Edição 4 - 06/02/2008
Written by Valdir Antonelli Tuesday, 05 February 2008 21:00
Woven Hand
- Há muito tempo queria comentar sobre o trabalho deste grupo do
Colorado, nos Estados Unidos. O Woven Hand é basicamente uma banda de
um homem só, David Eugene Edwards (foto), que é quem compõe e dita os
arranjos. O nome do grupo foi tirado da posição que as mãos ficam
durante uma oração, deixando clara a influência cristã no trabalho de
Edwards - seu pai era um pastor que viajava os Estados Unidos pregando.
Em uma rápida audição, é possível que você o jogue no balaio da música
gótica, principalmente pelas canções disponíveis no MySpace - uma
pequena amostra dos quatro álbuns já lançados pela banda. A verdade é
que o Woven Hand passeia por várias outras praias como country, blues,
progressivo, folk, entre tantas outras referências. Seu som é denso,
claustrofóbico, depressivo. A voz de David Eugene Edwards, aliada a
arranjos cheios de órgãos, bateria pesada, texturas celtas, é
totalmente envolvente e levemente teatral, portanto comparações com
Nick Cave, apesar de exageradas, não são totalmente errada.
March Violets
- Como nem só de novos artistas o MySpace vive, é provável que você
encontre bandas que fizeram um certo sucesso no passado, mas sumiram
sem deixar rastros, é o caso do pessoal do March Violets. Nascidos mais
ou menos na mesma época de Sisters of Mercy, Red Lorry Yellow Lorry e
Fields of the Nephilim, o grupo gravou apenas vários singles, que
renderam apenas compilações. No ano passado, o grupo resolveu que era
hora de voltar e colocaram no MySpace a canção Cut Down So Pretty,
inédita do grupo. As demais, apenas três, foram tiradas de seus
primeiros trabalhos. A banda, muito comparada ao Sisters of Mercy - seu
vocalista era considerado pela crítica como uma versão mais pobre de
Andrew Eldritch - nunca deixou o gueto underground, apesar das boas
composições encontradas em Botanic Verses, última coletânea da banda,
com todos seus singles. Se você gosta de Bauhaus, Mission e do pós-punk
oitentista, é bem capaz de curtir o som do March Violets.
Great River Gun Club -
Ao ouvirmos o trabalho da dupla por trás do Great River Gun Club,
ficamos com a impressão de que o mundo é colorido, todos vivem em paz e
o ser humano é o mais correto ser vivo do nosso planeta. Folk rock, com
pitadas de Seal - principalmente a voz -, e um ar pop que faria bem à
programação das nossas rádios. Seu primeiro álbum, Friends &
Enemies, foi lançado no ano passado, mas não atraiu a atenção da
crítica especializada, numa rápida busca no Google, encontramos poucas
referências ao trabalho da dupla. No MySpace você ouve todas as canções
do grupo e no site da banda, você consegue baixar o álbum inteiro.
Lights - A
última dica é do Canadá, a pequenina Lights - sim, ela se apresenta
desta forma no release. Apenas três doces canções, embaladas pela
pequena e infantil voz da garota, lembrando Kylie Minogue. Suas canções
são pequenos exemplos de brincadeiras indies, com pitadas da new wave,
e levemente ligadas ao pop feminino que infesta as rádios desde os
tempos de Madonna. Mas esqueçam Britneys e toda sua parafernália para
mostrar-se mais sexy do que realmente é, o trabalho de Lights está um
patamar acima, como ela mesma diz, seu trabalho é para deixar os
ouvintes felizes, não sexualmente felizes, mas felizes ao comerem um
pedaço de torta de maça. Pena que são apenas três canções, então ouça,
pelo menos, Last Thing on Your Mind.
Por Valdir Antonelli

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