Zak Stevens - março/2011

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Para quem conhece heavy metal, o nome Zak Stevens é bastante familiar. O vocalista que ajudou a transformar o Savatage num dos principais nomes do rock pesado dos anos 90, começa a catapultar o Circle 2 Circle. O grupo, montado logo que saiu do gigante americano, já fez duas turnês no Brasil e está em excursão pela América. Este papo rolou logo depois do primeiro show em território brasileiro e mostra toda a empolgação, visão e sinceridade de um cantor que não têm medo de falar o que pensa. Com vocês, Zak Stevens

Dropmusic: Primeiro de tudo, muito obrigado pela entrevista. Como foi a recepção do público nesta terceira passagem pelo Brasil?
Zak Stevens:
Uau! Ainda surpreendente, até melhor que da última vez. É isso que nós gostamos. Quero dizer...eu disse, como pode...você sabe como são as platéias por aqui. Eu e os caras ficamos muito felizes. Você sabe, nós amamos isso é realmente bom. A gente pensou como é que pode ser melhor, ter mais energia que da última vez? Todo mundo enlouqueceu, enfim... O que você vai fazer, tentar enlouquecer mais ainda? De alguma forma, eles conseguiram. Eu ainda não sei como...mas é bom, toda vez. Se você for começar a falar qual o nível de loucura, eu não sei, mas é sempre inacreditável pra gente... Nós realmente gostamos!  Vocês, caras (brasileiros), são sensacionais!

Nós tivemos shows ótimos, cara. Nós realmente bombamos! Como eu estava falando mais cedo, é ótimo para os caras da banda. Eu sou realmente popular agora, porque os caras vêm e falam “Zak, nós realmente amamos que você nos trouxe ao Brasil!” Então, está todo mundo me amando neste momento..mas o fato é que é assim que é bom por aqui, é o quanto amamos tocar. Os caras da banda amaram tocar aqui, então...nós estamos aqui e vamos voltar rapidamente, em breve. Definitivamente.

Dropmusic: E para onde vai a tour de “Consequence of Power”?
Zak Stevens:
Estados Unidos...Março, Abril, Maio. E depois disso, vamos pra algum lugar do mundo. Agora vamos ficar rodando por todo o mundo. Você sabe, todo o tempo. Nós estamos excursionando mais agora, do que já fizemos em toda a história do Circle2Circle. A banda tem cinco discos e nós já estamos começando um ciclo de turnês maior do que já fizemos. Então...é bom. Nós pensamos que com este quinto álbum agora temos uma base...a base está pronta, temos uma boa fundação. Agora vamos lá e ver o que rola quando estivermos lá. O mundo tem sido muito bom conosco, então, estamos tentando manter isso em curso, excursionando...”Consequences and Power” saiu há cinco meses, então é relativamente muito novo para renovar o ciclo de álbuns. Então agora vamos continuar seguindo nesta toada.

Dropmusic: São quase dez anos de Circle 2 Circle. Como tem sido essa experiência?
Zak Stevens:
Bem tem sido, uma boa experiência de aprendizado. Oito anos, cinco discos. Aprendendo muito sobre a banda e quem é o grupo, sabe. O que é o Circle2Circle,  o que ele vai virar, pra onde vamos levá-lo. Tem sido bom musicalmente, uma boa jornada musical. Tem sempre mais a se fazer. Eu realmente tenho...nós já temos algumas músicas prontas pro próximo disco. Já temos!

Então, sempre teve música saindo. Agora há uma parte onde vamos direcionar a próxima coisa e pensar pra frente, mas ainda gostando... Você sabe, nós temos que lembrar que temos cinco álbuns que temos que dar suporte agora, temos que ter certeza de que vamos tocar bastante coisas de cada um, vamos ter sempre que continuar trabalhando duro nisso. É complicado de fazer, temos 52 músicas do Circle2Circle até agora, desde o começo. É, 52. Então, agora temos que ir por elas e “Uau!”. Agora você tem sempre esse grande desafio, Seguindo em frente, vamos poder melhorar e estar apto a apresentar um bom mix das canções e continuar trabalhando nelas e também tocar um monte de coisas do Savatage, você sabe, de hoje em diante... Meio que o lance do ciclo completo...

Entendeu circle2circle, ciclo completo... Sabe, realmente olhando para as coisas do Savatage, todo mundo está no limite para isso, eles meio que querem celebrar estas canções. Eu tenho shows diferentes agora. Temos alguns shows, que é o Circle2Circle rock show, que é basicamente Circle2Circle com algumas inclusões de músicas do Savatage. Mas nós também temos este outro show, onde “ hey, se você quiser ver mais Savatage, neste outro tocamos mais uma ou duas”. Então vai ser realmente excitante! E neste show, você toca menos Circle2Circle, então... Agora nós temos uma situação bem diversa, então nós temos... Como você disse..coisas pra olhar no futuro, o que você vai fazer no futuro. Você começa a pensar em coisas como esta, sabe melhores formas de apresentar seu produto.  Então..este é o grande desafio para ir adiante, vamos continuar fazendo isso..

Dropmusic: E já tem nome o novo trabalho?
Zak Stevens:
Não, não sei o nome dele ainda. Nós não chegamos tão longe... Nós estamos vendo algumas coisas que apareceram depois, sabe. Qual direção vamos seguir... Estágios iniciais, “com o que este direcionamento se parece?” Então é aqui que realmente estamos nos primeiros estágios...

Dropmusic: Consequence of Power tem uma vibração mais anos 80, uma produção mais crua, mais direta...
Zak Stevens:
Sim, entendo o que você quis dizer. Sim, eu acho há elementos disso no álbum. Mas basicamente, Consequences of Power é realmente formulado sobre uma história, é um álbum conceitual. É o segundo álbum conceitual que nós temos. Neste aqui, você tem essa situação, alguns personagens estão presos numa fronteira...a fronteira entre México e Estados Unidos. Então, talvez seja o Arizona, é um pouco de Arizona, um pouco de Califórnia e é louco.  É uma situação louca. Então você tem estes três personagens:  o agente do FBI, o cara que foi seqüestrado pelo cartel, você tem o chefe do cartel, você tem gente boa do FBI, gente não tão boa do FBI, todos estão envolvidos nesta bagunça. Então você pega essa pequena história como uma fotografia e é mais ou menos como fizemos está história, é isso que influencia a música, aí é de onde veio a música.

Você sabe, “e sobre esta parte da história, bem aqui tem muita gente morrendo, tem muitos assassinatos, é realmente triste uma parte do personagem principal. A namorada dele foi morta numa troca de tiros entre o cartel e o FBI. O FBI tinha gente atirando que não sabia quem atirava, se era o mal agente ou eles.” Então é louco, 

Tem muita selvageria...temas densos, sabe. Dor, morte, felicidade, lutar pela sua vida, amor e paixão e tem todos os tipos de coisas acontecendo. É mais ou menos isso que nos guiou para o jeito que o álbum soa. Mas você pega músicas como Consequences of Power, claro, eu consigo ver como uma celebração aos anos 80.. Absolutamente. Mas é bom que tenha acontecido assim. Mas num álbum conceitual, a gente deixa a história conduzir a música e então ver aonde as coisas vão.

Em outros álbuns, nós talvez pensamos em coisas assim, provavelmente nos próximos vai ser “hey, onde você quer ir daqui, o que você quer celebrar”? É uma boa questão para se perguntar , em um ponto. Então, vamos olhar desta forma no próximo álbum.

Dropmusic: Você é formado em psicologia. O que Consquence of Power teria a ver com a situação do Egito? (a entrevista foi feita logo após a queda de Mubarak no Egito)
Zak Stevens:
Sim, sim, consigo realmente ver isso. Penso que tem um tipo de psicologia...terror,...provavelmente um monte de terror psicológico aparecendo nas histórias de Consequence of Power e várias manipulações psicológicas, que com certeza se adéquam ao que vimos no Egito, com Mubarak, que eles tinham nesse regime. Eu concordo totalmente. Acho que tem várias coisas...nós não sabemos de tudo o que rolou no Egito..

Dropmusic: Mas acho que cabe no que rolou por lá...
Zak Stevens:
Ah sim cara, realmente, eu gostei disso. Ainda bem....Nós temos muitos fãs egípcios, acredite ou não, tem um monte de fãs no Egito. Um monte de fãs egípcios. Eles gostam de Zak Stevens por alguma razão, cara! Eles me mandam mensagem no facebook a todo momento, dizendo: “você nem tem idéia de quão grande, o quão gigantesco você é  como cantor na história do rock”. E eu, “uau!”... Algumas vezes você não sabe quando você vai acertar um nervo, o que chamo de acertar um nervo, com a música. Por alguma razão, no Egito, eu realmente estou tocando as pessoas...acertando o nervo, eu acho, como eu gosto de chamar, ou escalando pelo coração, como você quiser definir. Você nunca sabe o que vai acontecer. As coisas que acontecem com a gente aqui no Brasil. Não é em todo lugar do mundo que você tem isso. Um lugar surpreendente para mim. Claro, tocar a nossa música seria ilegal, então você vai ter que esperar, talvez um ano na estrada, dois anos, talvez,  mais ou menos, torcendo por uma situação democrática. Eles provavelmente vão fazer shows de rock, grandes eventos...eu já até conversei com um promotor do Egito. Que tinha uma grande idéia que não funcionou, provavelmente por causa da situação política que está rolando e eles não permitiram, não organizariam um show de rock como este. Mas eles querem fazer um grande festival, no meio das pirâmides e a Esfinge. E ter todas estas bandas grandes de todo o mundo, eu acredito que provavelmente eles vão fazer isso. E eu quero ser uma das primeiras bandas a tocar lá e eu acho que eles vão, eles vão me perguntar...eu vou ser uma das primeiras cinco bandas que eles vão perguntar para ir se apresentar. Bandas de rock, num show de rock! É o que eu sei, até agora.

Então, bom, nós vamos levar uma política sincera através do Egito. 

Dropmusic: Sei que você faz alguns shows acústico, então, teria algum projeto desplugado pela frente?
Zak Stevens:
Talvez...eu quero dizer, sim, com certeza eu imagino isso. Absolutamente, porque você sabe a gente sempre quer abranger todas as áreas. Eu acho que...porque não? É uma área, tem pessoas interessadas, totalmente acústico, como gostamos de chamar “desplugado”, definitivamente traz uma cara diferente para a música que você já tem. Sabe, essa plugada, alta e.....tudo indo para todo lugar, bateria alta, o baixo ecoando na sua cabeça, guitarras distorcidas. Pegar essa mesma música em formato acústico e ver o que acontece...sempre algo mágico! Isso é certo!

Dropmusic: Por falar em projetos, você participou do novo álbum do Soulspell Metal Opera. Como foi essa experiência, de gravar uma música para uma banda brasileira?
Zak Stevens: 
Do jeito que fazemos agora, nesta época digital, você pode ter todo mundo cortando faixas em catorze países diferentes. E então mandar os arquivos pro engenheiro de som e de repente, você tem tudo pronto. E ele foi gravado em catorze lugares diferentes. É mais ou menos assim que foi feito aqui. Ele me mandou os detalhes e disse “Hey, vá em frente”; Eu tenho estúdios com quem já trabalhei na Flórida, eu peguei estes arquivos, tudo simples, Fui lá e gravei ótimas faixas vocais. Com um clique no mouse, você pode importar essa faixa direto para uma sessão do pro tools.. “Ok...Vamos dar mais brilho....Ok, parece estar bom, pode ir!”...”Feito!”

E Jon gravou as dele num lugar em Dania, Flórida. Eu gravei as minhas em Tampa. Então, provavelmente gravamos as nossas com uma hora de diferença. Uma hora de diferença na mesma área da cidade. Então é ridículo.

Dropmusic: Você chegou a ouvir o disco?
Zak Stevens:
Sim, sim, eu ouvi tudo. Ele (Tiago Heleno, idealizador do Soulspell) disse : “aqui está um bom apanhado das músicas, das coisas que já temos por aqui.” Então você já tinha uma idéia, ele tinha vocais de guia nela. Ele ainda não tinha o vocalista final. Mas....não importa, você pode realmente ouvir o todo o espectro musical e eu achei muito, muito bom. Eu fiquei impressionado com ele.

Dropmusic: Eu achei que soava como o Savatage até por ter o Jon Oliva, você e aquela estrutura operística. Já que entramos no assunto Savatage, qual a diferença do grupo para o Circle 2 Circle?
Zak Stevens:
Com sorte, tudo o que aconteceu comigo, foi por causa de estar apto a cantar no Savatage. Começa com isso...um ato musical inacreditável. Em todos os pontos. Isso realmente me deixou “treinado”, se quiser,  fui “treinando” ao longo dos anos no Savatage. Eu ouvi bastante, tentei ser um bom estudante. Eu aprendi sobre produção, aprendi sobre...sabe, porque é engraçado, os métodos de produção que a usávamos, você ainda pode usar como um jeito diferente de gravar. Eram as fitas de duas polegadas. A coisa engraçada sobre minha carreira é...eu não acho que muitas pessoas possam dizer isso, mas a maioria das crianças, a maioria das pessoas com 20, 30 anos, eles talvez tenham gravado todos seus discos em pro-tools, tudo digital. Em minha carreira, eu tive quantidades iguais. Cinco álbuns com fitas de duas polegadas e cinco álbuns em digital. Eu tenho o mesmo número de álbuns em ambos “formatos” de produção, do jeito que vimos nos últimos dezoito anos. Então, em dezoito anos ou mais, tem sido nítido. Porque vimos que a tecnologia mudou completamente em termos de gravação. Nós vínhamos fazendo do jeito antigo, old school, dolorosamente, álbuns muito, muito, muito doloridos,. Agora não são tão doloridos. Eu não queria que fossem tão doloridos na época....Eu penso nisso várias vezes , eu não sei quantos artistas podem realmente ter metade de álbuns com tecnologia antiga, metade com tecnologia nova. Muita gente agora nunca viu a tecnologia antiga. Aquelas máquinas, aquelas máquinas da Sony, máquinas de fita, tudo saiu de moda. Eles meio que saíram do mercado nos anos noventa...eu comecei a ver o pro tools ser usado na indústria musical em 95...96...Savatage só começou a usar essa tecnologia em 2000...dez anos atrás...é realmente novo. Mas as diferenças entre as bandas são muitas. Circle 2 Circle é basicamente uma banda de heavy metal. Savatage fazia isso e mais, tinham todo aquela aproximação teatral, Broadway, teatral, muitas coisas bombásticas...e inacreditáveis. Tem muita diferença, muita diferença.

Circle2Circle é mais pés no chão, rock and roll, não é tão teatral, não tem tanta atuação, sabe o que eu digo, mas eu amo todos aqueles anos….é o que te faz bom, estudar todos aqueles elementos que o Savatage tinha como extras.

Dropmusic: Você tem saudades daqueles tempos?
Zak Stevens
: Sim, você sabe, era uma grande família, Grandes caras, realmente pessoas bacanas e nos demos muito bem. Então, sinto saudades desta parte. Eu adoro grandes famílias musicais...Para mim, quanto maior melhor. Eu acho que dez pessoas no palco, eu gosto desta coisa grande, desta grande família. Eu sinto saudades desta família.

Dropmusic: Existem muitos boatos de que a banda vai voltar. Você gostaria de voltar ao Savatage ou vê alguma chance de um disco ou turnê de reunião?
Zak Stevens:
Isso pode acontecer. Eu não sei ainda o que vai acontecer nos bastidores para fazer algo assim acontecer...Seria interessante ver isso exposto, faz muito tempo...e ainda não vimos um ainda....então, eu começo a me perguntar se vai mesmo rolar...mas claro, sabe....eu adoraria muito fazer isso, se eles quiserem se reunir.... vai ser bom, vai ser bom estar com esses caras de novo. È o que acho, eu só acho é sempre bom ter uma boa reunião,  ou algo do tipo, em alguma hora. Espero que possamos ver isso acontecer.

Dropmusic: Recentemente um site americano fez uma votação para descobrir quais são as lendas do metal...
Zak Stevens:
Eu ganhei? Não? Mas estava nele? É ótimo!

Dropmusic: Você estava entre os dez...
Zak Stevens:
Maravilhoso!

Dropmusic: Entre os cinco primeiros, na verdade...
Zak Stevens:
  Ainda melhor! Não tem nada errado nisso, eu adorei! É ótimo!

Dropmusic: Você ficou atrás de Halford, Dio, Bruce Dickinson e Geoff Tate
Zak Stevens:
Todos os meus ídolos no top 4 ! Isso é bom. É todo mundo que eu estudei bastante! Sem dúvida! Isso é maravilhoso! Não dá para ficar melhor que isso! Se eu cheguei entre os cinco, você pode falar, são os maiores cantores que existem. Você sabe disso. Quero dizer, eu ouvi muito enquanto criança, Judas Priest, eu cresci com isso na escola. Iron Maiden, Quero dizer, estavam em todo lugar, todos estes caras. Então é sobre isso, estudar bastante seus ídolos.

Dropmusic: Muito Obrigado pela entrevista!
 

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