Crítico é uma merda não é?

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Pra quem não leu, Sérgio comenta sobre alguns novos grupos, separando-os em categorias específicas, como se eles não tivessem ligação uns com os outros. Por exemplo, White Stripes e Kings of Leon não tem nada a ver com Kills e Strokes, por exemplo. Os dois primeiros são chamados de Néo Caipiras e os últimos de Chiques (??). Pra completar ele cria mais uma: a dos oitentistas, onde entram as bandas Bravery, Killers e Interpol. Novamente, para Sérgio Martins, não existe ligação entre estes grupos e Strokes e Franz Ferdinand, que fazem parte dos Chiques.
 
O crítico, como fica claro no texto, se baseia apenas no visual das bandas e esquece-se do som. Bravery, Killers, Interpol, Strokes e Franz Ferdinand bebem da mesma água, são bandas que foram muito influenciadas pelos anos 80 – grupos como Smiths, Cure, Gang of Four entre outras -, mas carregam elementos dos anos 90 – Blur, Radiohead, Suede, Placebo - em suas músicas, claro, cada uma a sua maneira. White Stripes e The Kills, são quase como bandas irmãs, formadas por duplas (um homem e uma mulher) e fazem basicamente o mesmo tipo de som, uma mistura do rock de garagem dos anos 60, aí entrando Velvet Undergroud e Stooges, passando pelos anos 70, com influências de bandas como MC5 e do punk rock, até chegarem mais longe, pescando material no grunge dos anos 90. A única diferença entre eles é que nos últimos discos o White Stripes resolveu investir no blues e o Kills no Velvet Underground.
 
A única banda que, mais ou menos, tem a citação correta é o Kings of Leon da tribo dos Neo Caipira, não por ter sido incluído neste ´estilo´, mas apenas por trazer elementos do classic rock americano, que nos anos 70 tinham bandas como America, Credence Clearwater Revival, Steppenwolf e muitos outros, que também usavam a música country, mas nunca esquecendo da veia roqueira.
 
Não é de hoje que os críticos, na falta de assunto melhor, tentam emoldurar os grupos em categorias que não existem, muito mais vezes pela forma de se vestirem do que pelo som que fazem.
 
Ao tentar desqualificar as bandas, primeiro pela forma de se vestirem, depois pelas suas influências, Sérgio Martins apenas mostra uma visão um tanto míope do momento atual do rock, principalmente por se prender muito mais nas roupas em detrimento das músicas. O rock não se renova a muitos anos, o último lampejo de criatividade se deu no final dos anos 70, começo dos 80 com o pós punk, daí pra frente nada de ´revolucionário´ foi criado, mas apenas fórmulas tiveram um ou outro ingrediente alterado.
 
E fica a pergunta, desde quando uma banda que tenta descobrir novos sons a cada 10 minutos consegue fazer boa música sempre? Os exemplos de White Stripes e Kills foram, no mínimo, infelizes. Os primeiros só deram uma leve mudada de som no mais recente álbum, Get Behind Me Satan, o quinto da carreira. Os segundos porque quiseram parar de ser comparados com o White Stripes, e não conseguiram nem isso. Então onde está a novidade?
 
Sim, sou um trintão, como o próprio Sérgio cita em seu artigo, mas não é por isso que tenho que ser míope quanto à qualidade do rock atual. E destas bandas é muito mais fácil um Killers, Strokes e um Franz Ferdinand manterem uma carreira firme do que um Kills.

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