New Wave

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Comparado ao Pós-punk, a New Wave era algo mais simples e mais pura, e também conservava a irreverência característica do Punk Rock. Mas tinha uma diversidade musical muito maior. Por um lado tínhamos artistas que apostavam em algo mais rock, como Nick Lowe e a banda XTC. Do outro, apareciam artistas mais ligados à música eletrônica como Gary Numan. Também tínhamos bandas que apostavam num som caribenho (Kid Creole and the Coconuts), psicodélico (Television e B-52’s), experimental (Pere Ubu), pop (Blondie e B-52’s), funk (Talking Heads), entre outros, ou seja, uma verdadeira salada que devia deixar os críticos musicais totalmente malucos. Com o passar do tempo houve uma nova cisão, e vários grupos, antes considerados New Wave, passaram a usar outro rótulo: o de Synth Pop. É o caso de Human League, ABC, Heaven 17...

Mas a essência da New Wave vem diretamente de bandas como New York Dolls, Stooges, MC5 e toda a nata do Punk Rock americano. E até mesmo de artistas não considerados punks, como o Velvet Underground e a cantora americana Patti Smith, a mãe da New Wave. Foi graças aos discos Horses e Radio Ethiopia, ambos de Patti Smith, que a banda de David Byrne, o Talking Heads, debutou em 1977. E foi justamente com eles que o punk se fundiu ao funk. Basta lembrar de Psycho Killer para ver como esta mistura funcionou.

Outra banda bastante marcada pelo trabalho da cantora foi o Television, que escolheu trilhar por outros caminhos, mas sempre misturando diversos estilos. A banda de Tom Verlaine gravou um disco clássico, Marquee Moon, onde pegava sons dos anos 60, principalmente a psicodelia, unindo-as a Beatles e à crueza dos arranjos do punk rock.

Mas a maioria das bandas, pelo menos as que conseguiram um destaque maior, não enveredavam pelo caminho do experimentalismo. Quando o faziam, era algo extremamente sutil. Grupos como Blondie, que flertava com a disco music (e também com funk, punk, etc, etc, etc), Cars (banda liderada por Rick Ocasek, com pitadas de música eletrônica e altas doses de pop) ou o B52´s (com aqueles cabelos bufantes, bem anos 60, e visual ultra-colorido) eram os que realmente chegavam ao grande público. Muito graças, também, ao lendário clube nova-iorquino CBGB´s, que, de templo punk, passou a acolher com extrema boa vontade esta leva de novas bandas, tornando-se uma referência quando se falava no novo som que estava surgindo.

Enquanto isso, do outro lado do Atlântico a New Wave seguia mais de perto os passos do papai punk rock. Grupos como Stranglers (que, com um trabalho mais lírico e com letras e instrumental muito bem trabalhados, chegou a ser comparado com bandas progressivas), XTC (seguindo os Beatles, mas com mais peso e letras irônicas) ou ainda o Fall, que conseguia soar punk mesmo com arranjos mais arrojados, davam o tom ao movimento na terra da Rainha. Ainda pela Europa, surgiam bandas que se dedicavam ao lado mais eletrônico, e que, como eu coloquei lá no começo, acabaram se desgarrando da boiada: Japan, Ultravox, Depeche Mode e toda uma gama de grupos que para muita gente jamais poderiam ser chamados de New Wave. Se fossemos listar todas as bandas podem ter certeza que o espaço que temos para esta matéria seria muito pequeno.

Uma outra faceta da New Wave, esta tenho certeza que irá causar uma pequena revolução entre os leitores, é o que ficou conhecido como gótico ou dark. Seguindo a ótica de que os grupos faziam algo mais puro e simples, o som feito por bandas como Joy Division (extremamente próximo ao punk), ou os primeiros trabalhos do The Cure, Siouxsie, Bauhaus ou Killing Joke, também pode ser classificado como New Wave. Estas bandas, mesmo sendo amadas por quem curte o rock gótico, tem uma ligação muito maior com o punk/new wave do que com este último. O problema aqui é que, para maioria das pessoas, o tipo de som característico do estilo é algo mais alegre, mais colorido, tanto que o ícone do movimento é o B52´s.

E no Brasil? Bom, se lá fora já era bem difícil de se rotular uma banda e todas acabavam sendo chamadas de New Wave, aqui não foi diferente. Toda uma geração roqueira, surgida a partir de 81/82 era considerada duas coisas: ou eram punks ou new waves. Grupos como Barão Vermelho (claramente influenciados pelo trabalho dos Rolling Stones) e Ultraje a Rigor (muito ligado ao rock brasileiro de bandas como Joelho de Porco, eram jogados no mesmo saco de bandas realmente ligadas à New Wave, como o Metrô, Lobão e os Ronaldos (Lobão depois dissolveu a banda e partiu para algo mais rocker), ou a Gang 90, banda de Julio Barroso, principal representante do estilo no Brasil, mas que teve vida muitíssimo curta. Mesmo bandas puramente punks eram cadastradas com new waves, apenas por tocarem nas danceterias da moda. Para vocês terem uma idéia, um amigo meu, de adolescência, falava que Garotos Podres era New Wave. Pois é...

Complicado? Realmente é. A salada musical é muito grande. Bandas que em uma primeira audição jamais seriam chamadas de New Wave, têm, sim, ligação com este estilo. Algumas publicações chegam a colocar o período entre 1977 até 1984 como o ápice da New Wave e, a partir desta data, surgem os vários sub-gêneros. Como no Brasil as coisas demoravam a chegar, a confusão que coloquei no primeiro parágrafo acaba se justificando.

 

Foi exatamente quando a New Wave estava em seu estado terminal que ela aportou por aqui e trouxe a explosão do rock inglês e americano a reboque. É exatamente dessa época, um pouco antes até, que bandas como REM, U2, Echo and the Bunnymen, Smiths nasceram para o mundo, trazendo entre suas influências toques da New Wave.

Alguns anos depois, lá pela década de 90, alguns grupos surgiram e relembraram a estética da New Wave, muito mais pelo som, do que o visual, como o Placebo, e até mesmo hoje temos grupos como a banda americana Occupant, um dos destaques do site Mp3.com, apostando neste tipo de som...

Por Valdir Antonelli

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