Nenhum de Nós - outubro/2002
Written by Valdir Antonelli Thursday, 31 October 2002 23:55
O NDN também foi um dos primeiros grupos a apostar em um som mais regional, com o uso de acordeom por exemplo. Como vocês verão, foi uma atitude arriscada e que levou a alguns fãs a deixarem de gostar da banda, e como o próprio Thedy diz, foi o certo a fazer. Conheçam um pouco mais do Nenhum de Nós abaixo. Pra quem quiser visitar o site da banda é só ir em www.nenhumdenos.com.br.
DropMusic:
O Nenhum de Nós apareceu bem no meio daquele boom dos anos 80, quando o
rock nacional estourou em rádios e tv. A grande maioria das bandas que
surgiram junto com vocês, não existem mais. Porque o Nenhum de Nós
sobreviveu?
Thedy: Acho que foi muito em função de nossa
decisão de permanecer no RS e reforçar a raiz de nossa música e
estreitar os laços com uma fatia importante do público. Acabamos
construindo um ´nicho´ forte para nós e não ficamos dependendo tanto do
bom humor das gravadoras do centro do país.
DropMusic:
Ainda sobre os anos 80, muitas bandas se recusavam a aparecer em
programas de tv e ter que tocar usando play-back. vocês não tinham esse
problema. Como seria hoje? vocês ainda topam tocar desta forma?
Thedy:
Acho que existia uma postura diferente no início, mas para nós isto não
era problema, o Top of The Pops, o programa mais tradicional da parada
inglesa tinha play-back e todo mundo fazia. Todo mundo das boas bandas
inglesas, eu quero dizer... Encaro isto como uma limitação para fazer
nosso trabalho. Existem programas que não tem como tocar ao vivo e
então rola isto, mas nós sempre levamos os violões embaixo do braço e
tentamos tocar.
DropMusic: Como era gravar ao mesmo tempo que bandas que não tinham muito a ver com o som do NDN, como o Violeta de Outono?
Thedy:
Mas o Violeta era uma das bandas que mais tinham a ver com o nosso som
- no início - tínhamos coisas progressivas (´O marinheiro que perdeu as
graças do mar´) com toques minimalistas...Que pretensão! Tanto foi
assim que ficamos muito amigos deles. As diferenças seguem até hoje, e
isto é saudável!
DropMusic:
Uma história muito legal é de um show que vocês abririam para o
DeFalla, mas acabaram tocando depois, o que aconteceu neste dia?
Thedy:
Chegamos atrasados mesmo!! Eles tinham que fechar e acabaram abrindo!!
Quando nós chegamos o produtor deles disse: toquem! Nós tocamos e eles
tiveram que esperar para tirar parte do equipamento. Foi assim que o
produtor deles na época (Antônio Meira) viu o nosso show e logo depois
veio a ser nosso produtor (até hoje ainda é!).
DropMusic:
Camila, Camila, foi um sucesso tremendo, tendo até versão em espanhol,
na época vocês não ficaram receosos de se tornarem uma banda de um
único hit? Aproveitando, porque não continuaram com a carreira
internacional?
Thedy: Tem gente que acha que nós somos
banda de único hit até hoje, ehehe... A carreira internacional não
vingou pq a nossa gravadora não lançou o disco lá fora, conforme havia
prometido.
DropMusic: Pelo que leio nas histórias e
até em outras entrevistas, o relacionamento entre as bandas gaúchas era
bom, vocês se ajudavam. Isso é verdade? Como é hoje? Como vocês vêem a
nova geração do rock gaúcho?
Thedy: Na verdade o
relacionamento NÃO era bom. Tivemos uma boa acolhida apenas do Defalla
e dos Replicantes. As outras bandas queria o nosso rim!!! Hoje a
situação é bem diferente. A nova geração está realmente tendo uma
relação mais legal com os colegas, incluindo nós.
DropMusic:
A gravação da versão para Starman do Bowie foi massacrada pela crítica,
mas acabou sendo um sucesso com o público. De quem foi a idéia de
gravarem esta música? E como vocês se sentiram quando saíram as
críticas dizendo que o NDN havia assassinado a música?
Thedy:
Crítica é uma coisa que só tem valor se você achar que tem algo de
decente e aproveitável nela, caso contrário é melhor nem ler... Os
caras que diziam que nós havíamos assassinado a música não sabiam NADA
de Bowie. Diziam que era um sucesso dele, quando a música só entrou em
alguma coletânea dele aqui no Brasil, pelo sucesso da versão. Em
nenhuma outra parte do mundo (salvo o Japão) ela tocou. Por aí já se vê
que não se pode considerar o que estes caras escrevem. É que nem a
Bizz-Showbizz. A revista servia para promover uma panela de amigos e
malhar os outros artistas que trabalhavam de verdade. A revista acabou
e ninguém que tenha sido ´apoiado´ por ela vingou... Por que será?
Provavelmente pq eram gênios incompreendidos! Ahahahaha!!!
DropMusic:
O NDN foi uma das primeiras bandas gaúchas a apostar no regionalismo,
usando acordeom por exemplo, deixando o som realmente voltado para a
região Sul, não houve receio de não serem bem vistos no resto do pais?
Thedy:
Não fomos bem vistos e pagamos um alto preço por assumir nossa cara
regional. Hoje vemos que poderíamos ter feito isto de maneira mais
política, mas faríamos de qualquer maneira.
DropMusic:
vocês foram um dos primeiros a gravar um disco acústico, bem antes
disso virar a febre que é hoje, como é transformar uma musica
´elétrica´ em algo acústico?
Thedy: Para nós foi fácil: trouxemos as canções para sua origem, ou seja, o violão.
DropMusic: vocês gravaram com Fito Paez algumas vezes, como surgiu esta parceria com o argentino?
Thedy:
Veio da admiração e amizade que surgiu lá nos tempos do Rock in Rio 2
quando ele fez um pocket show no Rio e eu cantei com ele a canção que
nós acabaríamos gravando no acústico. Ele é um grande artista.
DropMusic:
O NDN, trocou a RCA pela Polygram e depois pela pequena Velas, porque
largar uma grande gravadora e apostar seu trabalho em uma pequena e
depois voltar para uma granda, no caso a Sony? Quais as diferenças
entre elas?
Thedy: Simplificando: Nenhuma! As grandes
pecam pela falta de organização e pelo excesso de artistas onde não
trabalham nenhum de forma igual, e as pequenas pecam pela falta de
estrutura onde o artista tem fazer muito do trabalho deles. O Nenhum
aprendeu a não deixar de fazer o seu trabalho de guerrilha.
DropMusic:
Em uma história em quadrinhos do Homem Aranha, o NDN foi homenageado,
isso, pelo menos para as bandas nacionais é inédito. Como foi a
história.
Thedy: O Luke Ross é nosso amigo - ele desenhava
o Aranha na época - e fez uma homenagem. Ele foi a alguns shows em
Sampa e eu participei de uma workshop dele aqui em POA. Na verdade
foram duas, tem uma cena em que a Betty está lendo um livro que se
chama ´Camila Camila´.
DropMusic: Em uma matéria no
Zero Hora, vocês disseram que o Engenheiros do Havaii, não eram
importantes para vocês e sim os Paralamas, existe ainda esta ´disputa´
com a banda do Humberto Gessinger?
Thedy: Não existe.
DropMusic:
vocês em vários discos, regravaram algumas músicas de outros artistas
brasileiros, como o Secos e Molhados e Guilherme Arantes, como foi a
escolha para regravarem estas músicas, e qual a importância destes
nomes para o NDN?
Thedy: Gostamos de vasculhar o baú de
nossas preferências. É um trabalho que nos agrada além de ser legal
para manter a memória do rock brasileiro em dia.
DropMusic:
A banda já teve pelo menos duas coletâneas lançadas, houve participação
de vocês na escolha do repertório dos discos?
Thedy: Da série FOCUS sim (NE: O Essencial de Nenhum de Nós).
DropMusic: Como foi tocar com os Paralamas, banda que vocês citam como influente no trabalho do NDN?
Thedy: Foi uma grande emoção!! Eles são nossos ídolos e agora são nossos amigos. Foi demais!
DropMusic:
Passados estes mais de 15 anos juntos, a banda conta com a mesma
formação básica, como é a convivência de vocês, como explicar tanto
tempo juntos?
Thedy: A explicação passa, principalmente, por RESPEITO e AMIZADE! Acreditar na música que fazemos é pré-requisito.
DropMusic: O que mudou durante estes anos? O que vocês fariam se pudessem mudar algo?
Thedy:
Ficamos mais velhos e menos radicais. Não teria ´brigado´ com algumas
pessoas que passaram por nossa história, algumas delas nem mereciam
minha consideração e outras mereciam mais...
DropMusic:
O site de vocês é um dos mais completos que já entrei, com um acervo de
curiosidades sobre os integrantes e a banda muito grande, como a
homenagem feita pelo colégio que vocês estudaram, com as notas e tudo.
Como é este trabalho entre a banda e os fãs, no que a internet
influencia?
Thedy: A internet é um baita instrumento de
contato com os fãs, tanto que - acredite se quiser - somos nós mesmos
que respondemos as mensagens dos fãs no site. Demora mas respondemos!
Gostamos desta ´proximidade´ com o pensamento da galera que curte nossa
música!
DropMusic: E pra terminar, o que podemos esperar do Nenhum de Nós para este resto de ano?
Thedy: Quem sabe um novo disco? Ao vivo? Aguardem.




