Entrevista Credence Cover
Written by Marcia Sampaio Thursday, 07 April 2005 21:00
DropMusic: Como surgiu a idéia de fazer um trabalho cover?
Credence Cover:
Bem, pra falar a verdade, tudo começou em meados de 1989, onde
começamos a desenvolver um trabalho cover da Banda Creedence Clearwater
Revival, em proporções acústicas, para depois, tornar-se uma banda
cover.
DropMusic: Antes disso, tentaram fazer um trabalho próprio, de canções inéditas, ou sempre tiveram em mente o trabalho cover?
Credence Cover:
Sim, todos da banda ja tentaram trabalhos próprios, e até hoje em dia
tem músicos que passaram pela banda e ainda continuam tentando, acho
que é aquela " luz no fim do tunel, sabe..."
DropMusic: Como fica a identidade diante de tanta semelhança de voz e imagem ?
Credence Cover:
Bem, realmente nos Shows a semelhança torna-se bem visível e
incontestável, pois os adereços usados, juntando-se com as roupas e
finalmente a Voz irradiando Energia, ou seja, tudo isso somado aos
trejeitos, resultam em uma total semelhança com o Artista Oficial,
entretanto, acredito que todos esses fatos, não teriam resultado de
impacto final, se realmente não transbordasse de dentro do artista
cover, uma vontade na qual fizesse juz a todo esse ritual para desaguar
no ilustrissimo público amante de seu ìdolo.
DropMusic:
Eles são, respectivamente, seus grandes ídolos ou foi uma coincidência
feliz parecer fisicamente e ter uma voz idêntica à deles?
Credence Cover:
Tenho também outros artistas, de generos variados dentro do Rock´n´roll
e Country, os quais acho bem legais, em relação ao John Fogerty,
especialmente, acho que foi pela voz mesmo, porque o resto veio meio
que por acaso, aos poucos.
DropMusic: Como é a
receptividade do público nos shows? Não posso perguntar se são
confundidos porque os trêes já se foram, mas se eles ainda estivessem
aqui, com certeza seria criado uma confusão mental no público que os
assiste. Concordam?
Credence Cover: A cambada fica toda
doida, pode ser os mais velhos ou até os novos, motoqueiros..., enfim,
o que vale é você estar no clima, nesse clima de Country Folk, de
preferencia com uma garrafa de "Jack Daniels" do lado, (risos) ai fica
tudo bem climatico, ou seja, quero dizer que todos curtem muito, pedem
autográfos, e claro que no meu caso, sendo o "Artista Oficial " bem
vivo ainda, e tocando e cantando por ai, todos sabem que o que faço, é
apenas um trabalho Cover, relacionado a divulgação do som, e não a
perpetuação da imagem.
DropMusic: Como vocês analisam a respeitabilidade e a credibilidade desse trabalho tão perfeito que realizam?
Credence Cover:
Ja trabalho com bandas cover fazem muito tempo, como você pode saber,
em cada Show, cada cidade, é uma história diferente, as vezes boa, as
vezes legal, a vezes não, enfim, existem altos e baixos também, como em
todo tipo de trabalho, só que diretamente esta ligado a pessoa, então
quando vai bem, agente fica bem, e quando vai esquisito, agente também
fica esquisito, falo isso pelo resultado dos Shows.
DropMusic:
Vocês fizeram algum laboratório, como fazem os atores, para compor "o
personagem", ou vocês têm naturalmente semelhanças de personalidade,
comportamento, conceitos, com os ídolos que interpretam no palco? Há
dificuldades para exercer essa função?
Credence Cover: Um
pouco de tudo isso, acho que no meu caso é uma composição ao longo do
tempo que estou nessa praia, eu gosto do que faço e gosto ainda mais
quando proporciono junto com a banda, alegrias e sentimentos a todos.
Algumas dificuldades, no sentido geral, são encontradas, do tipo, no
meu caso, com o artista ainda vivo, tenho que seguir também sua linha
de trabalho individual (solo), e também nos shows quando agente tenta
fazer um trabalho legal de som e tudo mais, entretanto , no local de
show, as vezes não é possivel desenvolver tal resposta, em virtude de
equipamentos não tão bons ou acomodações irregulares, as que foram
solicitadas, isso tudo dificulta o Feeling do resultado do trabalho
musical, mas fazemos sempre o possível pelo melhor resultado.
DropMusic:
Qual é a sensação de estar na pele de um grande ídolo? Seria a mesma
se o trabalho de vocês fosse inédito ou a fantasia torna o glamour
especial?
Credence Cover: Muito legal, é algo atípico,
inexplicável, acho eu. Acredito que cada trabalho tem seu resultado
diferente: o próprio creio eu, traria uma satisfação real do fundo do
coração, e despejaria sentimentos os quais nem saberia agora descrever,
e , o cover, com certeza é uma satisfação de poder curtir o que você
gosta de fazer, e poder transmitir para outras pessoas, as vezes,
pessoas que nunca poderiam ver e ouvir ao vivo tal acontecimento, não
acredito ser então uma fantasia, porque ela é real e acontece, não é
abstrata, é concreta, e por isso respira e tem sentimentos.
DropMusic: Recebem carinho e apoio dos fãs dos ídolos originais ou existe animosidade por ciúme, algo desse tipo?
Credence Cover:
Muito carinho, apoio, sempre procurando trocar idéias. Somos recebidos
nas cidades em que tocamos, com bastante afinco, elas oferecem até
coisas para nós, tipo: almoço, ficar mais tempo na estadia ou na casa
de alguem para prorrogar a pousada e poder curtir melhor, e também
pedem coisas, tipo: palhetas, baquetas, bonés, tudo o que puderem obter
de recordação, é realmente bem irada essas atitudes, e nos deixam
orgulhosos da profissão.
DropMusic: Como é o
relacionamento de vocês com os outros artistas que fazem trabalhos
inéditos, quando se encontram em dfestas de prefeitura, exposições,
etc, principalmente em relação àqueles que passam por muitos obstáculos
para divulgar seu trabalho, enquanto que vocês já tem um produto
pronto, divulgado e aprovado para oferecer? Rola inveja, ciúme?
Credence Cover:
Olha, agente sempre tenta fazer com que role legal, mas as vezes, rola
algum tipo de lance que fica esquisito, do tipo, aquele lance na
passagem de som que não rolou legal(tipo o técnico ou alguém da
produção do show, deixou de dar atenção certa), ou quando o
contratante não consegue divulgar o show direito e bota a culpa na
banda, como acontece bastante em casas de shows, ou quando o cara que
deveria pagar o show antecipadamente, some coma grana, dificultando o
acerto , enfim, tocar significa em resultados diversos, os quais a
banda e o empresário devem estar sempre "com a pulga atrás da orelha",
de olho em tudo, para não ser passado para trás. Obrigado pela
oportunidade de poder participar desta entrevista. valeu...
Por Marcia Sampaio

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