Strike - setembro/2008
Written by Valdir Antonelli Saturday, 13 September 2008 01:02
Desta
nova geração de bandas, o Strike consegue se destacar em um mar de
bandas iguais e isso só pode indicar que a banda tem algo interessante
pra mostrar para o público. Então, saiba um pouco do que passa na
cabeça do quinteto na entrevista abaixo:
DropMusic:
Cada vez mais bandas com estilo parecido com o do Strike ganham espaço
nas rádios e conquistam mais fãs. Pra vocês, por que isso acontece?
Strike:
É normal que de tempos em tempos apareçam novas bandas ganhando espaço
na mídia, essa renovação é saudável e até normal, acho que esse sucesso
se deve a busca do público pela novidade e ao trabalho sério desses
grupos. A internet ajudou muito nesse processo, viabilizou a divulgação
e o surgimento de várias bandas novas, algumas ganharam espaço na rede
e consequentemente alcançaram o maisntream, eu só não acho que tem
alguma banda nova "parecida com o estilo do Strike" tocando na rádio
atualmente.
DM:
Ainda sobre o assunto, com tantas bandas, não se corre o risco de
deixar o mercado saturado, com artistas fazendo basicamente a mesma
coisa?
Strike: No meu ponto de vista poucas bandas novas
que tocam na rádio fazem a mesma coisa, acho que todas vieram de uma
mesma safra, mas possuem características totalmente diferentes.É fato
que algumas possuem propostas parecidas, mas o diferencial entre elas é
evidente e cabe ao público, e principalmente, a crítica de um modo
geral saber distinguir essas diferenças. Eu sinto que o que pode
saturar o mercado é a falta de vontade ou "preguiça" de algumas pessoas
em conhecerem essas novas bandas, e acabarem com essa resistência em
aceitar que existe uma nova cena. Ao invés de jogarem todos os grupos
novos no mesmo balaio, com rótulos ultrapassados deixando um certo
"pré-conceito" tomar conta, ao ponto de julgarem antes mesmo de
conhecer, acho que essas pessoas deveriam é pesquisar mais ao invés de
rotular.
DM:
O disco de estréia de vocês não é novo, saiu no ano passado, mas agora,
quase um ano depois, a banda começa a despontar graças ao prêmio
Multishow, indicações para a VMB e participação em grandes festivais,
como o Gás Festival. Em algum momento vocês acharam: "putz, acho que
não vai rolar"?
Strike: Na verdade nós já estamos a um ano
participando dos grandes festivais, até tocamos no Gás Festival ano
passado, conquistamos um prêmio no VMB 2007. Marcamos presença em quase
todos festivais do maisntream e nesse ano fomos muito bem executados
nas rádios. Devido a isso nós temos motivos pra acreditar, o pensamento
positivo é presente na nossa carreira, que é isso que faz a coisa girar
mesmo com o processo sendo gradativo. Acho que do jeito que vem fluindo
pra nós é muito saudável e pode até ser o caminho mais certo.
DM:
O álbum de vocês traz algumas influências que fogem do hardcore que se
ouve nas rádios, misturando reggae e um pouco de rap nas composições.
Estas "mudanças" foram propositais, exatamente pra fazer algo diferente?
Strike:
Essas mudanças surgiram naturalmente por que são influências que sempre
tivemos e trouxemos para o Strike, e optamos em deixar no som pra ser
um diferencial também. Nossa concepção é sempre fazer o som que
curtimos fazer e que gostaríamos de ouvir em casa, por isso acabamos
incorporando outros elementos no nosso rock.
DM:
Uma parcela das críticas que vocês receberam passaram mais tempo
falando que a banda copiava grupos com o Charlie Brown Jr, CPM 22 e até
NX Zero. Como vocês recebem este tipo de comentários?
Strike:
Todas resenhas do nosso CD, até agora foram altamente positivas e eu
não me lembro de ter recebido comparações com o CPM 22 e muito menos
com o NX Zero, até mesmo por ser evidente que são propostas bem
distintas. Agora no caso de nos compararem com Charlie Brown Jr. é até
normal, eles são uma das influências do Strike e sermos comparados com
uma banda que nos influênciou é um elogio.
DM:
A inclusão de Paraíso Proibido na trilha de Malhação pode ser uma faca
de dois gumes, já que tanto pode ajudar uma banda, como pode afunda-la
de vez. Como foi a experiência pra vocês?
Strike: Foi
maravilhosa, a inclusão da música na abertura do seriado. Nos ajudou
muito a promover o CD, pois foi logo depois do lançamento. Levou nosso
som ao grande público, viabilizou vários programas de TV, aumentou
nossa execução nas rádios, com tudo isso acho bem difícil afundar uma
banda, depois de uma experiência dessa. Lulu Santos e CBJR são prova de
que ter uma música numa trilha, como essa, só agrega valor ao trabalho.
No nosso caso soubemos aproveitar muito bem essa oportunidade.
DM:
Quase todas as bandas têm como meta lançar um disco por gravadora
renomada,a grande maioria nunca consegue. Vocês já estrearam desta
forma. Como está sendo o trabalho junto à Deck?
Strike:
Acho que estreamos desse forma por conta do resultado que nossa demo
acabou atingindo. Na verdade nós nem esperávamos isso acabou nos
surpreendendo, por outro lado se não sentissemos segurança na demo,
mesmo com a gravadora querendo muito, nós não teriamos lançado o CD
naquele momento. O trabalho com a Deckdisc vem rendendo ótimos frutos,
é uma gravadora que faz um trabalho honesto 100% independente.Tudo lá é
na base de muita raça e como viemos do underground foi muito fácil nos
adaptarmos a essa filosofia. O trabalho paralelo a gravadora também
ajuda bastante.
DM:
Vocês venderam, até agora, mais ou menos 10 mil discos, um bom número
para uma banda iniciante. Por outro lado, sabemos que o público do
Strike é formado por jovens, mais interessados em baixar música que
pagar para ter o álbum. Como vocês lidam com este tipo de pirataria?
Strike:
Na verdade esse número já foi superado a algum tempo, fizemos uma super
promoção com a gravadora e estamos felizes com a alavancada que tivemos
nas vendas. Do outro lado o download é uma realidade, as gravadoras e
os artistas terão que conviver com essa nova era e deverão tirar o
melhor proveito possível da rede. Eu não vejo mal nenhum em baixar uma
música pra conhecer a banda, porém se a pessoa se descobre fã do
artista, ela deveria comprar o CD para prestigiar o trabalho que está
impresso naquela midia e consequentemente viabilizar melhores ações em
prol da banda.
DM: Continuando, hoje é mais interessante fazer muitos shows a vender discos, como várias bandas pregam?
Strike: O equilíbrio entre os dois é o ideal, mas como fonte de renda para o artista, sem dúvida nenhuma o show é bem mais rentável.
DM:
No Gás Festival, o Strike vai se apresentar ao lado do Bad Religion,
uma das mais importantes bandas de hardcore dos Estados Unidos e, de
uma forma ou de outra, influência do grupo. Vocês têm idéia de como
será o encontro?
Strike: Será uma honra dividir o palco com uma banda que influênciou gerações.




