New Wave
Written by Valdir Antonelli Tuesday, 25 November 2003 19:15
Comparado ao Pós-punk,
a New Wave era algo mais simples e mais pura, e também conservava a
irreverência característica do Punk Rock. Mas tinha uma diversidade
musical muito maior. Por um lado tínhamos artistas que apostavam em
algo mais rock, como Nick Lowe e a banda XTC. Do outro, apareciam
artistas mais ligados à música eletrônica como Gary Numan. Também
tínhamos bandas que apostavam num som caribenho (Kid Creole and the
Coconuts), psicodélico (Television e B-52’s), experimental (Pere Ubu),
pop (Blondie e B-52’s), funk (Talking Heads), entre outros, ou seja,
uma verdadeira salada que devia deixar os críticos musicais totalmente
malucos. Com o passar do tempo houve uma nova cisão, e vários grupos,
antes considerados New Wave, passaram a usar outro rótulo: o de Synth
Pop. É o caso de Human League, ABC, Heaven 17...
Mas a
essência da New Wave vem diretamente de bandas como New York Dolls,
Stooges, MC5 e toda a nata do Punk Rock americano. E até mesmo de
artistas não considerados punks, como o Velvet Underground e a cantora
americana Patti Smith, a mãe da New Wave. Foi graças aos discos Horses
e Radio Ethiopia, ambos de Patti Smith, que a banda de David Byrne, o
Talking Heads, debutou em 1977. E foi justamente com eles que o punk se
fundiu ao funk. Basta lembrar de Psycho Killer para ver como esta
mistura funcionou.
Outra banda bastante marcada pelo trabalho da
cantora foi o Television, que escolheu trilhar por outros caminhos, mas
sempre misturando diversos estilos. A banda de Tom Verlaine gravou um
disco clássico, Marquee Moon, onde pegava sons dos anos 60,
principalmente a psicodelia, unindo-as a Beatles e à crueza dos
arranjos do punk rock.
Mas a maioria das bandas, pelo menos as
que conseguiram um destaque maior, não enveredavam pelo caminho do
experimentalismo. Quando o faziam, era algo extremamente sutil. Grupos
como Blondie, que flertava com a disco music (e também com funk, punk,
etc, etc, etc), Cars (banda liderada por Rick Ocasek, com pitadas de
música eletrônica e altas doses de pop) ou o B52´s (com aqueles cabelos
bufantes, bem anos 60, e visual ultra-colorido) eram os que realmente
chegavam ao grande público. Muito graças, também, ao lendário clube
nova-iorquino CBGB´s, que, de templo punk, passou a acolher com extrema
boa vontade esta leva de novas bandas, tornando-se uma referência
quando se falava no novo som que estava surgindo.
Enquanto isso,
do outro lado do Atlântico a New Wave seguia mais de perto os passos do
papai punk rock. Grupos como Stranglers (que, com um trabalho mais
lírico e com letras e instrumental muito bem trabalhados, chegou a ser
comparado com bandas progressivas), XTC (seguindo os Beatles, mas com
mais peso e letras irônicas) ou ainda o Fall, que conseguia soar punk
mesmo com arranjos mais arrojados, davam o tom ao movimento na terra da
Rainha. Ainda pela Europa, surgiam bandas que se dedicavam ao lado mais
eletrônico, e que, como eu coloquei lá no começo, acabaram se
desgarrando da boiada: Japan, Ultravox, Depeche Mode e toda uma gama de
grupos que para muita gente jamais poderiam ser chamados de New Wave.
Se fossemos listar todas as bandas podem ter certeza que o espaço que
temos para esta matéria seria muito pequeno.
Uma outra faceta da
New Wave, esta tenho certeza que irá causar uma pequena revolução entre
os leitores, é o que ficou conhecido como gótico ou dark. Seguindo a
ótica de que os grupos faziam algo mais puro e simples, o som feito por
bandas como Joy Division (extremamente próximo ao punk), ou os
primeiros trabalhos do The Cure, Siouxsie, Bauhaus ou Killing Joke,
também pode ser classificado como New Wave. Estas bandas, mesmo sendo
amadas por quem curte o rock gótico, tem uma ligação muito maior com o
punk/new wave do que com este último. O problema aqui é que, para
maioria das pessoas, o tipo de som característico do estilo é algo mais
alegre, mais colorido, tanto que o ícone do movimento é o B52´s.
E
no Brasil? Bom, se lá fora já era bem difícil de se rotular uma banda e
todas acabavam sendo chamadas de New Wave, aqui não foi diferente. Toda
uma geração roqueira, surgida a partir de 81/82 era considerada duas
coisas: ou eram punks ou new waves. Grupos como Barão Vermelho
(claramente influenciados pelo trabalho dos Rolling Stones) e Ultraje a
Rigor (muito ligado ao rock brasileiro de bandas como Joelho de Porco,
eram jogados no mesmo saco de bandas realmente ligadas à New Wave, como
o Metrô, Lobão e os Ronaldos (Lobão depois dissolveu a banda e partiu
para algo mais rocker), ou a Gang 90, banda de Julio Barroso, principal
representante do estilo no Brasil, mas que teve vida muitíssimo curta.
Mesmo bandas puramente punks eram cadastradas com new waves, apenas por
tocarem nas danceterias da moda. Para vocês terem uma idéia, um amigo
meu, de adolescência, falava que Garotos Podres era New Wave. Pois é...
Complicado?
Realmente é. A salada musical é muito grande. Bandas que em uma
primeira audição jamais seriam chamadas de New Wave, têm, sim, ligação
com este estilo. Algumas publicações chegam a colocar o período entre
1977 até 1984 como o ápice da New Wave e, a partir desta data, surgem
os vários sub-gêneros. Como no Brasil as coisas demoravam a chegar, a
confusão que coloquei no primeiro parágrafo acaba se justificando.
Foi
exatamente quando a New Wave estava em seu estado terminal que ela
aportou por aqui e trouxe a explosão do rock inglês e americano a
reboque. É exatamente dessa época, um pouco antes até, que bandas como
REM, U2, Echo and the Bunnymen, Smiths nasceram para o mundo, trazendo
entre suas influências toques da New Wave.
Alguns anos depois,
lá pela década de 90, alguns grupos surgiram e relembraram a estética
da New Wave, muito mais pelo som, do que o visual, como o Placebo, e
até mesmo hoje temos grupos como a banda americana Occupant, um dos
destaques do site Mp3.com, apostando neste tipo de som...
Por Valdir Antonelli

Especiais 


