Marina Lima - fevereiro/2003
Written by Marcia Sampaio Friday, 28 February 2003 23:12
DropMusic: Você está em fase de mudança total, não é mesmo?
Marina Lima:
Qualquer pessoa de talento de qualquer profissão pode ser criadora e
toda pessoa criadora está em transformação. Têm músicas que eu gravei e
que resistiram a tudo, continuam no meu show, e tem outras que não
resistira, porque eu mudei!
DropMusic: Você entrou seriamente na crise dos 40 anos . Por quê?
Marina Lima:
Perto dos 40 você tem que colocar na balança as escolhas que fez na
vida. Para mim, não deu para passar batido, como se estivesse tudo
decifrado, porque não estava. Estou voltando à cena com 45 anos, muito
potente e me sinto no fogo. Perto de fazer 40 anos, tive uma crise
existencial que resultou numa depressão. Eu vinha de algumas perdas
significativas e tinha muitas dúvidas a respeito do rumo que minha vida
teria dali por diante. Fui ficando perdida, sem força, sem identidade e
perdi a voz. Minha voz sempre esteve sintonizada com minhas crenças e
emoções. Sempre cantei aquilo que sentia e acreditava, e, de repente,
não sabia mais nada. Não tinha ar nem para falar! Foi um período muito
difícil, constrangedor, pois sendo cantora, as pessoas me cobravam, não
entendiam nada1
DropMusic: Como anda sua vaidade diante disso tudo?
Marina Lima:
Desde os 18 anos tenho mania de corpo e malho todos os dias há 20 anos.
Sou muito física. Eu fazia surfe quando era garota, vivia na praia...
DropMusic: Como fica a sexualidade , os relacionamentos, diante desse problema que envolve a auto-estima?
Marina Lima:
Eu acho muito difícil morar com alguém. O dia a dia desgasta muito a
relação. E eu não fico desesperada por estar só... Eu sei viver
sozinha. O mundo é feito de muita gente interessante, divertida,
sensual... Com certeza, seria mais atraente viver num mundo melhor,
onde as pessoas pudessem experimentar seus desejos e curiosidades, sem
tanta culpa ou medo...Algumas pessoas são mais soltas, e essas coisas
contam muito nos primeiros encontros. Mas acho que existe uma química,
um jogo onde duas pessoas se conhecem e tentam adivinhar o jeito de ser
de um e de outro... Talvez essas sejam as melhores transas! Quando dois
têm esse trabalho, esse interesse em manter a cama quente.
DropMusic: Prefere amor ou amizade?
Marina Lima:
Eu entendi que no fundo tudo é amor. Tenho amigos de todas as idades!
Às vezes a pessoa pensa que só pode se dar com pessoas iguaizinhas a
ela, e não é nada disso! Tem muita gente bacana para fazer várias
coisas diferentes. Passei a acreditar na amizade e, sobretudo, no amor.
A vida sem amor é uma desgraça! Essa idéia de romance ideal é que tá
errado! Eu gosto de quem pode me ensinar coisas e também se interssa
pelo que eu tenho a dizer. Não me atraem os entediados, nem os
obcecados que só pensam no físico.
DropMusic: Como você está vendo a vida agora?
Marina Lima:
Percebi que não quis colocar minha energia só no trabalho, só lidando
com imagem, compromissos profissionais... foram anos fazendo só isso...
Não aguento! Tem todo um lado afetivo meu tão importante quanto a minha
carreira. Me relacionar com os outros não como uma estrela, mas como
uma mulher que quer compartilhar de uma vida a dois. Saber dividir
tarefas fora do palco, também.
DropMusic: Você é a favor das drogas ou não curte?
Marina Lima:
Eu acho a maconha tão inofensiva, entre aspas, quanto o álcool. Assim
como você bebe para se animar, você pode queimar um baseado. É igual...
Se a bebida é liberada, deviam liberar a maconha também... Mas é a
única droga que eu sou a favor, porque socialmente funciona. Eu não
gosto de pó. Nas vezes em que experimentei, fiquei tensa. E drogas do
tipo LSD, nem tive curiosidade... A impressão que me dá é que elas vão
Ter efeito muito prolongado e eu não vou Ter controle.
DropMusic: E o cd atual, Setembro?
Marina Lima:
Acho que esse cd é um dos melhores que eu fiz. Minha voz está de volta,
ela está inteira, com sentimento....tem os arranjos e a produção feita
pelo Edu Martins e por mim. Eu me sinto de novo potencializada, pronta
para competir de novo no mercado brasileiro. É isso que eu quero!




