Monday Jul 28

Pato Fu - novembro/2002

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DropMusic: Um pouco de história, por que no começo da banda vocês optaram por usar uma bateria eletrônica?
Fernanda:
A idéia de se formar o Pato Fu foi do John. Ele já tinha passado 10 anos numa banda nos moldes convencionais (baixo, guitarra e bateria) que era o Sexo Explícito. Quando ele deixou a banda antiga, estava morando em São Paulo, decidiu aprender a usar sequencers , samplers, módulos midi. Facilitou a nossa vida no início, pois tínhamos espaço mínimo pra ensaiar, barateava a produção de show, além de conferir uma sonoridade totalmente diferente pra uma banda de rock.

DropMusic: O primeiro disco de vocês saiu por uma gravadora independente, esse disco foi relançado?
Fernanda:
´Rotomusic de Liquidificapum´ nunca saiu de catálogo, desde 92. Ele tem sido distribuído por diferentes gravadoras como Velas, Eldorado etc... Quando ele saiu originalmente era em vinil ainda!

DropMusic: Vocês sempre gravam pelo menos uma música em cada disco que mais parece rock experimental, no Ruído Rosa por exemplo esta seria Day After Day, isso é proposital?
Fernanda:
Não é de propósito, quando fechamos o repertório de um disco, sempre tem uma faixa mais estranha. Mesmo assim, elas não são chatas ou fechadas numa idéia que só a banda iria gostar. Quero dizer que fazer música descabeçada ou experimental pode ser bem mais fácil do que escrever uma boa canção pop. Mas quando uma música meio sem formato aparece em nosso disco é fruto da tecnologia ou de influências diversas e atemporais, e de forma alguma vamos excluí-la do repertório se tiver qualidade, dentro de nossos próprios critérios, é claro.

DropMusic: Outra coisa que sempre aparece nos discos são regravações, vocês já fizeram isso com Legião (Eu Sei), agora com Ira (Tolices), e também com a Graforréia Xilarmonica (Eu), como vocês escolhem estas músicas, vocês já tocavam ao vivo?
Fernanda:
Raramente mostramos em turnê músicas que não estejam nos discos. Escolhemos as canções por afinidade com a música apenas e muitas vezes ocorre também de gostarmos muito dos artistas que as compuseram.

DropMusic: Nos primeiros trabalhos a grupo era considerado uma banda engraçadinha, que fazia músicas engraçadinhas, você concorda com isso?
Fernanda:
Somos uma banda bem-humorada, mas não fazemos músicas-piada. Só que o humor chama a atenção demais e uma canção como ´Pinga´, que tem um clipe bacana, pode passar uma imagem restrita da banda, como passou. Ou seja, não concordo com isso. As músicas que mais tocaram do Pato Fu são ´Sobre O Tempo´, ´Canção Pra Você Viver Mais´, ´Antes Que Seja Tarde´... e não são nem um pouco engraçadas.

DropMusic: O Pato Fu é uma das bandas que mais contato mantém com os fãs, creio que são poucas as bandas que mantém um canal assim tão aberto. Até que ponto este contato ajuda à banda?
Fernanda:
Ajuda num plano bem restrito mas que pode durar muito tempo. Esse é o tipo de característica de um artista que não o faz vender mais discos, nem fazer mais shows, mas traz a boa sensação de que somos felizes com nossa carreira em todos os aspectos. Muita gente não tem paciência pra lidar com quem gosta da sua própria música, mas isso não faz o menor sentido pra mim. É importante dar retorno a quem vai aos shows, escreve sobre a banda, ouve os discos em casa. Eu sou fã de outras pessoas e fico extremamente feliz quando sou bem tratada, me dão uma atenção mínima.

DropMusic: Das questões que vocês recebem dos fãs, o que eles mais perguntam? Fazem perguntas, digamos, meio estranhas?
Fernanda:
Há muitas perguntas sobre equipamento e como começar uma carreira. Não nos fazem perguntas muito estranhas não. Muitos querem saber o que estamos ouvindo atualmente e se conhecemos outras bandas de que gostam também.

DropMusic: Vocês foram considerados uma das 10 melhores bandas do mundo pela Revista Times, como foi isso, como eles conheceram o trabalho da banda?
Fernanda:
Vários jornalistas que escrevem para Time ouviram bandas de quase todos os países do mundo e votaram em suas preferidas. Sei que receberam todos os nossos discos, assim como de muitas outras bandas brasileiras de nossa geração. Conseguimos ser notados lá fora, junto a bandas internacionalmente cultuadas, cantando em Português mesmo. Ficamos muito felizes e concluímos que ter participado do Rock In Rio, nos deixou ainda mais visíveis, pois gerou matérias pra imprensa do mundo todo.

DropMusic: Numa das perguntas feitas pelos fãs, eu li uma sobre vocês fazerem sucesso no Chile mesmo sem divulgação para paises de língua espanhola. vocês nunca pensaram em gravar algo em espanhol, como vários grupos já fizeram, e tentar se lançar neste mercado? Ou não acham isso necessário, afinal estavam tocando em português mesmo.
Fernanda:
Já gravamos uma música em espanhol: ´Porque Te Vas´, em 96. Acredito que esse contato com a América Latina vá ficar cada vez mais estreito. Nosso primeiro DVD, que sai no Brasil em agosto, deve ser lançado em vários países até o fim do ano. Sem dúvida facilitaria mais as coisas um disco todo em espanhol... pra isso teríamos que abandonar a carreira por aqui, durante algum tempo e não podemos fazer isso agora.

DropMusic: O que mudou desde o lançamento de Rotomusic de Liquidificapum até o Ruído Rosa. Em entrevista que fiz com o Kiko Zambianchi ele disse que hoje ele tem mais consciência sobre o que faz, isso também ocorreu com o Pato Fu?
Fernanda:
Quando eu comecei no Pato Fu, tinha 21 anos. Vou fazer 31 e acho que aprendemos muito nesses 10 anos. Temos 6 discos inéditos lançados, uma coleção de clipes bacanas, um bocado de gente que gosta do que fazemos. Temos um estúdio em casa o que nos dá autonomia artística grande. Esperamos cada vez mais ter controle sobre a nossa carreira e isso tem acontecido, ainda bem.

DropMusic: Vocês tem uma seção onde colocam alguns MP3 para download, mas poucos são de músicas da banda, o que você acha desta polemica que virou o MP3?
Fernanda
: Colocamos mp3 raros e exclusivos em nosso site desde 98! Eu baixo muita coisa via internet, mas ainda compro muitos discos. Acho que as novas tecnologias vem para o bem. A gente tem que rediscutir vários termos de acordo entre artistas e indústria, mas como o nome mesmo diz, são contratos que as partes assinam. Se a música for grátis pro usuário ótimo, mas alguém vai estar pagando essa conta, né? Por enquanto são as gravadoras e por isso estão correndo atrás de formas pra regularizar os downloads. A gente tem um contrato com a BMG, por isso não podemos colocar o disco todo em mp3 porque eles esperam vendê-lo pra pagar as contas de produção, nossos direitos e lucrar... Se um site pagar a produção de um disco e os direitos autorais etc, mais do que justo disponibilizá-lo gratuitamente aos clientes, sob forma de marketing institucional. Pode ser um caminho, mas não é isso que acontece ainda. Como disse, se tem alguém pagando as contas e não considera justa a relação, é porque ainda tem que ser melhorada a forma como o processo ocorre.

DropMusic: Vocês mantém no site uma loja para vender produtos com a marca da banda e por preços mais baixos do que encontramos nas lojas, isso dá certo? O que mais tem saída?
Fernanda:
Não vivemos dessa venda no site, mas é importante pra gente, que as pessoas encontrem nossos discos e possam ter uma camiseta da banda, por exemplo. Sempre levávamos uma barraquinha pra vender coisas com assinatura do Pato Fu nos shows, mas acontecia do pessoal ir desprevenido. A loja na internet é algo com que as pessoas podem contar no dia a dia. As bandas estrangeiras de que mais gosto tem venda de produtos via internet...

DropMusic: Eu li a crítica feita pelo editor da Super Interessante e numa parte ele fala sobre mostrar o dedo médio para a critica, vocês realmente fazem isso?
Fernanda:
Não! Fazemos nossos discos independente de qualquer coisa a não ser nosso gosto pessoal mesmo. É o que sabemos fazer. Eu leio muito a imprensa especializada, presto atenção no que dizem sobre nós, mas não posso trabalhar em função dela. Posso concordar ou não com alguns textos,pois não acertamos sempre mesmo. Gosto de ler críticas que são feitas sem pressa, que dá pra saber se o jornalista ouviu o disco mais de uma vez, que não é uma opinião pré-conceituosa (por gostar ou por detestar a banda). Acho importante o trabalho de qualquer crítica, no mínimo é uma percepção de alguém de fora, sobre o que estamos fazendo.

DropMusic: Em entrevista que você deu para esta mesma revista e também por partes desta Carta Aberta ao Pato Fu, vi uma preocupação excessiva com você ser ou não um símbolo sexual, o que você acha dessa ´polemica´?
Fernanda:
Acho apenas que não tenho vocação alguma pra esse tipo de rótulo. Gosto de saber que algumas pessoas conhecem nossas canções e não a nossa cara. É sinal de que a música ainda é o mais importante.

DropMusic: Vocês estão para gravar um disco ao vivo com a grife da MTV, isso ultimamente virou regra, ou é ao vivo ou um acústico, vocês não temem serem chamados de oportunistas por estarem ´usando´ a MTV?
Fernanda:
Acho bacana você ter colocado entre aspas o ´usando´. Quando a MTV faz uma parceria dessa com uma banda ou artista, é porque acredita no trabalho que vem sendo desenvolvido por ele. O que temos é uma parceria. Tivemos a oportunidade de fazer com eles nosso primeiro disco ao vivo e nosso primeiro DVD. Cuidamos tanto pra que esses dois produtos tivessem o mesmo nível de conteúdo e produção de nossos discos de estúdio e clipes, que de forma alguma estamos com a sensação de termos sido oportunistas. Espero que as pessoas tenham a oportunidade de ver o especial no dia 26 de julho, às 22:30h!

DropMusic: Além do disco ao vivo, o que vocês pretendem fazer no resto de 2002?
Fernanda:
Se tudo der certo, muitos shows!

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