Chile

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Voltando à nossa série, que tenta mostrar um pouco do que é feito na música nos países que rodeiam o Brasil, chegamos ao Chile, um dos primeiros países a ter sua economia livre dos problemas, mérito, gostemos ou não, dos militares que comandaram o país durante muitos anos. Claro que tal calmaria teve o dedo dos presidentes civis que chegaram depois do final da ditadura, um tantinho diferente do Brasil, não acham.

Começamos, então, pelo reggae feito pelos chilenos do Gondwana, que lembra bastante o pop/reggae feito pelo Cidade Negra, mas sem a temática social dos brasileiros, com uma batida cadenciada, mais parecido com o reggae ´branco´ feito pelo UB40 do que aquele vindo dos seguidores de Bob Marley. As quatro canções liberadas no MySpace são baladas tipicamente reggaeiras, um tanto parecidas, mas gostosamente dançantes. Se a EMI, que tem contrato com o Gondwana, lançasse esse disco por aqui, e fizesse um bom trabalho de divulgação, faria a banda, rapidamente, cair no gosto da moçadinha fã de reggae.

Outra banda que aparece com destaque quando pesquisamos sobre artistas chilenos é o grupo Los Bunkers. No perfil editado por eles no portal, indicam ser uma banda indie, bom, se isso quer dizer independente eles estão totalmente certos, mas quanto ao estilo, bom, o Los Bunkers parece uma boa banda pop, com influência de Beatles, em Mino, e até mesmo de jazz, como ouvimos em Llueve Sobre La Ciudad. O indie, da forma que conhecemos, aparece apenas em Mientele, portanto, talvez,  banda seja realmente indie, vai saber. O Los Bunkers é a típica banda que encontramos na OUTS em uma sexta-feira, mas, diferentemente das bandas brasileiras, que lançam um disco hoje e o outro só daqui três ou quatro anos, os chilenos já têm quatro álbuns de estúdio, um ao vivo e dois DVDs lançados desde 1999, quando a banda foi criada.

Com visual emo, e som bem pop, o Kudai é outra que se vende como indie ou alternativo. Formado por dois rapazes e duas garotas. Com dois discos lançados, o último em 2006, o Kudai é outra atração da EMI chilena. Difícil não lembrar dos mexicanos do Rebelde quando ouvimos as canções deste quarteto. O visual rebelde, com direito a tatuagens e piercings funciona apenas como chamariz para adolescentes, porque seu som... bom, dificilmente algum pai reclamaria das canções bobinhas.

Totalmente diferente é o som do trio Lucybell, este sim influenciado pelo novo rock, com direito a guitarras ardidamente distorcidas e arranjos beirando ao minimalismo. Tudo o que os Strokes fazem, com a diferença que os chilenos lançaram seu primeiro disco em 1995. No release do grupo está escrito que são uma das bandas que mais vendem no Chile. Acredito nisso, o perfil deles no MySpace é o terceiro mais visitado entre as bandas deste país. Com uma carreira já estabelecida, e trabalhando em seu sétimo disco, o Brasil, logicamente, não está nos planos do grupo, diferentemente das bandas argentinas, que vêem o Brasil como mais um mercado, acertadamente o Lucybell partiu para o mercado latino norte-americano, algo que muitas bandas brasileiras também sonham, mas que dificilmente conseguirão realizar.

Outra demonstração de que os músicos brasileiros, principalmente os de black music, ainda precisam aprender muito em matéria de produção e arranjos. Os chilenos do Hordatoj mostram estar mais próximos do mercado norte-americano do que apenas da América Latina. Mesmo quem não se interessa pelo estilo tem que concordar que argentinos, e agora os chilenos, têm uma visão muito mais abrangente que seus pares brasileiros, ainda muito ligados ao gueto e às mazelas do nosso país. Nada contra, mas, o discurso político e social as vezes cansa, ainda mais quando os arranjos não ajudam. Ponto para nossos hermanos.

Por último, pelo menos nesta edição, o pop/rock de Francisca Valenzuela, garota ainda, com apenas 20 anos. Seu trabalho, no pouco que você consegue ouvir no MySpace, lembra uma Siouxsie and the Banshees com ar muito mais new wave e dançante, vide Muerdete La Lengua. Mas não é só isso, Francisca também flerta com o Jazz, na bela Dulce. A linda voz da cantora também é um ponto a ser comentado. Esqueçam Shakiras, J-Lo´s ou qualquer outro tipo de estereótipo que você tenha sobre cantoras latinas. Francisca Valenzuela não lembra nada disso e, caso cantasse em inglês, já estaria entre as queridinhas do mundinho indie brazuca. Não acredita?

Por Valdir Antonelli

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