Saturday Nov 01

Nenhum de Nós - outubro/2002

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O NDN também foi um dos primeiros grupos a apostar em um som mais regional, com o uso de acordeom por exemplo. Como vocês verão, foi uma atitude arriscada e que levou a alguns fãs a deixarem de gostar da banda, e como o próprio Thedy diz, foi o certo a fazer. Conheçam um pouco mais do Nenhum de Nós abaixo. Pra quem quiser visitar o site da banda é só ir em www.nenhumdenos.com.br.

DropMusic: O Nenhum de Nós apareceu bem no meio daquele boom dos anos 80, quando o rock nacional estourou em rádios e tv. A grande maioria das bandas que surgiram junto com vocês, não existem mais. Porque o Nenhum de Nós sobreviveu?
Thedy:
Acho que foi muito em função de nossa decisão de permanecer no RS e reforçar a raiz de nossa música e estreitar os laços com uma fatia importante do público. Acabamos construindo um ´nicho´ forte para nós e não ficamos dependendo tanto do bom humor das gravadoras do centro do país.

DropMusic: Ainda sobre os anos 80, muitas bandas se recusavam a aparecer em programas de tv e ter que tocar usando play-back. vocês não tinham esse problema. Como seria hoje? vocês ainda topam tocar desta forma?
Thedy:
Acho que existia uma postura diferente no início, mas para nós isto não era problema, o Top of The Pops, o programa mais tradicional da parada inglesa tinha play-back e todo mundo fazia. Todo mundo das boas bandas inglesas, eu quero dizer... Encaro isto como uma limitação para fazer nosso trabalho. Existem programas que não tem como tocar ao vivo e então rola isto, mas nós sempre levamos os violões embaixo do braço e tentamos tocar.

DropMusic: Como era gravar ao mesmo tempo que bandas que não tinham muito a ver com o som do NDN, como o Violeta de Outono?
Thedy:
Mas o Violeta era uma das bandas que mais tinham a ver com o nosso som - no início - tínhamos coisas progressivas (´O marinheiro que perdeu as graças do mar´) com toques minimalistas...Que pretensão! Tanto foi assim que ficamos muito amigos deles. As diferenças seguem até hoje, e isto é saudável!

DropMusic: Uma história muito legal é de um show que vocês abririam para o DeFalla, mas acabaram tocando depois, o que aconteceu neste dia?
Thedy:
Chegamos atrasados mesmo!! Eles tinham que fechar e acabaram abrindo!! Quando nós chegamos o produtor deles disse: toquem! Nós tocamos e eles tiveram que esperar para tirar parte do equipamento. Foi assim que o produtor deles na época (Antônio Meira) viu o nosso show e logo depois veio a ser nosso produtor (até hoje ainda é!).

DropMusic: Camila, Camila, foi um sucesso tremendo, tendo até versão em espanhol, na época vocês não ficaram receosos de se tornarem uma banda de um único hit? Aproveitando, porque não continuaram com a carreira internacional?
Thedy:
Tem gente que acha que nós somos banda de único hit até hoje, ehehe... A carreira internacional não vingou pq a nossa gravadora não lançou o disco lá fora, conforme havia prometido.

DropMusic: Pelo que leio nas histórias e até em outras entrevistas, o relacionamento entre as bandas gaúchas era bom, vocês se ajudavam. Isso é verdade? Como é hoje? Como vocês vêem a nova geração do rock gaúcho?
Thedy:
Na verdade o relacionamento NÃO era bom. Tivemos uma boa acolhida apenas do Defalla e dos Replicantes. As outras bandas queria o nosso rim!!! Hoje a situação é bem diferente. A nova geração está realmente tendo uma relação mais legal com os colegas, incluindo nós.

DropMusic: A gravação da versão para Starman do Bowie foi massacrada pela crítica, mas acabou sendo um sucesso com o público. De quem foi a idéia de gravarem esta música? E como vocês se sentiram quando saíram as críticas dizendo que o NDN havia assassinado a música?
Thedy:
Crítica é uma coisa que só tem valor se você achar que tem algo de decente e aproveitável nela, caso contrário é melhor nem ler... Os caras que diziam que nós havíamos assassinado a música não sabiam NADA de Bowie. Diziam que era um sucesso dele, quando a música só entrou em alguma coletânea dele aqui no Brasil, pelo sucesso da versão. Em nenhuma outra parte do mundo (salvo o Japão) ela tocou. Por aí já se vê que não se pode considerar o que estes caras escrevem. É que nem a Bizz-Showbizz. A revista servia para promover uma panela de amigos e malhar os outros artistas que trabalhavam de verdade. A revista acabou e ninguém que tenha sido ´apoiado´ por ela vingou... Por que será? Provavelmente pq eram gênios incompreendidos! Ahahahaha!!!

DropMusic: O NDN foi uma das primeiras bandas gaúchas a apostar no regionalismo, usando acordeom por exemplo, deixando o som realmente voltado para a região Sul, não houve receio de não serem bem vistos no resto do pais?
Thedy:
Não fomos bem vistos e pagamos um alto preço por assumir nossa cara regional. Hoje vemos que poderíamos ter feito isto de maneira mais política, mas faríamos de qualquer maneira.

DropMusic: vocês foram um dos primeiros a gravar um disco acústico, bem antes disso virar a febre que é hoje, como é transformar uma musica ´elétrica´ em algo acústico?
Thedy:
Para nós foi fácil: trouxemos as canções para sua origem, ou seja, o violão.

DropMusic: vocês gravaram com Fito Paez algumas vezes, como surgiu esta parceria com o argentino?
Thedy:
Veio da admiração e amizade que surgiu lá nos tempos do Rock in Rio 2 quando ele fez um pocket show no Rio e eu cantei com ele a canção que nós acabaríamos gravando no acústico. Ele é um grande artista.

DropMusic: O NDN, trocou a RCA pela Polygram e depois pela pequena Velas, porque largar uma grande gravadora e apostar seu trabalho em uma pequena e depois voltar para uma granda, no caso a Sony? Quais as diferenças entre elas?
Thedy
: Simplificando: Nenhuma! As grandes pecam pela falta de organização e pelo excesso de artistas onde não trabalham nenhum de forma igual, e as pequenas pecam pela falta de estrutura onde o artista tem fazer muito do trabalho deles. O Nenhum aprendeu a não deixar de fazer o seu trabalho de guerrilha.

DropMusic: Em uma história em quadrinhos do Homem Aranha, o NDN foi homenageado, isso, pelo menos para as bandas nacionais é inédito. Como foi a história.
Thedy:
O Luke Ross é nosso amigo - ele desenhava o Aranha na época - e fez uma homenagem. Ele foi a alguns shows em Sampa e eu participei de uma workshop dele aqui em POA. Na verdade foram duas, tem uma cena em que a Betty está lendo um livro que se chama ´Camila Camila´.

DropMusic: Em uma matéria no Zero Hora, vocês disseram que o Engenheiros do Havaii, não eram importantes para vocês e sim os Paralamas, existe ainda esta ´disputa´ com a banda do Humberto Gessinger?
Thedy:
Não existe.

DropMusic: vocês em vários discos, regravaram algumas músicas de outros artistas brasileiros, como o Secos e Molhados e Guilherme Arantes, como foi a escolha para regravarem estas músicas, e qual a importância destes nomes para o NDN?
Thedy:
Gostamos de vasculhar o baú de nossas preferências. É um trabalho que nos agrada além de ser legal para manter a memória do rock brasileiro em dia.

DropMusic: A banda já teve pelo menos duas coletâneas lançadas, houve participação de vocês na escolha do repertório dos discos?
Thedy:
Da série FOCUS sim (NE: O Essencial de Nenhum de Nós).

DropMusic: Como foi tocar com os Paralamas, banda que vocês citam como influente no trabalho do NDN?
Thedy:
Foi uma grande emoção!! Eles são nossos ídolos e agora são nossos amigos. Foi demais!

DropMusic: Passados estes mais de 15 anos juntos, a banda conta com a mesma formação básica, como é a convivência de vocês, como explicar tanto tempo juntos?
Thedy:
A explicação passa, principalmente, por RESPEITO e AMIZADE! Acreditar na música que fazemos é pré-requisito.

DropMusic: O que mudou durante estes anos? O que vocês fariam se pudessem mudar algo?
Thedy:
Ficamos mais velhos e menos radicais. Não teria ´brigado´ com algumas pessoas que passaram por nossa história, algumas delas nem mereciam minha consideração e outras mereciam mais...

DropMusic: O site de vocês é um dos mais completos que já entrei, com um acervo de curiosidades sobre os integrantes e a banda muito grande, como a homenagem feita pelo colégio que vocês estudaram, com as notas e tudo. Como é este trabalho entre a banda e os fãs, no que a internet influencia?
Thedy:
A internet é um baita instrumento de contato com os fãs, tanto que - acredite se quiser - somos nós mesmos que respondemos as mensagens dos fãs no site. Demora mas respondemos! Gostamos desta ´proximidade´ com o pensamento da galera que curte nossa música!

DropMusic: E pra terminar, o que podemos esperar do Nenhum de Nós para este resto de ano?
Thedy:
Quem sabe um novo disco? Ao vivo? Aguardem.

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