Brasil 2000: O fim

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Mas, pela parte da Anhembi Morumbi, nada justifica tal `venda´. Sim, entre aspas, já que a rádio é uma concessão federal que não pode ser vendida. Voltaremos a este assunto um pouco mais pra baixo.

Com o fim da Brasil 2000 os únicos que saem perdendo, além dos funcionários é claro, são os ouvintes que ainda tem um certo gosto mais refinado e não se vendiam facilmente às programações movidas à jabá, dando nome aos bois: Mix FM e 89 FM. Engana-se quem acha que o grosso destes ouvintes irá mudar para uma das duas, já que este cara estava justamente atrás do que não toca nestas rádios. Claro que o ouvinte da Brasil 2000 pode gostar de CPM 22, Pitty e Charlie Brown Jr., mas ele também gosta de Sugarkane, de Imperdíveis, de Matanza, bandas que não entram nas outras FM´s. Além dos ouvintes, quem perde muito com o fim da rádio são as bandas independentes, já que a Brasil 2000 era a única rádio que colocava estas bandas na programação normal e não em um programa perdido na madrugada ou muito mal divulgado.

É óbvio que sabemos que a rádio era deficitária, que a renda obtida com publicidade não pagava os salários dos funcionários e tal, mas a idéia por trás da Brasil 2000 era ser uma rádio nos moldes das college radios americanas, rádios mantidas por faculdades, com raio de ação restrito e uma programação feita, em boa parte, pelos próprios alunos. Isso na verdade nunca funcionou, nem mesmo quando a emissora colocava nas vinhetas que era a única college radio do Brasil, mas, pelo menos nesta última fase os alunos da Anhembi Morumbi faziam alguns programas, se bem que todos iam pro ar durante a madrugada para não atrapalhar a programação. Agora, com a ´venda´ nem isso, apesar da Band afirmar que o acordo prevê a participação dos alunos nas atividades, não acredito que haverá espaço para os alunos, já que a Band trará toda uma equipa já montada.

E também não preciso dizer que o que moveu o acordo foi dinheiro. Dinheiro grosso, muita grana. Dinheiro que a universidade jamais iria ver se dependesse apenas da publicidade vendida pela rádio. O problema começa quando lembramos que a rádio não pode ser vendida, na verdade nem arrendada para outra emissora com algum propósito financeiro, já que a Brasil 2000 era uma emissora educativa. Dê uma escutada, enquanto a rádio ainda está no ar, nas vinhetas de patrocínio. Todas falam em apoio cultural, já que o patrocínio é proibido para este tipo de concessão. Então o que temos é uma operação feita através de acordos um tanto obscuros, apesar de advogados poderem falar que tudo está ´nos conformes´.

Então, se levarmos para este lado, a Brasil 2000 jamais poderia fazer tal acordo com a Band. E aí? Como fica? Entre em contato com o Ministérios das Comunicações na semana passada, mas até agora não tive resposta a esta indagação.

Mas a pergunta maior é: Será que São Paulo não tem espaço para uma rádio alternativa e totalmente segmentada? Kid Vinil acreditava que sim e deu com os burros n´água (leia a entrevista que fizemos com ele). Só que o problema pode não estar nisso, mas sim na forma que a audiência é medida. Há muitos anos várias emissoras brigam com o IBOPE, que faz o levantamento de quantos ouvintes estão ouvindo determinada rádio. A forma que este levantamento é feito é, no mínimo insatisfatório, já que, de acordo com a metodologia do instituto, pede que lembremos quais emissoras ouvimos nos últimos dois dias, ou seja, não existe um instrumento que faça a mensuração do que o ouvinte realmente está ouvindo. Só como exemplo, nos últimos dois dias ouvi a Kiss, Brasil 2000, 89, Mix, Antena 1 e Eldorado. Mas parei para ouvir de verdade apenas a Kiss e a Brasil 2000.

Por aí dá perceber que não importa quanto tempo você ficou na mesma emissora, apenas que você ouviu, nem que por míseros 15 segundos, a programação das outras rádios. Quer mais? Apenas 240 pessoas são entrevistadas por dia em São Paulo para fazer tal levantamento. São Paulo, e grande São Paulo, tem mais de 20 milhões de habitantes. Mas é baseado nestes levantamentos que descobrimos que a Brasil 2000 tem apenas 6 mil ouvintes por minuto e é exatamente por isso que está sendo vendida.

Por outro lado, com a mudança na programação, aquela feita pelo Kid, a rádio realmente perdeu ouvintes, seu telefone quase não tocava e a participação nas promoções caiu drasticamente, assim percebemos que o grosso da molecada que se diz roqueira, na verdade, quer apenas ouvir o último sucesso da Pitty, não liga para novas bandas e muito menos assiste shows de pequeno porte ou freqüenta casas com o Funhouse e Outs. O público dito alternativo é pequeno e apesar do rock estar na moda novamente, não está ligando para o alternativo.

Em tempo, hoje, sábado, dia 05/11, fuçando no orkut encontro um post da locutora Paula, dizendo que a Brasil 2000 não vai acabar, que os funcionários tiveram uma reunião com a Anhembi Morumbi onde foi explicado que não existe negociação alguma com a Rádio Bandeirantes para o arrendamento da emissora.

Se isso realmente for verdade ótimo. Mas é esperar pra ver...

* Nota do Editor: A rádio não foi vendida ou arrendada. A mobilização dos ouvintes fez com que a Anhembi Morumbi mudasse de idéia.

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