Saturday Oct 25

Jota Quest - agosto/2009

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O Jota Quest é uma das bandas mais odiadas pelos críticos musicais brasileiros. Sinônimo de tudo o que pode ser chamado de pastiche ou fórmulas musicais, o grupo ultrapassa a resistência da crítica e é uma das poucas bandas brasileiras da década de 90 que ainda levam milhares de pessoas aos seus shows e tem suas músicas tocando insistentemente nas rádios mais pop.

Para falar sobre isso e também sobre o novo trabalho do grupo, conversamos com o guitarrista Marco Túlio, que afirma que não mudaria nada na história da banda se pudesse.

DropMusic: O jota quest é uma das poucas bandas dos anos 90 que ainda mobilizam milhares de pessoas para seus shows. o que é preciso fazer para manter o fã antigo e conquistar a nova geração?
Marco Túlio:
Sobreviver ao primeiro momento de sucesso e construir uma carreira é algo difícil. Não só para bandas mas para qualquer artista. Não acredito em uma fórmula,  nem tão pouco em algo estratégico e programável. A musica, como veículo de expressão, não aceita isso. Não cola! Acho que o que acontece é algo totalmente espontâneo e sincero e por isso é que temos tanto prazer em tocar. A galera se identifica com a gente.

DM: A banda, desde o começo da carreira, mesclou a soul music ao rock e pop. passou por um momento mais rock, com oxigênio, embarcou no pop com discotecagem pop e variada e voltou mais funkeado em até onde vai. onde la plata entra nessa história?
MT:
Olha, faz um bom tempo que deixamos de olhar para nossa musica com essas ‘’divisões’’. O groove, o rock ,o pop... Tudo isso é parte integrante do Jota. As coisas vão acontecendo e a gente deixa rolar. Mais interessante é somar as nossas diferenças. É isso que dá ao Jota um sabor único. Talvez o La Plata seja, nesse sentido, o álbum mais bem resolvido. Tivemos mais tempo para  fundir nossas idéias e um estúdio a disposição para ‘’ brincarmos ‘’ à vontade. Estamos felizes com o resultado.

DM: O que o novo disco traz, na opinião de vocês, de interessante, tanto para os fãs antigos, como para os mais novos?
MT:
Todos já ouvimos aquela história do artista não querer se repetir. E é verdade. É entediante ficar preso ao sucesso já conquistado, ao mesmo tempo temos uma identidade já bastante conhecida e ela é sincera. Então, não há nenhum conflito nesse processo. É um disco que traz o Jota Quest como ele e hoje. Nesse sentido, é normal que algumas pessoas gostem mais ou gostem menos.

DM: Gravar e mixar o disco em belo horizonte, trouxe algo de diferente para o álbum?
MT:
Sem dúvida. É como desligar o ‘’ taxímetro ‘’. Estar todos esses meses em casa e ter um estúdio a disposição trouxe o conforto que precisávamos para obtermos sonoridades diversas, mas ao mesmo tempo mantendo a identidade do grupo.

DM: A crítica musical não costuma receber os discos da banda muito bem. qual a importância desses comentários para o grupo?
MT:
Na contra-mão disso que você disse, La Plata foi muito bem recebido. Algumas criticas são muito bem-vindas pois mostram análises interessantes e consistentes,  outras são inconsistentes. Não dá pra levar a sério sempre.
 
DM: Aproveitando, uma crítica, boa ou ruim, ajuda a vender discos?
MT:
Ninguém quer ser mal falado. Acredito que todo artista investe o máximo da sua capacidade em produzir o que julga ser o seu melhor. A popularidade que ele atinge representa esse grau de identificação entre o público e sua obra, sua presença, sua retórica... Estamos falando de música pop!!! Como definir o que é bom ou ruim? É uma questão pessoal. O que é bom para você pode ser ruim para mim. A própria crítica não se abstém de um componente pessoal. Não vamos supervalorizar as coisas. A crítica é apenas mais um componente nisso tudo.

DM: Já faz tempo, mas vocês foram – se eu não estiver enganado – a primeira banda brasileira a emprestar o nome e o prestígio a uma marca famosa. Até que ponto isso ajudou na carreira do Jota Quest? Fariam a mesma coisa, hoje?
MT:
Apesar de algumas poucas caras feias, para nós  foi ótimo. Nos estruturamos bem e conseguimos viabilizar uma tour grande pelo país. Além disso tivemos uma exposição enorme, o que, naquele momento, ajudou a popularizar a banda.

DM: No site da banda, os fãs encontram diversos links para redes sociais e vendem faixas avulsas das canções pela internet. o futuro da música realmente está no mundo digital?
MT:
Sem dúvida! Acho que as mudanças geradas pela chegada da internet estão apenas no começo. Estamos assistindo a uma transformação nos hábitos e costumes nunca antes ocorrida.

DM: Ainda sobre o assunto, os trabalhos da banda, cds e dvds, são facilmente encontrados em barraquinhas de camelôs por todo o Brasil, além de poderem ser baixados pela internet. Até que ponto essa pirataria atrapalha o trabalho do grupo?
MT:
Seria melhor que tudo fosse regulamentado mas não é. A realidade é que nesse embate entre novas tecnologias, mundo real e pirataria o que é fato é que a música hoje é muito mais presente na vida das pessoas do que antes. Em todo lugar há música!!

DM: No site de vocês encontrei algo bem interessante – e acho que é a primeira vez que vejo -, do grupo listar os fãs-clubes pelo brasil e pelo mundo. Como é esse relacionamento, entre banda e fã?
MT:
Essa nossa turma espalhada pelo mundo é fantástica!!! A cada dia passam a ser mais próximos da banda. Nós achamos isso ótimo!!!

DM: Para fecharmos. O que o Jota Quest mudaria se pudesse voltar no tempo?
MT:
Só somos o que somos hoje por que soubemos aprender com os erros. Se voltássemos atrás e eliminássemos esses erros, talvez não chegaríamos aqui. Então,  melhor não mudar nada!!!

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