Gótico
Written by Valdir Antonelli e Danilo Corci Saturday, 25 June 2005 18:57
Letras recheadas de melancolia e pessimismo, junto
com timbres de teclados soturnos era a característica marcante do jeito
alemão pós-punk. Este estilo tornou-se quase uma convenção, a que se
atribuiu o rótulo gótico por uma aproximação latente à arquitetura
gótica, com anjos e demônios, de
referência à adeidade (falta de
deus, fé) dos elementos, fruto direto do termo medieval. O encontro com
a literatura, em especial do movimento Romântico, também é uma
característica marcante, além da moda, que é um elemento crucial do
estilo, que desde seu início foi e é ligado mais à estética do que
propriamente a uma filosofia. Melancolia, morbidez e seus frutos
diretos não é exclusividade gótica, ainda mais quando se leva em
consideração a música propriamente dita.
Voltando um pouco mais
no tempo, vemos que esse som mais down, já era algo razoavelmente
presente na música alemã. Desde a década de 60, grupos já se mostravam
mais depressivos que seus congêneres ingleses, que viviam a ascensão
dos Beatles e de um rock, digamos, mais alegre. Com a chegada dos new
romantics, esse som mais depressivo começou a ser absorvido pelos
jovens ingleses, os verdadeiros responsáveis pela ´explosão´ do gênero.
Alguns grupos, sabidamente pós-punks, Joy Division por exemplo, foram
lançados no caldeirão gótico. O Joy Division, inclusive, é considerado
o "pai" do estilo. Era o final da década de 70 e logo no limiar dos
anos oitenta, o gênero iria viver seu apogeu. O estouro do estilo rolou
no meio dos anos 80, quando grupos como Sisters of Mercy, Southern
Death Cult (que depois viria a ser o Cult), Bauhaus, Cure (apesar de
soar bem punk no começo da carreira), Siouxsie, Mission, Clan of
Xymox, Christian Death e Fields of the Nephilim, entre muitos outros.
Enquanto Cure e Siouxie, por exemplo, apostavam mais na mistura com o
pop, Christian Death e Fields flertavam com o metal para assegurar sua
sonoridade.
Além deles, outra parte destas bandas, ainda nos 80,
já flertava com outros tipos de som, como a música eletrônica, medieval
e a world music, caso específico dos australianos do Dead Can Dance.
Este excesso de mistura decretou o fim do gótico no final da década,
mas foi o caldeirão efervescente que ez surgir, na década seguinte,
diversos filhotes, que receberam espertamente rótulos bacanas da
ndústria fonográfica, como coldwave, darkwave, ethereal, goth-metal e
por aí vai. Esta incursão mais a fundo no estilo, mesclando vocais
líricos, letras carregadas de misticismo e guitarras cada vez mais
pesadas dão frutos até nas rádios rock brasileiras, vide o caso dos
norte-americanos do Evanescence, mutação direta de bandas como o
Nightwish, que é, talvez, uma das principais bandas que explodiram na
década de 90. Até mesmo o caso de Marilyn Manson, o mais pop e polêmico
caso do rock gótico, que sabe usar a mídia a seu favor como ninguém
antes havia tentando.
Durante boa parte dos anos 80, os góticos,
até então chamados de darks, ainda mantinham uma certa ligação com o
movimento punk, mas aos poucos os dois grupos foram se distanciando e
hoje é muito difícil perceber algum tipo de ligação. De uma forma
preconceituosa, os punks são tachados de burros e cabeça duras. Já os
góticos passaram a se interessar por artes plásticas, literatura e
cinema, o que deu ao movimento uma aura intelectual, mesmo que muitos
dos que se chamavam góticos, apenas, pateticamente, arranhassem os
conhecimentos nestas áreas. Mesmo assim é possível afirmar que a
juventude gótica tem, de fato, mais interesse por áreas onde o resto
dos jovens só entra se for obrigado.
Outra questão ´polêmica´ é
a relação entre darks e góticos. Para muita gente o termo dark era algo
criado pelos brasileiros, e que ganhou o país depois do Reginaldo,
personagem de uma novela global, transformou os darks em motivo de
piada nacional. Para outros o nome dark realmente existiu, como
vimos,
vindo das bandas alemãs e chegando ao resto da Europa. Independentes
disso, alguns elementos são intrínsecos aos seguidores do estilo: o
gosto pela melancolia, romantismo, depressão e uma certa rebeldia
sonora.
Assim como vários outros estilos musicais, a década de
90 foi prolixa para o gótico e a fragmentação musical foi apenas uma
conseqüência direta da maneira que a indústria musical concebeu para
facilitar a vendagem e atingir o público certo, com menos trabalho. É
aí que surgem várias confusões. Bandas como o Depeche Mode, muito
ligada ao tecno-pop, acaba sendo ensacada no mesmo balaio gótico, ainda
que em algumas canções, os elementos estruturais ligados à melancolia
estejam presentes. Mas, musicalmente, é um erro crasso fazer tal
afirmação.
Mas vamos às vertentes da música gótica:
Rock
Gótico: Poderia ser chamado de gótico clássico, já que é representado
pela primeira geração de bandas ligadas ao estilo. Sisters of Mercy,
Mission, Ghost Dance. Em prática, acabou-se no final da década de 80,
sendo ressuscitado, vez ou outra, por alguma banda clone.
Pop
Gótico: Polêmico, mas esta denominação existe em vários sites,
brasileiros e estrangeiros, que tratam do assunto. São bandas que
mesclam sons mais pra baixo com momentos extremamente alegres. O Cure é
citado como uma das bandas pop.
Gótico Eletrônico: No meu tempo
era chamado de rock industrial, e não tinha ligação alguma com o
gótico. Algo como Ministry, Nine Inch Nails, Front Line Assembly,
Laibach e até o Front 242, seguindo o raciocínio dos góticos, entrariam
no balaio.
Ethereal / DarkWave: Outro subgênero que, na falta de
algum rótulo melhor, acabou sendo englobado pelos góticos. Bandas como
Cocteau Twins, Dead Can Dance e até grupos ligados a new age, podem ser
encaixados aqui. São bandas com arranjos mais leves, com letras
surreais e vocais etéreos, às vezes flertando com a música clássica.
Metal
Gótico: Este é o subgênero que mais cresce ultimamente, com as rádios
colocando algumas bandas em suas programações. Como o próprio nome diz,
mescla as guitarras pesadas do metal com arranjos soturnos, muitas
vezes misturando vocais angelicais com outros guturais. Bandas como
Tristania e Lacrimosa são alguns nomes que podemos destacar. Aqui
também poderiam entrar alguns grupos, conhecidos como Doom Metal, que
também brincam com a temática gótica e guitarras pesadas, mas, no nosso
entender, são mais ligados ao thrash metal.
E no Brasil? Pra
variar, assim como em vários outros estilos, os brasileiros fazem uma
salada gigantesca ao incluir grupos como Zero, Uns e Outros e Violeta
de Outono como bandas góticas. Os dois primeiros fazem pop/rock e o
último trabalha com rock progressivo. De fato, algumas boas bandas se
destacam no cenário alternativo, como a finada Der Kalte Stern,
entretanto nenhuma delas conseguiu extrapolar o gueto da tribo urbana,
sendo restritas apenas às pessoas que acompanham mais de perto. Na
ânsia de criarem uma cena gótica brasileira, algumas pessoas tentam
ligar a MPB ao estilo, na verdade, tentando encontrar elementos góticos
em músicas que em nada podem ser ligadas à cena. Não é por tratar de
assuntos depressivos ou soturnos, que determinado artista possa ser
enquadrado no estilo. O gótico musical brasileiro ainda carece, e
muito, de uma referência nacional, tanto em letras quanto em
sonoridade. Porque se fosse só melancolia, então estaríamos repletos de
exemplos soltos por aí, que, de fato, nunca poderiam se incluídos na
estética gótica.
Por Valdir Antonelli e Danilo Corci
- Comments
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|201.55.6.xxx |2009-08-23 23:56:30 locao - errinhoo termo gotico metal é um erro...pq nao tem ligaco es o som gotico com heavy met
al...mais existe band as e estilos ligado ao mundo sombrio e afins...as banda c
onsiderada como gotico metal sao heavy meta l sinfonico melodico...e o doom meta
l é um genero de heavy metal que q excluido e renegado...mais mu ito ligado a m
undo sombrio e afins...e o heavy met al industrial tb se encontra no movimento g
otico d evido a tematicas...
abracos espero te ajudado

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