Argentina

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Mas olha lá uma velinha acesa no fim do túnel. Como existe um certo intercâmbio entre as bandas brasileiras e as de outros países, os fãs acabam procurando informações sobre essas bandas também e conseguem ter boas surpresas. Não é preciso citar que Fito Paez só ficou realmente conhecido por aqui graças aos trabalhos com o Paralamas, mas tem fã do Pato Fu indo atrás do trabalho do Aterciopelados, só porque estes foram comentados pela Fernanda Takai não sei onde. Pois é, é pouco ainda, mas já é um começo. Se nossos artistas conseguem entrar no mercado argentino, por exemplo, por   que   as bandas argentinas não entram aqui? Deveria ser uma via de mão dupla, mas não é.


Bom, parando com a enrolação, vamos dar uma voltinha até Buenos Aires, onde fica o selo Bourbon Records (www.bourbonrecords.com), responsável por alguns bom lançamentos no rock independente argentino. Sensacional Plasma, Corazones Muertos saíram pelo Bourbon e Satan Dealers pela Scatter Records.

Sensacional Plasma

A Sensacional Plasma está no mercado desde 97, depois de ter passado por várias formações e ter tido vários nomes. No começo, além de algumas composições próprias, tocavam covers de Guns and Roses, Creedence, Kiss, Faces, Cinderella, Aerosmith, LA Guns, Poison, The Beatles, Ramones, Alice Cooper. Lançam em 99 o primeiro disco Cafe Americano. No novo disco as influências são as mesmas Guns, Kiss, Poison, o chamado hair metal em doses cavalares intercalados com punk à lá Offspring e até toques de Motorhead. Tudo isso foi condensado em apenas uma faixa, EuroGlitterCyberPunkBoy, que abre o disco.

Com essa pequena introdução já dá pra perceber o que a banda faz, hard rock dos anos setenta e oitenta, com pitadas de punk e eletrônica. Nada assim diferente do que está estourando lá fora, com o detalhe de que eles já faziam esse som há 6 anos, ou seja, não estão pegando nenhuma moda passageira, fazem o que gostam. O grupo se destaca nas faixas Be My Lover, um Alice Cooper com bateria eletrônica e teclados viajantes junto com refrão rocker - faria sucesso nas pistas de dança de uma Fun House - e nos rocks Amorous (Travesti) e El Rey (olha o Motorhead aí gente), uma das duas faixas cantadas em espanhol, a outra é Cafe Americano. Até Santana aparece no trabalho do Sensacional Plasma, com direto a flauta e tudo o que eles têm direito, até cair no rockão em Too Dark to See. Na verdade EuroGlitterCyberPunkRock, tem muito mais Glitter, Punk e Rock do que Euro e Cyber, procure pela net a versão bagaceira de Space Oddity feita pela banda e vão entender o que eu disse, eles só erram a mão quando soam parecidos com o Offspring.

Corazones Muertos

Parece papo de quem vê os anos 90 como a geração perdida do rock mundial. Mas Generacion Perdida é o nome do novo disco da banda Corazones Muertos. Com um visual que lembra bastante os nossos amigos do Forgotten Boys (que por coincidência, ou não, está em uma coletânea lançada pela Bourboun Records, junto com o Corazones Muertos e Sensacional Plasma), também fazem um som calcado no rock dos anos 70 e 80, até o riffzinho de You Could Be Mine foi surrupiado e entra em Cuantas Veces. Com forte influência de bandas como o Sweet, New York Dolls, Stooges e Aerosmith em começo de carreira, os Corações Mortos aprenderam direitinho a lição de casa. Rock meio bebum em boteco de quinta categoria, com cerveja quente, galera falando alto e mesmo assim com todo mundo se divertindo.

Generacion Perdida parece realmente indicar que os anos 90 foram perdidos, já que tudo o que a banda toca parece mais familiar às décadas anteriores e, tirando a eletrônica, são muito parecidos com o pessoal do Sensacional Plasma. Mesmo não fazendo nada fenomenal, algumas faixas chamam a atenção e te fazem voltar a elas várias vezes, Dulce Sueño é uma delas, quase uma balada com refrão pra lá de grudento.  Tudo bem que os mais de cinco minutos da música ajudam a gravar a letra. O blues caindo para o country em En El Altar, é outra música que você tem que tentar encontrar pela net, já que no site deles não dá pra baixar nada. Corazones Muertos é festa, é cerveja, é rock and roll, é alegria. Ouça Vagabunda, Mala Suerte e Mi Rock & Roll, depois volte a falar comigo...

Satan Dealers

Com seu segundo disco, The Brightest View, lançado a pouco tempo, o Satan Dealers é mais uma banda que pega a onda do rock dos anos 60, 70 e 80, coisas já citadas como New York Dools, Ramones, Stooges e MC5, e chega a lembrar o trabalho do Cramps com seu psycobilly tresloucado. Uma mistura de punk com hard-rock que parece estar fazendo a festa da molecada tanto aqui no Brasil como na Argentina. O chato é que pra falar do Satan Dealers vou acabar soando repetitivo, já que muito do que poderia comentar já foi feito mais acima com o Corazones Muertos e Sensacional Plasma. Rock largado, lerdo, a versão para Bette Davis Eyes, clássico dos anos 80, mostra bem isso. O que diferencia o Satan das outras é a constância em suas músicas, todas estão em um mesmo nível, não havendo alguma que você queira pular, diferente das duas outras bandas citadas onde algumas faixas soam descartáveis.

Uma certeza, se a banda fosse americana ou inglesa, já teria estourado por aqui, eles não devem nada a Kings of Leon, Yeah Yeah Yeahs e afins, pelo contrário, mandam muito melhor que essas coqueluches da imprensa mundial, e até brasileira. Faixas como They Try To Shooted But They Missed (o Cure em versão punk), Sometimes You Should Ask Yourself (outro Cure, a introdução lembra The Forest), Love Have Nails And Hurts (com um riff que deixaria o Slash babando) e How Hard It Is to Fix (Motorhead na cabeça) são faixas que apenas confirmam a afirmação que fiz acima.

Por Valdir Antonelli

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