhores do ano", não?

Não tem dinheiro para compra-lo? Acesse www.ludov.com.br e baixe todas as canções do trabalho. Mas você pode ganhá-lo aqui na DropMusic. Cadastre seu e-mail em nosso mailing e concorra a um CD, camiseta e lápis do Ludov. O sorteio será no dia 15 de setembro.

Álbum: Ludov - Caligrafia
Ano: 2009
Selo: Inker Agência Cultural

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