Acústicos: Uma tábua de salvação!

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Calhou de, na semana passada em São Paulo, duas bandas estarem passando pela cidade com seus shows acústicos, o Ira! e o Engenheiros do Hawaii, e uma terceira fazendo o lançamento oficial do disco na MTV, neste caso o Ultraje a Rigor. Quais as semelhanças entre eles? Além de serem três grupos dos anos 80 - dois deles com a carreira, infelizmente, estagnada -, todos os três apostaram em arranjos mais diretos, sem muitas frescuras. O Ira! só enfiou um violoncelo, o Ultraje colocou uma orquestra apenas em Nós Vamos Invadir Sua Praia - e já disse que não irá levá-la para os shows - e o Engenheiros do Hawaii não se rendeu a nada disso. Outro acústico a seguir esta linha mais básica foi o com bandas gaúchas, que junto ao feito por Marcelo D2, podem ser considerados como um bola fora dado pela MTV.

O que devemos considerar é: Acústico é um produto de sucesso no Brasil e pra isso basta ver os shows que o Ira! e o Engenheiros fizeram. No caso dos primeiros, há pouco mais de dois anos eles jamais conseguiriam lotar uma casa como o Credicard Hall, o mesmo podemos falar da banda de Humberto Gessinger que no show de lançamento de Dançando no Campo Minado não conseguiu lotar meio Directv, hoje Cie Music Hall. Mas, como as coisas Mudaram, o Ira! entupiu o Credicard Hall e o Engenheiros fizeram dois shows no Cie, ambos com lotação quase total e ótima acolhida por parte dos fãs,  que antes do lançamento torciam o nariz para a empreitada. 

O que esperar, então, do Ultraje a Rigor? A banda de Roger trilha um caminho parecido com o feito pelo Ira!, fazendo poucos shows pelo interior e tocando em locais pequenos em São Paulo. Não será dificil ver, brevemente, shows cheios, cachês bem mais altos e muito mais shows pelo Brasil. Isso é uma certeza, do mesmo jeito que é uma certeza que estas bandas terão dificuldades em manter o mesmo pique depois que o sucesso do acústico acabar. Talvez aí esteja a idéia de se fazer um acústico mais enxuto, para não assustar aquele fã de última hora, que acha que a banda é ´calminha´.

Basta relembrarmos os casos de Titãs, Capital Inicial e, mais recentemente, Kid Abelha. Os Titãs, tentando manter a aura acústica, lançaram um segundo disco no mesmo estilo com canções que ficaram de fora do primeiro acústico, depois apareceram com um álbum de covers e dois discos com canções inéditas que não venderam nada comparados ao Acústico MTV. O mesmo podemos dizer do Capital Inicial, que teve a carreira alçada aos céus com o Acústico e mesmo fazendo dois bons discos, com relativo sucesso, não conseguiram vender tão bem,  além de fazer um bom tempo que as duas bandas não se apresentam em São Paulo. Sobre o Kid Abelha, apesar de ser um tanto cedo para falar alguma coisa, não é muito diferente. O grupo acabou de terminar a turnê do acústico e está com disco novo na praça, mas penando para conseguir que alguma das canções se transforme em um hit e com um show morno e totalmente baseado na turnê anterior.

O próximo desta leva será o Ira!, mas Nasi e cia., talvez ligados na dificuldade da vida após o acústico, partiram para uma estratégia diferente: colocar novas músicas, que poderão ou não entrar no próximo álbum, durante a turnê atual. Isso mostrou-se certo quando vemos a boa aceitação dos fãs durante os shows. Se isso  vai manter o status da banda não dá pra saber, mas não deixa de ser uma boa estratégia. Diferente do que Humberto Gessinger está fazendo, já que o show acústico do Engenheiros do Hawaii não mudou quase nada em relação ao show que originou o CD e DVD do projeto. Mas o EngHaw tem algo que outras andas não têm: um público pra lá de fiel, que faz as vendas dos discos da banda sempre alcançarem um número razoável, que, se não é sensacional, mantém a trupe confortável com sua gravadora atual, a Universal Music.

Então qual a sina que ronda o projeto da MTV? Fácil de descobrir: seu público. No show do Ira! ficou transparente que aquele público que curte os acústicos, muitas vezes abomina o som mais guitarreiro da banda, era só ver a quantidade de pessoas que deixaram o Credicard Hall quando eles passaram para um set mais elétrico e pesado. Não esvaziou, mas muita gente resolveu deixar a casa bem antes do show acabar. Não dá para falarmos que seja um público modista, mas é um público extremamente volúvel e influenciado pelo que a MTV dita como música atual. E sabemos que a emissora infla sua programação com canções tiradas de seus projetos.

Outro ponto, talvez, seja a falta de criatividade que várias destas bandas, e muitas outras, passam ou passaram. Nada mais natural, é um tanto difícil manter o mesmo nível criativo em carreiras que duram mais de 20 anos, mas seria o caso deles se aposentarem? Não chega a tanto, alguns grupos deveriam pensar em parar de produzir material novo, e com isso descaracterizar a boa imagem construída na carreira, e começarem a pensar em se dedicar a tocar o material antigo em shows. Decadência? Pode até ser, mas é muito mais digno do que lançar trabalhos medíocres ou depender quase exclusivamente da MTV e seus projetos, para continuar ganhando grana com música.
 
Se você não concorda, lembre-se que o Ira! teve sua carreira vitaminada há alguns anos graças a outro projeto da emissora, o Ao Vivo MTV e os Titãs também lançarão o próximo trabalho da mesma forma. Logo depois do sucesso do Ao Vivo, o Ira! lançou o álbum Entre Seus Rins, com resultado medíocre. Para as bandas e gravadora é uma mão na roda, já que todo o trabalho de divulgação é feito basicamente pela MTV, que tem interesse direto que as vendas sejam boas .E assim, o ciclo se fecha, já que sabemos que sem jabá, nem Rolling Stones e U2 tocam nas rádios brasileiras.

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