Udora - julho/2008
Written by Valdir Antonelli Saturday, 05 July 2008 01:29
DropMusic:
Vocês passaram um bom tempo no exterior, e fizeram muitos shows nos
Estados Unidos, por que voltar para o Brasil e passar a trabalhar em
português?DM: Como é começar uma carreira no exterior e voltar para o Brasil, onde a realidade do mercado musical é bem diferente?
GD:
Pra gente tem sido ótimo. Se o mercado não é tão rico e as estruturas
generosas, o calor humano e o empreendedorismo das pessoas faz a
diferença.
DM:
Sei que a "era" Diesel acabou, mas é inegável que este período foi
importante para o grupo, o que vocês ainda têm deste tempo?
GD: Temos a mesma garra e a mesma vontade de compor grandes canções, embora num estilo diferente.
DM:
Algumas publicações dizem que vocês trabalham com sons típicos dos
anos 80 - e no próprio release da banda isso é citado -, além de trazer
referências dos anos 60 e 70. Como é misturar tantas influências e,
ainda assim, fazer algo realmente interessante?
GD: Essas
influências são apenas pontos de partida pra situar quem está lendo a
matéria ou release. Nosso desejo é de criar algo fincado na atualidade,
nas nossas vidas e referências que são musicalmente relevantes pra nós.
O som fica interessante depois que misturamos a bagagem do passado com
o desejo de ir pra frente e quebrar moldes pré-estabelecidos. A cada
canção escrita aprendemos mais e mais sobre como criar um som único,
que tenha personalidade própria.
DM:
O nome do último trabalho, Goodbye Alô, é uma indicação de que a banda
entrou em uma nova fase, deixando o inglês de lado e assumindo, de vez,
a língua portuguesa. Recaídas e novas canções em inglês podem surgir?
GD:
Não somos radicais. O título do disco é referente ao nosso desejo em um
determinado momento. Não quer dizer que nunca mais faremos músicas em
inglês. Gosto muito de compor em inglês e dependendo do estado de
espírito, faço músicas até em espanhol (e isso não quer dizer que
lançaremos um dia o Adeus, Hola). Goodbye Alô é só um termo que criamos
pra definir um momento específico em nossas vidas.
DM:
Vocês já trabalharam com produtores norte-americanos conhecidos, em
Goodbye Alô trabalharam com Henrique Portugal, do Skank, muito mais
ligado ao pop. Quais as diferenças e em que ele "mudou" o som de vocês?
GM:
A principal diferença é o conhecimento de cada produtor da realidade
musical de cada país. Os gringos foram importantíssimos no
desenvolvimento da nossa estética musical e o Henrique (que por sinal é
um grande produtor, arranjador e conhecedor de música brasileira)
ajudou a "traduzir" isso pra realidade brasileira.
DM:
Ouvindo o disco, fica clara a opção por músicas mais acessíveis e,
talvez por terem trabalhado com o Henrique, com um ou outro elemento
que lembra o próprio Skank. Vocês acham que este tipo de comparação
seja benéfico para a banda?
GD: Não necessariamente
benéfico ou maléfico. Achamos que até mesmo pela maior convivência
entre as duas bandas, através de shows juntos, e horas de papo em
estúdios, houve uma troca de experiências bacana entre nós, que talvez
de forma inconsciente, termine sendo refletida em alguns elementos no
som do Udora.
DM:
O disco já tem quase um ano que foi lançado, neste período o resultado
foi o esperado pela banda ou vocês acham que podem, ou devem, fazer
algo diferente?
GD: Estamos muito satisfeitos com o
resultado do disco até agora. Temos feito inúmeros shows pelo Brasil, o
disco vende bem (pra realidade dos Cds atual) e é muito legal de se ver
a forma como cada fã novo tem reagido a nossa música. Nosso público tem
crescido bastante e a perspectiva é grande para crescermos ainda mais.
DM: Pesquisando
pela net foi impossível encontrar uma resenha ou entrevista em que o
nome Diesel não seja citado. Como vocês se sentem em relação a isso?
GD:
Achamos que é parte da história da banda e não pode ser negado, apesar
de hoje eu entender que são duas bandas completamente diferentes, que
têm a mesma raiz.
DM: Mudando
um pouco de assunto, a banda trabalha é independente e sabemos o quão
difícil é encontrar espaço em rádios sem pagar o tão falado jabá, ainda
mais não estando em uma grande gravadora. Como é ter que lidar com isso?
GD:
Nós temos conseguido fazer nossa música tocar em inúmeras rádios do
Brasil, sem ter que pagar jabá, apostando na insistência, da busca pelo
relacionamento com as rádios e por muitos pedidos de fãs que ligam e
pedem Udora.
DM: Apenas para terminarmos, pode até ser cedo pra falar sobre isso, mas já existem planos para um próximo álbum?
GD:
Claro que sim. Já estamos em pleno processo de composição e gravação do
que virá a ser o sucessor do Goodbye Alô. Posso adiantar que será um
grande disco, com ótimas canções e com a mira voltada ainda mais para a
abertura do leque musical e ideológico.




