Dead Fish - março/2009

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foto: valdir antonelliDropMusic: Contra Todos é o primeiro disco da banda com um só guitarrista. O que mudou no som do grupo?
Rodrigo:
Ganhamos em crueza ao meu ver, as coisas ficaram mais punks do que antes como um quinteto. Gosto do resultado.

DM: O novo álbum é o terceiro pela Deck e uma parcela dos fãs afirma que a banda “perdeu peso” desde que passou a trabalhar com o selo. O que acham disso?
Rodrigo:
Eu acho que foi justamente o contrário, musicalmente ganhamos peso.

DM: O mercado fonográfico já não é tão representativo como foi nos anos 80 e 90. A venda ou troca de músicas online é visto por muitas bandas como o caminho correto a ser seguido. Como vocês veem isso, já que lançam um novo disco de maneira tradicional?
Rodrigo:
Eu vejo com normalidade esta coisa de downloads é o fluxo da indústria e talvez o fim dela, pelo menos como foi até agora.  De todos os CDs quem lançamos pela Deck acredito que em menos de 24 horas já estavam disponíveis na web. Acho isso bem tranqüilo, e acho até bom.

DM: Vocês já fizeram turnês no exterior, coisa que muita banda brasileira “mais conhecida” nunca fez. Como é a receptividade do hardcore feito por aqui, em português, lá fora?
Rodrigo:
Tocamos em poucos lugares da Europa, mas o que vimos na Alemanha principalmente foi que as pessoas eram bem curiosas com tipo de som que fazíamos, o Ratos já faz sucesso cantando em português, mas sem a melodia que usamos, acho que isso deixou muita gente curiosa.
Em todos os shows as pessoas vinham depois perguntar sobre como fazíamos pra escrever as músicas ou perguntar do que estávamos falando. Eu costumava falar em inglês com o público e as vezes introduzia dizendo do que se tratava a música.
Acho que o mais engraçado foi ver bandas cantando em polonês, pra gente foi muito extremo, e nos perguntamos se os alemães sentiam o mesmo que sentimos quando ouvimos bandas de HC em polonês.

DM: O Dead Fish foi uma das poucas bandas capixabas a chamar atenção fora do Espírito Santo. O que é preciso fazer para mudar isso?
Rodrigo:
Acredito que a mudança tenha que ser dentro do Estado antes de tentar fazer algo de fora pra dentro. O capixaba não costuma valorizar muito o que é feito na sua terra, com raras exceções e coloco o Congo e algumas bandas ai.
Se fossemos cariocas ou mineiros teríamos um cenário bem mais reconhecido externamente, já que banda boa e cenários legais não faltam.

DM: A banda foi, durante muito tempo, exemplo de que é possível se destacar mesmo que esteja no mercado independente. Hoje, como vocês analisam esses anos, e também o tempo com a Deck?
Rodrigo:
Como um aprendizado muito grande, conseguimos viver coisa que talvez no meio indepentente não viveríamos. Vimos a indústria ir acabando e acho que isso nos deu um know how de ambos os cenários tanto o independente como o mainstream. Acho que hoje podemos dizer com um pouco mais de segurança o que esta errado e certo no independente  e no mainstream.

DM: Em uma entrevista, há alguns anos, você afirma que o punk/hc não é mais o mesmo, não é mais perigoso ou contestador. Você acha que o punk se rendeu ao mainstream?
Rodrigo:
Não necessariamente,  no indepentende a coisa se dissolveu também, a responsabilidade esta mais com as pessoas envolvidas do que com o sistema em si. Nos tornamos, me incluindo ai, muito divididos muito cheios de regras bobas e acredito que perdemos força ai, se tivéssemos somado em vez de dividir talvez hoje tivéssemos um cenário mais desenvolvido não só pro punkrock mas pra música indepentende em geral.

DM: Vocês não são mais adolescentes e creio que mudaram de opinião sobre diversos assuntos nesse tempo. Como o grupo sentiu essa passagem do tempo, já que estão com 17 anos de carreira?
Rodrigo:
Eu posso responder por mim esta questão, se for responder pelos outros membros talvez esteja dando um ponto de vista diferente do deles.
Eu acredito que o mundo vai fazendo a gente desistir de coisas que adultos acham ridículas simplesmente porque passam a pagar contas e ter responsabilidades. Ao meu ver isso vai tirando o foco de querer mudar tudo pra melhor, vamos nos envolvendo e quando vemos já somos gordinhos cínicos e bigodudos, apesar de isso não ser uma regra, não tem nada de demais nisso, é natural a gente se tornar um homem que não faz a diferença.
Estar numa banda  pra mim é ainda estar a salvo do cinismo adulto, mesmo tendo me tornando um com várias demandas cotidianas iguais as de todo mundo e até um pouco cínico também, é ter um pouquinho mais de fé no mundo do que a maioria,   que ainda posso ser honestos com meus sonhos e até mais inocente mesmo, seu eu tivesse tido um emprego regular de 8 horas por dia nos últimos 12 anos com certeza não estaria falando isso.
Eu olho a nossa carreira e vejo o quanto é legal ir vendo as idéias mudando de trampo pra trampo, a gente envelhecendo pelo que escrevi e pelo que tocamos, tem coisas que sinceramente não me orgulho mas que não posso negar que fiz.
Finalmente posso te dizer que me sinto um previlegiado por ter tido a oportunidade de estar trabalhando com música por tanto tempo e especialmente o tipo de música que eu faço que pra mim é melhor música que existe a mais intensa que já existiu sobre a Terra. Se eu acreditasse em Deus agradeceria a ele todo dia.

DM: Desde o começo da carreira do Dead Fish, vocês mesclaram composições em português e inglês. Essa opção, naquele tempo, era necessária para a banda se afirmar no cenário hardcore nacional?
Rodrigo:
Não, era muito ao contrário, nossos amigos de outras bandas cantavam em inglês. A gente queria que a pessoas entendessem o que falávamos naquele tempo, queríamos algo mais Cólera, Olho seco entende?  Daí fizemos.

DM: O grupo passou por mudanças no último ano. Como isso vem sendo sentido no dia-a-dia do Dead Fish.
Rodrigo:
Acho que tem sido mais complicado pra mim do que pra banda não ter o Nô que fundou a banda próximo, ainda me acostumo e acredito que isso leva algum tempo.

DM: Para terminarmos, qual a sensação de ter mais um disco lançado em um mercado considerado fraco, como é o brasileiro?
Rodrigo:
Nunca esperamos muito do mercado, esperamos mais de nós mesmos. A gente chegou até aqui ouvindo tanta coisa por tanto tempo que acabamos nos fechando em dar o nosso melhor indepentente do que aconteça ou digam

 

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