Saturday Oct 25

Plebe Rude - abril/2007

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divulgaçãoMesmo com sucesso a banda era considerada difícil de se trabalhar e talvez por isso quase desapareceu do mapa na década seguinte. Agora o grupo está de volta e conversamos com o baixista André X, membro fundador do grupo, que comenta sobre esta volta, sobre o sucesso passado e sobre as dificuldades em fazer música hoje em dia.

DropMusic: A primeira é um tanto óbvia. Por que voltar com a Plebe e depois a demora em lançar um disco com músicas inéditas?
André X:
A volta da Plebe vinha se ensaiando desde nossa apresentação no Porão do Rock em 2000.  Era para ser um acontecimento único, mas os acontecimentos nos levaram a gravar um disco ao vivo, Enquanto a Trégua Não Vem, e fazer uma turnê.  No entanto, nem todos estavam contentes com a volta, não queriam trabalhar essa nova fase. Até que todas a decisões foram tomadas e o grupo ganhar outra formação, com a saída do Gutje e do Jander e a entrada do Clemente e do Txotxa, anos se passaram.  Não ficamos parados nesse período, sempre dando shows com formações híbridas da original até a atual.  Fizemos músicas novas, aperfeiçoamos músicas antigas, reaproveitamos idéias arquivadas e gravamos um disco.  Quando pronto, a novela foi achar uma gravadora que satisfizesse os anseios da banda, coisa que demorou até fecharmos com a Outra Coisa. 

DM:  Ouvindo R ao Contrário é fácil encontrar aquela mesma Plebe do inicio da carreira. Política e rebelde, mas com uma postura mais madura que diversas outras bandas que surgiram na mesma época. O que, na opinião de vocês, mudou no som da banda durante este tempo?
AX:
O Philippe cita que hoje em dia as coisas para ele são cinzas, nem brancas, nem pretas, mas sim uma cor intermediária.  Acho que isso diz tudo, quando jovens tendemos ao radicalismo.  Hoje, ainda revoltados, porém com ouvidos abertos a outras opiniões.  Isso influenciou o som da Plebe?  Acho que sim, aprendemos a trabalhar em equipe, coisa impossível na Plebe original. 

DM:  O que vocês acham que a banda tem hoje que pode atrair o público mais acostumado com o pop que toca nas rádios?
AX:
Uma postura de decência no universo musical atual no Brasil.  Não estamos disputando espaço, não queremos fãs, mas sim plebeus, aqueles iguais a nós. Não queremos estourar uma única música, mas marcar pelo repertório decente e estável. Somos mais divertidos, o nosso show é mais energético e somos mais acessíveis.  Que mais um ouvinte pode querer? 

DM:  Algumas letras, apesar de escritas a um certo tempo, continuam atuais, como é o caso de Voto em Branco. Como vocês vêem o atual momento político brasileiro?
AX:
Falar o quê?  Tudo já foi falado, escrito e lido.  O momento é de descrença no país, na justiça, no sonho de que há futuro para nossa juventude, de que há um futuro promissor.  Não há.  Nesses momentos, os artistas devem atuar como forma de consolação e catalisação de ações futuras. 

DM:  O grupo já trabalhou com grandes gravadoras e agora tem que ´recomeçar´ de forma independente. Quais as vantagens e desvantagens do mercado independente?
AX:
Vantagens: controle total, lidar com pessoas que sabem do que trata a Plebe, falam nossa linguagem, as decisões são mais rápidas, há menos fingimento.
Desvantagens: falta de dinheiro e outros recursos, ninguém para pagar o jabá das rádios. 

DM:  A Plebe Rude tinha fama de difícil durante os anos 80, se recusando a tocar determinadas canções em alguns programas de TV, etc. Hoje vocês fariam o mesmo?
AX:
Lembra da teoria do cinza?  Acho que é por aí. 

DM:  O Concreto Já Rachou é considerado um dos melhores álbuns do rock nacional. Quase todas as canções chegaram às rádios e até hoje fazem parte das apresentações da banda. Qual a importância deste álbum para vocês e para o rock brasileiro?
AX:
É nosso cartão de visitas.  É nossa jazida.  Importância total, do qual temos muito orgulho. 

DM:  Recentemente vocês levaram um número razoável de fãs ao SESC Pompéia. Como estes fãs receberam o novo repertório do grupo, já que boa parte estava lá para ouvir os ´velhos´ clássicos.
AX:
Aí é que está, eu vejo os fã da Plebe, que chamamos de plebeus, numa classe diferente.  Não acho que eles vão para os shows ouvir os hits, mas sim curtir a experiência de fazer parte de um acontecimento.  Digo isso, porque há uma interação entre público e banda, uma troca de energia que nos faz tocar melhor e tudo vira uma festa.  Sem querer ser demagogo, acho nossos fãs mais inteligentes que os das outras bandas.

DM:  Ainda sobre isso, como é tocar a mesma canção durante mais de 20 anos, existe a mesma energia?
AX:
É a sinergia, mencionada na última resposta.  Quanto mais o público vibra, melhor tocamos.  Mesmo as antigas. 

DM:  O Philipe tem produzido algumas novas bandas brasileiras e o número de grupos lançando trabalhos independentes é muito grande. É possível fazer uma comparação com os anos 80, época que houve um boom de bandas?
AX:
Acho que hoje temos um terreno fértil para fazer a verdadeira revolução independente no Brasil.  Temos excelentes bandas, temos a internet, que permite a troca de informações em tempo zero, temos distribuidoras eficientes.  Só falta uma peça chave: os meios de comunicação se interessarem, as rádios tocarem programações mais originais.  Daí, vai ser muito melhor do que nos 80s. 

DM:  Aproveitando, destas novas bandas, quais as que vocês consideram promissoras?
AX:
São tantas!  O Philippe vive me mostrando uma nova a cada semana.  Não quero fazer injustiça esquecendo alguma, por isso gostaria só de mencionar que a cena está eletrizante e promissora.  Isso que importa. 

DM:  A Plebe Rude é, ainda, uma das bandas mais respeitadas das que surgiram nos anos 80, diferentemente de várias outras bandas que se entregaram ao pop, tentando repaginar e atualizar seu som, a Plebe manteve seu espírito e, assim mesmo, conseguiu se manter atual. A que vocês creditam isso?
AX:
Sempre fazer as coisas sem uma segunda intenção, como tocar na rádio, ter um hit, agradar diretor tal-e-tal, etc.  E sempre estar no mesmo nível que os plebeus, sem esconder o jogo. 

DM: O ano mal começou, mas quais as previsões para a Plebe Rude para 2007?
AX:
Shows, gravação de DVD e conquistar o mundo!

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