Raimundos

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O Raimundos está de volta com um novo disco, que contou com a ajuda dos fãs que botaram a mão no bolso e financiaram o trabalho via crowdfunding, mas continua tendo que  conviver com fantasmas do passado, culpa dos próprios fãs que não esquecem o antigo vocalista. Confira a entrevista exclusiva que fizemos com o guitarrista Marquim.

DropMusic:Vocês apostaram no Crowdfunding e se deram muito bem. Precisavam de R$ 55 mil e acabaram arrecadando R$ 120 mil. Porque resolveram ir por esse caminho?
Marquim:
Já havíamos feito um show via crowdfunding há alguns anos e foi um sucesso. A ideia ficou na cabeça. Aí vimos os exemplos do Forfun, que teve um projeto muito bem sucedido, e o próprio Billy Graziadei sugeriu o crowdfunding. As propostas de gravadora que tivemos foram pífias, sempre pedindo mais do que ofereciam, então pareceu o caminho mais lógico.

DropMusic:Normalmente, quando um projeto é tocado via crowdfunding os riscos de não arrecadar dinheiro suficiente são grandes. Como foi a sensação de ver essa meta batida e ainda por cima ser ultrapassada?
Marquim:
Colocamos uma meta bem baixa, que mal cobria a logística da viagem para Los Angeles, se não desse certo faríamos com o dinheiro dos shows mesmo. A surpresa foi enorme, em uma semana batemos a meta e quebramos os recordes do Catarse (site que disponibilizou o crowdfunding para os fãs). Nossos fãs nos deram uma grande prova de carinho e apoio.

DropMusic:Como esses fãs, que receberam o disco em primeira mão, receberam o trabalho? Qual foi o retorno que vcs tiveram?
Marquim:
O retorno foi ótimo! Podemos dizer que TODOS os fãs gostaram do CD e de todas as músicas, o que é muito raro. Não houve um "hit" em particular, cada um gostava de uma música e todas as músicas foram bem votadas em enquetes. Até na rádio 89 em São Paulo  começou a tocar uma música que não seria nossa primeira opção de trabalho. Ficamos felizes com tanto feedback positivo, mostra que o trabalho árduo dos quatro valeu a pena.

DropMusic: O Raimundos está fora de uma grande gravadora há muito tempo, desde o lançamento do Kavoolavala, em 2002. Nesse meio tempo vcs lançaram um EP pela internet e mais nada. Como sobreviver fora da mídia por tanto tempo?
Marquim:
Houve períodos com poucos shows, pouca estrutura, mas ainda assim sempre foi divertido. O Digão merece todo o crédito por manter a banda na estrada e trazer o Caio, que se tornou uma peça indispensável. Aos poucos nos tornamos uma banda mais coesa, os shows ficaram melhores e o resultado está aí.

DropMusic; Durante esse tempo vcs chegaram a testar uma formação com o Tico Santa Cruz nos vocais, mas o que realmente vingou foi o Digão assumir definitivamente esse posto. O que ficou dessa experiência?
Marquim:
O Tico nunca foi cogitado como "vocalista definitivo", a ideia sempre foi de compartilhamento. Algumas músicas ele cantava, outras o Digão, e algumas os dois. Foi uma experiência interessante, a dinâmica dos dois vocalistas mexia bastante com a galera, os fãs curtiram muito.

DropMusic: Boa parte dos fãs da banda envelheceram, afinal vcs já têm mais de 20 anos de carreira. Como é continuar fazendo canções que, de uma forma ou de outra, ainda são tipicamente adolescentes, como Gato da Rosinha?
Marquim:
Gato da Rosinha é uma música do Zenilton e quando ele a compôs já tinha mais de 40 anos de idade. Ainda nos sentimos jovens, quando nos sentirmos velhos vamos fazer jazz ou coisa assim.

DropMusic: Ainda sobre isso, como é ter que agradar esse antigo fã e ainda conquistar a molecada que está conhecendo o Raimundos agora?
Marquim:
É mais difícil agradar os fãs antigos com certeza, que sempre usam a balança da "banda antiga vs a banda nova", os fãs novos nunca viram a banda antiga em ação e adoram a bagunça dos shows e a energia das músicas. Mas o Cantigas está agradando a todos, vários fãs antigos vieram se manifestar positivamente a respeito do CD.

DropMusic: Por incrível que pareça, até hoje, com o lançamento de um novo disco, ainda se fala na saída do Rodolfo, mesmo que isso tenha acontecido há 13 anos. Como é lidar a todo momento com esse fantasma?
Marquim:
Eu, particularmente, não acredito em fantasmas, então é fácil ignorar.

DropMusic: Cantigas de Roda mostra uma banda trilhando outros caminhos além do hardcore, como o Ska em Dubmundos, que contou com a participação de Sen Dog, do Cypress Hill. Vcs acham que está na hora do grupo se reinventar?
Marquim:
Muita gente pergunta se fizemos essas músicas "de propósito", mas a verdade é que nos juntamos e colocamos as ideias na mesa, as músicas evoluíram com o trabalho dos quatro e o resultado é o Cantigas. Não traçamos um plano "vamos modernizar o som", Dubmundos é uma música que quase não entra no CD. O Billy adorou a melodia da voz e trabalhamos nela em Los Angeles, o Billy teve a ideia de colocar os metais de Ulises Bella (do Ozomatli) e Sheffer Bruton e ficou desse jeito.

DropMusic: Aproveitando, como foi trabalhar com Sen Dog e também com o Billy Graziadei, do Biohazard? O que eles trouxeram de diferente para o som da banda?
Marquim:
Muita coisa! O Billy ajudou desde a pré-produção até o fim, deu muitas ideias (algumas foram usadas, outras não), contribuiu nos arranjos de todos os instrumentos, gravou com qualidade primorosa e passou pelo martírio que é mixar de acordo com nossas especificações. Espero poder gravar de novo com ele. Sen Dog apenas gravou sua parte na música, que ficou espetacular.

DropMusic: Por fim, como sobreviver como uma banda de rock por tanto tempo em um mercado tão ingrato como o brasileiro, que por muitos anos sequer tinha uma rádio realmente especializada em rock?
Marquim:
Realmente é difícil uma banda sobreviver, temos a sorte de ter um repertório rico e conhecido, mas para uma banda iniciante é complicadíssimo. Estamos num período de transição entre o modelo antigo das gravadoras que bancavam tudo e esse novo paradigma em que a banda pode fazer tudo independentemente, terceirizando tudo que a gravadora cobraria (caro) para fazer. Vejo artistas independentes como o Nando Reis com música em novela e série de TV, agenda lotada e música tocando na rádio, então as coisas estão mudando.

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